Augusto Diniz
Augusto Diniz

Mateus Dutra: “É um ano de resistência para todo mundo que trabalha com cultura”

Artista visual responsável pela arte que estampa o material de divulgação do Bananada, ele diz que o babuíno de boca aberta representa um momento de contracultura

Mateus Dutra é o artista plástico que assina imagem que estampa material de divulgação do festival | Foto: Lu Barcelos

Responsável pela figura que dá identidade à 19ª edição do Festival Bananada, o artista visual Mateus Dutra é o coordenador do Blackbook no evento. A ação deste ano, que será realizada nos dias 12, 13 e 14 de maio no Centro Cultural Oscar Niemeyer, inclui três artistas visuais e três VJs, que farão projeções e intervenções de muralismo nas paredes do Museu de Arte Contemporânea (MAC), que fica no CCON.

Ao lado do também artista visual Danilo Itty, Mateus pintou o macaco utilizado no material de divulgação da edição deste ano do Bananada. “O que eu imaginei foi a figura de um babuíno, um mandril, meio que uma supernova explodindo, tendo um golinho de agressividade, porque eu acho que é um ano de resistência para todo mundo que trabalha com produção cultural.”

Na entrevista concedida à coluna 365 Shows, Mateus Dutra dá detalhes de quem participa e como será o Blackbook no Festival Bananada de 2017, o momento de resistência às tentativas que, segundo ele, enfraquecem uma cadeia produtiva que “geralmente se dá mal com esses processos de terceirização de mão de obra”.

Entrevista | Mateus Dutra

Como vai ser a sua participação? Quais outros artistas que participam da programação do Festival Bananada neste ano de alguma forma?

Esse ano a gente vai fazer a Blackbook de novo. Esse ano a proposta é trabalhar o lado efêmero do muralismo, essa coisa do mural estar e não estar. Então vai ser através de projeção e mapping. Vão ser um VJ e um artista trabalhando juntos.

Confirmados a gente tem o Renato Reno, do Bicicleta Sem Freio, o André Morbeck e a Fabiola Morais de artistas. E de VJs temos o VJ Boca, de Brasília, o VJ Erms e o VJ Felipe Monteiro. Aí a gente vai fazer uma dobradinha entre eles.

Como vai funcionar? Entra muito o trabalho de projeção nas paredes?

Isso. Nos três dias do evento no Oscar a gente vai dividir um dia para cada dupla. Então durante a noite na fachada do MAC (Museu de Arte Contemporânea), que além de ter esse simbolismo de ser museu, é um lugar muito legal, meio wide, meio uma telona, entre os palcos os artistas vão fazer projeções e lives lá.

Como surgiu a ideia da arte que estampa todo o material de divulgação da 19ª edição do Bananada feita por você e pelo Danilo Itty?

O conceito foi meu. O Itty é um parceirão e a gente faz muito trabalho junto. Ele conseguiu dar aquela textura de várias camadas. Meu trabalho tem muita camada. O caminho foi bem bacana. O que eu imaginei foi a figura de um babuíno, um mandril, meio que uma supernova explodindo, tendo um golinho de agressividade, porque eu acho que é um ano de resistência para todo mundo que trabalha com produção cultural.

Babuíno com várias camadas representa grito de resistência | Imagem: Mateus Dutra e Danilo Itty

Mas é bem uma coisa da comunicação, com ele abrindo a boca e falando. Eu quis fazer um macaco um pouco mais agressivo por eu encarar que é um ano de resistência, é um período de resistência e de contracultura. Busquei uma coisa bem colorida e explosiva.

Esse babuíno que vocês fizeram recebeu algum nome?

Não batizamos. Não tem nome.

Você fala desse momento de resistência nas artes em um tempo que a gente tem visto manifestações contra reformas apresentadas pelo governo federal, o que tem mostrado um momento de resistência não só para as artes. Como você vê esse momento?

Conturbadíssimo. Preocupante. A gente tem que estar muito esperto. Eu acho que trabalhar com arte, com cultura, hoje no Brasil é militância. Porque a gente trabalha com parcerias, com a cadeia produtiva que geralmente se dá mal com esses processos de terceirização de mão de obra, de flexibilização de regras trabalhistas.

É uma cadeia produtiva que os sindicatos não representam muito. A gente tenta assimilar todo mundo e, lógico, dentro de uma filosofia de trabalho, na gíria cola quem quer, mas trabalhando com carinho, sempre com um conceito, com uma filosofia legal e tentando agir certo com as pessoas. Acho que é o que está faltando hoje em dia.

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