Augusto Diniz
Augusto Diniz

“Martim Cererê é um dos melhores lugares que tem para tocar no Brasil”, diz Gross

Em conversa com a coluna 365 Shows, guitarrista da Cachorro Grande fala sobre as gravações do disco duplo Chumbo & Pluma e a expectativa para o show em Goiânia

Guitarrista do Cachorro Grande, Marcelo Gross faz show solo em Goiânia na quinta-feira (13/4) | Foto: Divulgação

A noite na cidade/O chão começa a tremer.” Os dois versos de Purpurina, primeiro single divulgado do disco duplo Chumbo & Pluma, mostram que a diversão é a temática do show solo do guitarrista Marcelo Gross, da banda gaúcha Cachorro Grande, que acontece em Goiânia na quinta-feira (13/4). A apresentação na véspera de feriado será no Centro Cultural Martim Cererê ao lado das bandas Melodizzy, Ok Johnny, Mellow Buzzards e Jukebox From Hell a partir das 21 horas.

Os ingressos custam R$ 20 a meia-entrada e R$ 40 a inteira na venda antecipada pelo site Meu Bilhete (clique aqui) ou nas lojas Hocus Pocus, na Avenida Araguaia com a Avenida Paranaíba, no Centro, Detroit Steakhouse da Avenida 136, no Setor Marista, Loja do Ervilha e Vai Tomar no Kuka Bar, no Jardim América, Woodstock Bar, na Avenida D, no Setor Oeste, American Music, na Avenida T-10, Galeria Paula, Setor Bueno, ou Seven Rock Shop, no Shopping Buena Vista. No dia do show o preço sobe para R$ 30 meia e R$ 60 inteira.

Convidado do evento Monstro Rocks #32, realizado pela Monstro Discos, o guitarrista gaúcho de 43 anos vem a Goiânia ao lado do baterista Clayton Martim (Cidadão Instigado) e provavelmente do baixista Gustavo Steiernagel mostrar um trabalho musical não tão conhecido pelo público da cidade. Integrante da banda Cachorro Grande, Gross lançou em 2013 o disco solo Use o Assento para Flutuar. Quatro anos depois, após gravar os álbuns Costa do Marfim (2015) e Electromod (2016) com a Cachorro Grande, trabalha em seu segundo disco fora da carreira do grupo, que vem em formato duplo e ganhou o nome Chumbo & Pluma.

Chumbo, como explica Gross na entrevista concedida na última quinta-feira (6), é o lado rock’n’roll do registro duplo. Desta gravação em formato de power trio saiu o single Purpurina, lançado no dia 12 de fevereiro. Um dia depois da conversa com a coluna 365 Shows, o músico soltou uma canção do Pluma, o lado mais balada do álbum: a música Morangos e Maçãs.

Os versos que abrem o texto são de Purpurina, um rock bem cadenciado em 6 minutos e 57 de sonoridade que fala da busca pela noite em um carro ao lado de uma mulher: “Parece um terremoto/Mas somos só eu e você“. Um clássico rock com bom espaço dedicado ao solo de Gross na segunda parte da música. Já a canção Morangos e Maçãs, com uma doçura psicodélica, busca inspiração no álbum branco dos Beatles, de 1968, e em loops de fita nas guitarras.

“É uma música psicodélica bastante influenciada pelo dedilhado do John Lennon, aquele dedilhado estrelão que ele usou muito no álbum branco. Ela fala sobre encontros amorosos em apartamentos vazios para alugar. E ela tem também uma atmosfera que vem dos vários loops que eu gravei em fita, que nem os Beatles fizeram em Tomorrow Never Knows“, detalha Gross sobre a canção Morangos e Maçãs.

O disco Chumbo & Pluma está previsto para sair no dia 26 de maio pela DaFne Music, que fará a distribuição digital do álbum duplo. As versões físicas em fita cassete (K7), LP e CD ficam por conta da 180 Selo Fonográfico, o mesmo selo que lançou o vinil solo de estreia de Gross.

Show em Goiânia

A apresentação do guitarrista da Cachorro Grande na quinta-feira em Goiânia ainda faz parte da turnê do disco Use o Assento para Flutuar. Mas o músico diz que entrarão algumas canções novas e músicas dos primeiros discos da Cachorro Grande compostas por ele, como Sinceramente e Bom Brasileiro. “E na finaleira a gente nunca sabe o que pode acontecer. A gente pode tocar um Mutantes ali, um Beatles, um The Who. No final sempre acaba virando uma festinha.” Confira a entrevista completa.

Entrevista | Marcelo Gross

Você lançou recentemente o single Purpurina e está caminhando para lançar seu segundo disco. Como está esse trabalho?

É um disco duplo, né? Na verdade são dois discos. É Chumbo e Pluma. Vai ser um disco duplo. O Chumbo é mais de rock’n’roll e o Pluma é mais de baladas acústicas com um clima mais delicado. As baladas mais clima Neil Young, sabe? Basicamente o disco se divide nessas duas partes. A parte com o rock’n’roll pesado que é o Chumbo e uma parte com as canções acústicas mais delicadas que eu já tinha vontade de fazer isso há muito tempo, mas agora com as minhas músicas e eu tive coragem de botar na roda. É um estilo que a galera não conhece muito. A galera conhece muito a base mais sólida do rock’n’roll.

O pessoal está acostumado com o seu trabalho de longa data com o Cachorro Grande. Não é muito um trabalho que encaixaria na banda.

Até encaixaria, mas como as letras são mais pessoais eu resolvi fazer sozinho (risos).

O single Purpurina, que tem uma parceria com a Carol Navarro (Supercombo), se encaixa em qual dos discos: Chumbo ou Pluma?

Essa é do lado do Chumbo, que tem um pesão. As canções do Pluma são mais de violão e piano. Amanhã (sexta-feira 7 de abril) eu vou lançar um single com uma primeira música do Pluma que se chama Morangos e Maçãs.

O que você pode adiantar desse lançamento? O que a gente pode esperar dessa música, que você já disse que mostra um lado mais calmo das suas composições?

É uma música psicodélica bastante influenciada pelo dedilhado do John Lennon, aquele dedilhado estrelão que ele usou muito no álbum branco. Ela fala sobre encontros amorosos em apartamentos vazios para alugar. E ela tem também uma atmosfera que vem dos vários loops que eu gravei em fita, que nem os Beatles fizeram em Tomorrow Never Knows. Eu gravei umas guitarras ao contrário nos gravadores de fita e botei na música também para criar uma atmosfera psicodélica assim, meio Tomorrow Never Knows mesmo. Então ela tem bastante de Beatles, mas com a letra falando de coisas brasileiras. Ela é basicamente um samba-canção.

Esse processo de gravar em fita, além dos loops, vai estar presente no processo de gravação do disco duplo ou é só para um arranjo dessa música mesmo?

É mais uma história para arranjo dessa música e de algumas outras, que eu peguei uns loops de fita das demos originais que eu gravava com gravador de quatro canais de fita e alguns solos, algumas texturas, eu acabei colocando nas música. Mas o disco está sendo gravado normalmente. Eu gravei, assim como o meu primeiro disco, eu gravei a primeira parte, instrumental, na parte do meu baterista, que é o Clayton Martim, do Cidadão Instigado (CE).

A gente gravou o instrumental lá tocando ao vivo a parte do Chumbo tocando em trio com o baixista. E a parte do Pluma meio que só eu e ele, a gente tocando violão e batera vassourinha, um clima mais intimista, mas eu acabei gravando o baixo depois.

O disco está sendo gravado em São Paulo e em Porto Alegre?

Está sendo gravado em São Paulo porque eu moro aqui há mais de 15 anos. Então todas as atividades acabam sendo aqui. Ele começou a ser gravado, assim como o meu primeiro, com a gravação das primeiras partes, de instrumental, no estúdio do Clayton, que é o Estúdio Submarino, na Mooca. E a finalização, os vocais, orquestra e piano eu estou gravando no estúdio da DaFne Music, que é o selo que está lançando o disco.

Grosso em São Paulo na gravação dos vocais do disco Chumbo & Pluma | Foto: Reprodução/Facebook

Do disco Use o Assento para Flutuar, que saiu em 2013, o que vem de diferente nesse novo trabalho, mesmo com a divisão entre um disco de baladas e outro de rock? O que marca esse registro duplo?

Para começar, como o Use o Assento para Flutuar foi gravado meio ao vivo no estúdio ele tem uma sonoridade mais crua. O disco novo vai ter uma sonoridade mais produzida. Também as canções são bem diferentes. Algumas músicas são meio funk, trabalhei alguma coisa com o dub jamaicano. Tem influências de outras coisas que eu gosto que não apareceram no primeiro disco, mas que aparecem nesse.

Tem algumas coisas bastante fifties (anos 1950) que eu gosto bastante. Bandas como Dark on the Belmonts. As bandas dos anos 50. Então aparece alguma coisa disso no disco. E também o rock clássico, aquele clima de riff do Keith Richards (Rolling Stones), aquele rockão. E a grande novidade é o disco Pluma, que é todo só de baladas. Isso é bem diferente das coisas que eu fiz.

Gross, quando vem o seu nome anunciado para um show em Goiânia, o público do Cachorro Grande tende a ficar mais interessado do que outras pessoas pelo seu show. Como você acredita que o público do Cachorro Grande que não conhece o seu trabalho solo deve absorver suas músicas fora da banda, principalmente esse lado novo que os fãs ainda não conhecem?

Eu acho que quem gosta da Cachorro Grande vai gostar porque eu meio que tenho uma abordagem parecida com o que a Cachorro Grande fazia nos primeiros discos, principalmente no primeiro e no segundo, que eram os discos onde eu escrevi a maior parte das músicas. Então a galera que talvez tenha curtido esse lado eletrônico que apareceu nos discos mais recentes, mas tinha saudades daquele rock’n’roll mais despojado, eles vão se identificar bastante.

Já tem definido quem vai fazer a distribuição desse disco ou vai ser tudo feito pela DaFne Music?

Ele vai sair pela DaFne, o selo, em parceria com o 180 Selo Fonográfico, que lançou o meu primeiro vinil. Então a DaFne vai cuidar da parte digital e a 180 vai cuidar da parte física, que sai em CD, cassete (fita K7) e LP. Terá o formato separado. Se a pessoa quiser comprar só o Chumbo ou só o Pluma. Ela pode comprar também os dois como um disco duplo. E vai ter também um box especial com bastante encarte e bastante coisa.

É uma pergunta um pouco óbvia, mas o que o público pode esperar do show em Goiânia?

Esse show ainda é do álbum Use o Assento para Flutuar, apesar de eu tocar algumas músicas novas em primeira mão para a galera. É o repertório do Use o Assento para Flutuar com power trio e rock’n’roll pegado. Vou tocar uma ou outra da Cachorro Grande: Bom Brasileiro provavelmente, Sinceramente, Dia Perfeito. Essas são canções da banda que eu compus e que fizeram mais sucesso com a banda.

E na finaleira a gente nunca sabe o que pode acontecer. A gente pode tocar um Mutantes ali, um Beatles, um The Who. No final sempre acaba virando uma festinha. Mas é isso. São as canções do primeiro disco com o power trio pegado tocando rock’n’roll no último volume, alguma coisa da Cachorro e alguma coisa do novo disco também.

Você tocou em Goiânia com a Cachorro Grande em março do ano passado. O contato da banda com o público daqui já é antigo. Como você se sente quando faz show aqui?

Goiânia é uma cidade que a gente gosta pra caramba. Tem toda uma parada que para nós é legal. A galera costuma pensar em Goiânia como a cidade do sertanejo, das duplas sertanejas, só que o Leo Razuk, o Leo Bigode e o Fabrício Nobre, quando criaram a Monstro, fizeram toda uma agitação em Goiânia que não tem nas outras cidades, que é um público de rock’n’roll fiel.

É um movimento que, além de prestigiar as bandas locais, prestigia tudo que vem do rock’n’roll dos outros estados também. E a gente vai aí desde o início da banda. A gente já tocou em vários festivais, o Bananada, o Goiânia Noise. Sempre que a gente sabe que vai para Goiânia é uma alegria muito grande porque o público de Goiânia é roqueiro pra caramba e a gente sempre procura dar o máximo para superar as expectativas.

A ideia é que o show seja uma grande diversão pelo o que você falou já conhecer do público da cidade?

Claro. Com certeza. O Martim Cererê é um dos melhores lugares que tem para tocar no Brasil, que é muito legal. É sempre astral tocar lá. Eu sempre fico muito feliz.

Qual é a previsão de lançamento do disco?

Sim. O disco está previsto para 26 de maio. Antes de o disco sair eu lanço um single na sexta (7/4) e outro no dia 14 de maio alternando entre músicas do Chumbo e do Pluma.

Quer falar alguma coisa que eu não te perguntei e que é importante dizer sobre a carreira solo e o disco novo que tem essa particularidade de ser vendido como dois álbuns separados ou com um duplo, além do box especial?

Cara, é isso. É um disco complexo que vai ter 20 músicas e eu estou trabalhando já há muito tempo nele. Desde que a Cachorro Grande terminou de divulgar e gravar o último disco (Electromod, lançado em 2016) eu estou imerso já faz uns seis meses e eu acho que a galera vai curtir. Vai ser diferente do que eu já mostrei solo e também do que a Cachorro Grande já mostrou. Eu acho que vão ser boas surpresas, principalmente as baladas.

Serviço
Monstro Rocks #32 – GROSS
Data:
quinta-feira (13/4)
Horário:
a partir das 18 horas
Local:
Centro Cultural Martim Cererê – Rua 94-A, Setor Sul, Goiânia
Artistas: 21h – Melodizzy
22h – Ok Johnny
23h – Mellow Buzzards
0h – Jukebox From Hell
1h – Marcelo Gross
 (RS)
Ingresso:
R$ 20 meia-entrada e R$ 40 inteira na venda antecipada, R$ 30 meia e R$ 60 inteira na porta
Venda online:
Site Meu Bilhete (clique aqui)
V
enda física: Hocus Pocus (Avenida Araguaia com Avenida Paranaíba, Centro), Detroit Steakhouse (Avenida 136, Setor Marista), Loja do Ervilha/Vai Tomar no Kuka Bar (Rua C-30, Jardim América), Woodstock Bar (Avenida D, Setor Oeste), American Music (Avenida T-10, Galeria Paula, Setor Bueno) e Seven Rock Shop (Shopping Buena Vista)

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