Augusto Diniz
Augusto Diniz

Lucas Manga: “Nos últimos dois anos eu trouxe uma visão de números para o Bananada”

Depois de participar da produção do festival, primeiro com o bar e depois no backstage, empresário da noite de Goiânia se tornou sócio do evento

Com “sangue nos olhos”, empresário Lucas Manga quer experiência de produção do Bananada em um serviço a ser vendido para outros eventos | Foto: Nathália Mendes/Retetê

O Festival Bananada chega a sua 19ª edição em maio de 2017, entre os dias 8 e 14, com uma programação que inclui, até o momento, 99 atrações musicais, um mês de festival gastronômico, três dias de tatuagens, campeonato de skate e artes visuais. Entre 2015 e 2016, dividia a produção do evento com o fundador Fabrício Nobre a sócia Daianne Dias.

A partir deste ano, a sociedade tem três pessoas: Fabrício, Daianne e Lucas Manga. Sócio da casa noturna El Club e do bar Retetê, Manga chega ao Bananada como integrante do festival com o que ele chama de “visão empresarial” que agradou os outros organizadores do evento.

A sintonia entre os três sócios foi tanta que deram liberdade ao novo integrante do Bananada a participar ativamente da curadoria das atrações musicais, inclusive com a ideia de se colocar um novo palco destinado à música eletrônica no festival. Segundo Manga, é dele, por exemplo, a ideia de chamar o Mano Brown para fazer parte da programação do evento. Entre outras atrações escolhidas pelo empresário estão BaianaSystem (BA) e a Festa Selvagem.

Na entrevista concedida à coluna 365 Shows, o novo sócio do Bananada fala sobre novos projetos ao lado de Fabrício e Daianne, a programação de 2017 do festival, planos e negociações para os 20 anos do evento no ano que vem e a participação da TV Anhanguera e da Mídia Ninja na mesma edição.

Entrevista | Lucas Manga

Lucas, como foi a evolução desta história que começou em 2015?

Eu já sou cliente do Bananada há muito tempo, né? E em 2015 o Fabrício (Nobre) me chamou para fazer uma experiência de bar de drinques. A gente fez um bar pequeno e a experiência foi muito positiva. E em 2016 a gente fez o bar mais robusto, todo assinado pelo El Club, e eu participei muito mais ativamente da produção não só do bar. E aí já era uma coisa que já estava meio que se confirmando. E eu e o Fabrício somos amigos há seis, sete anos. Foi a hora. O Fabrício me fez o convite e agora eu sou sócio do Bananada.

O que muda com a entrada de um empresário no Bananada? Você vive da noite, tem uma casa para cuidar, tem um bar e talvez, pelo que eu já ouvi, tem um projeto com o Fabrício de outro negócio. Como está essa história?

Eu acho que um dos grandes motivos que o Fabrício quis me chamar foi por causa dessa visão mais empresarial que eu tenho. O Fabrício tem uma visão muito lúdica e muito emotiva sobre o festival. Ele faz o festival há 19 anos. A Daianne (Dias) agrega num esquema de produção que ela tem impecável. E nos dois últimos anos que eu trabalhei, eu trouxe uma visão de números empresariais que eles curtiram muito e foi muito satisfatório.

Eu trouxe para o Bananada, eu acredito, essa visão empresarial e um sangue novo que eles estavam precisando. Eu sou um produtor novo e estou com sangue nos olhos. A gente está levando o festival para fora de Goiânia, para São Paulo. Eu usei muito dos meus contatos que eu tenho no El Club para construir essa nova rede de contatos que é o Bananada e eu acho que é daqui para frente nesse sentido.

E para fechar essa conta, o que vocês têm hoje de dinheiro programado para fazer o festival? O que ainda tem que entrar para poder fechar esse festival com circuito gastronômico mensal, com o Goiânia Crew Attack, Blackbook, The Flash Weekend Tattoo, a programação nas casas durante a semana e mais cinco atrações que ainda vão ser confirmadas? Que conta é essa que tem que fechar?

Cara, essa conta na verdade nunca bate. Fazer um festival underground é uma maluquice e a gente sempre trabalha com isso. Os patrocínios, a bilheteria e o bar nunca acabam pagando a conta inteira. A gente sai puxando de um lado para cá trabalhando com muitos parceiros, trabalhando com pessoas que acreditam no festival. A realidade do Centro-Oeste é essa, cara. Não dá para a gente fazer um festival do nível que a gente tem feito e nos comparar com Lollapalooza por exemplo, que é 100% pago por patrocínio. Então é muito na verdade o tesão de produzir. Porque grana mesmo e retorno financeiro a curto prazo não tem.

O festival como está hoje, de 8 a 14 de maio, qual é o custo dele?

Eu não sei se eu posso falar isso. Será que eu posso?

Aí fica a seu critério.

Eu não sei se eu posso dar essa informação. Eu sou novo na sociedade. Eu posso te dar algumas porcentagens. O festival do ano passado cresceu em bandas e a gente está crescendo o custo dele em pelo menos 20% em relação ao ano passado. Só que a previsão de vendar a gente está projetando de 35% a mais em ingressos e aumento de tíquete médio (gasto médio de cada pessoa por dia no festival). No ano passado a gente conseguiu atingir um tíquete médio de R$ 39 por cliente no bar. Comparado com o do ano retrasado foi R$ 19.

É uma expectativa baixa um tíquete médio de R$ 39 por cliente?

Não. Para a realidade de Goiânia é uma expectativa bem decente para o tipo de experiência. A gente cobra um preço barato, o preço do ingresso é honesto, o preço dos drinques é honesto. Então algo entre R$ 30 e R$ 50 é o condizente com a realidade econômica da cidade. Não dá para a gente ultrapassar isso. Se a gente ultrapassar isso nós vamos entrar em uma categoria de festival que não é a nossa categoria, que vai acessar um público que não é o nosso público e não é o nosso interesse. Não adianta.

O festival mantém a diversidade especificamente na área musical de ter as bandas menores, as bandas do cenário independente, as bandas em ascensão e bandas grandes até para atrair um público maior. O que entrou na programação que foi ideia sua nessa escolha do line-up do festival?

Entrou muita coisa. Eu fiz questão de participar ativamente da curadoria. A escolha de fazer um palco eletrônico ao invés de algumas atrações eletrônicas dispersas foi 100% minha. Essa programação do palco eletrônico eu fiz junto com o Fabrício e com o Laurent (Laurent F.), que é um DJ de São Paulo radicado aqui em Goiânia. Mas muitas das ideias foram minhas por conta dos rolês que eu tenho feito. Trazer a festa Selvagem para cá, que é um dos maiores rolês de ocupação de São Paulo foi ideia minha. A ideia do DJ Patife. Trazer o Come and Hell, que é o (João) Komka e a Mari (Mariana Perrelli), do 5uinto, que são os maiores representantes da música eletrônica em Brasília hoje foi ideia minha.

Mano Brown foi ideia minha. Eu estava ouvindo o disco em casa e falei “Fabrício, a gente precisa muito trazer”. E mais algumas coisas. O BaianaSystem foi algo que eu quis muito que fizesse. Enfim, foi um trabalho bastante em conjunto. O Edimar (Filho) ajudou muito. O Edimar fez toda a programação dos showcases durante a semana. E ele faz esse contato com as bandas menores em ascensão que é impecavelmente bem feito.

E claro, o Fabrício como programador principal é o cara que sabe fazer festival há tanto tempo que ele faz com esses grandes contatos para trazer o Perrosky do Chile, para conseguir emplacar essa onda dos Mutantes, que foi uma vitória para a gente. O Liniker também, a Tulipa Ruiz. Enfim. Foi um trabalho bastante em conjunto. E eu fiquei muito feliz porque tanto o Fabrício quanto a Daianne honraram muito a minha posição como integrante da sociedade e não só um investidor que comprou uma parte do festival. Então eu estou participando ativamente de tudo que envolve o festival, desde produção a curadoria, a montagem de equipe e prestação de serviço.

O que pode vir dessa parceria agora sendo sócio dos dois? Tem algum projeto já sendo planejado?

Cara, um empreendimento fixo não. Mas é importante para a gente e principalmente para mim a gente transformar o Bananada realmente em uma empresa que funciona o ano inteiro, não só em maio. Então a gente tem programado… A gente brinca que o Bananada de 2017 é a primeira ação dos 20 anos de Bananada, que é em 2018. Então a gente tem previsto cinco edições menores do Bananada em cidades diferentes: Brasília, Uberlândia, Pirenópolis, São Paulo e Rio. Até chegar no Bananada 2018.

Eu acho que esse formato de pequeno para médio é o nosso formato eterno. A gente não prevê nenhum crescimento além disso. Eu acho que um dos grandes trunfos do Bananada é estar fora de um centro e produzir uma programação dessa, tão robusta, e a gente não tem necessidade nem existe a possibilidade de vender 100 mil ingressos ou 80 mil ingressos. E aí pegar essas ações pontuais, dias do festival, e fazer festivais menores para 1,5 mil pessoas, 2 mil pessoas. Essa é a nossa primeira ideia.

Existe uma outra ideia, que é uma ideia minha e eu compartilhei com o Fabrício. As pessoas têm procurado muito a gente por conta do serviço entregue desde o bar à produção do Bananada. Então a Aninha (Ana Garcia), do Coquetel Molotov, procurou a gente. A gente provavelmente no segundo semestre deve fazer a produção do bar do Coquetel Molotov.

A nossa vontade é pegar a A Construtora, que é a empresa do Fabrício de agenciamento de bandas, e estender esse agenciamento para DJs e profissionais na área de produção em geral. Então vender brigadas de bar, vender brigadas de produção, pacotes para festas e festivais menores e ocupar essa rede de contato que a gente tem no Brasil inteiro prestando serviço fora.

O tamanho do festival hoje é o ideal para a comemoração dos 20 anos em 2018? Tem alguma ideia de ampliar o tamanho do Bananada feito durante uma semana em Goiânia?

A gente não tem pretensão alguma de ampliar o número de pessoas que a gente vai receber. Para os 20 anos o mais legal é que a gente tenha a licença poética de repetir o que a gente quiser. Então assim, das grandes atrações que já vieram, a gente já tem negociado coisas para o ano que vem. Muitas das coisas já estão conversadas. E a gente quer crescer o artístico. Entregar uma experiência mais foda. Até mesmo porque em Goiânia não cabe. Não tem outro lugar que caiba mais do que 10 mil pessoas ao mesmo tempo que seja viável dentro do nosso conceito. Tem alguns espaços espalhados pela cidade, mas é muito longe ou é muito desumanizado ou não tem uma história cultural. Então esse pacote Centro Cultural Oscar Niemeyer, cultura e música é um pacote que funciona para a gente e acho que é o formato final dessa história em Goiânia.

Vocês têm agora uma emissora oficial do festival, que é a TV Anhanguera. Como será a participação do canal no Bananada? Que tipo de cobertura e transmissão ficou fechada de ela fazer?

Cara, a gente está alinhando todos os detalhes de como vai ser a cobertura da TV Anhanguera agora. Eles são parceiros oficiais e foi incrível a visibilidade que eles deram para a gente no lançamento. Vai ter muita televisão, vai ter muita rádio nas prévias. E no festival vai ter muito ao vivo. Uma cobertura parecida com o que a TV Anhanguera faz no carnaval local e a cobertura exatamente igual à que a TV Anhanguera faz do Villa Mix é a cobertura que a gente tem.

Então a gente está até honrado por conta disso. A TV Anhanguera vai entregar exatamente o mesmo orçamento de verba que eles entregam para o Villa Mix, que é um festival super mainstream, gigantesco, que movimenta o País inteiro. Para a gente vai ser muito importante. Mas lembrando que de forma alguma vamos desmerecer todo esse trabalho que a TV Anhanguera, que é uma TV mainstream, é a Globo local, está fazendo para a gente. Mas a nossa cobertura fotográfica oficial e de vídeo do festival é da Mídia Ninja.

Você já acompanha o festival há mais tempo. Antes de ser parceiro já ia como parte do público. E agora como sócio. Na hora que estiver na correria final desse trabalho que vem desde o ano passado de curadoria e formação de toda a programação, quais são as atrações artísticas que você vai parar seu trabalho um pouco para tentar ver por acreditar que não pode perder?

O ano passado aconteceu muito isso. Eu fiquei na produção geral e fazendo bar, e eu assisti metade do show do Liniker. Foi incrível ter trabalho. Eu amo. Mas eu fiquei pesaroso de não ter assistido nada. Esse ano com esse novo posicionamento meu no festival, os meninos já até brincaram comigo. “Ó, Manga, você não vai trabalhar no festival. Você vai fazer RP, receber seus convidados, receber as bandas e assistir show.”

Então é um formato muito novo para mim. Eu vou ficar meio perdido. Mas eu quero muito muito assistir ao show do Mano Brown porque eu amo o disco, que está bonito. Eu quero ver os Mutantes porque é uma banda atemporal, fora da minha história e eu nunca vi nada ao vivo deles. O Liniker é meu grande amigo, então provavelmente eu vou assistir ao show dele.

Eu sou fã de carteirinha, ninguém sabe disso, eu sou muito fã do Jaloo. É um dos artistas que eu sou mais fã do line-up inteiro. Então com certeza eu vou assistir ao show. Quero dançar pra caralho sexta-feira (12/5) com a Festa Selvagem, que para mim é uma das festas de São Paulo mais divertidas, e ver meus amigos tocando. Tem um pessoal de Brasília, tem o Alex Justino, que é meu amigo, tem a Gabb (Borghetti). Algumas bandas pequenas.

Tem o Tagore, de Pernambuco, que eu estou maluco para ver, que eu acho que é a banda revelação do Bananada. E claro, né, velho. Eu não posso negar a minha herança. Eu quero ver o BaianaSystem muito. Muito, velho. Eu tenho brincado com o pessoal que vai ser o show do ano na cidade vai ser o show do BaianaSystem.

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