Augusto Diniz
Augusto Diniz

Diva à altura da histeria, estrutura longe do necessário

Público foi confortado (dentro do possível) com bela apresentação da musa Pabllo Vittar, que driblou problemas de segurança no palco e falhas no microfone com muita simpatia e presença hipnotizante

Maranhense Pabllo Vittar apresenta repertório recheado de hits e leva ao chão Vaca Amarela | Foto: Fernanda Leonor/365 Shows

Aconteceu o que o público esperava. A diva maranhense Pabllo Vittar levou os mais de 3 mil pagantes da primeira noite cheia da programação do 16º Festival Vaca Amarela à loucura com uma sequência interminável de hits, presença de palco hipnotizante e muita simpatia, que foi necessária para driblar os problemas com o microfone ao tentar cantar a primeira música do show por duas vezes, todas elas mal sucedidas por problemas técnicos.

Quando a carga de ingressos colocada inicialmente à venda, de 3 mil bilhetes, esgotou na quarta-feira (20/9), muita gente ainda não sabia que esta edição do Vaca Amarela seria realizada no Palácio da Música, o teatro do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON), e não com utilização de toda a Esplanada JK do CCON. A reforma do espaço, anunciada pelo gabinete gestor do local, estava prevista para ser iniciada assim que o Festival Bananada acabasse, no final de maio.

Nas datas de realização do Vaca Amarela, a Esplanada JK já estaria interditada por intervenções no piso que colocariam em risco as pessoas ou o público em qualquer evento que pudesse ser autorizado no local. Tanto que a Fósforo Cultural, responsável pelo Vaca Amarela, informou ao Jornal Opção na quinta-feira (21) que não tinha como realizar as duas noites de shows no CCON em toda a estrutura, apenas no teatro, o Palácio da Música.

O problema é que, quando o show da Pabllo Vittar foi contratado, em março, não era possível imaginar que ela atingiria o sucesso que alcançou a partir de junho, e que foi ampliado depois de ter atraído todas as atenções no primeiro final de semana do Rock in Rio. Pabllo é diva e roubou a cena, ofuscou a americana Fergie e chamou mais gente para o espaço do banco Itaú, tenda independente da programação do festival no Rio de Janeiro e que tem programação separada da oficial do evento.

Com o fim dos ingressos disponíveis para venda, não havia mais tempo hábil para mudar o local do Vaca Amarela na sexta nem menos ampliar muito a capacidade de público. O que rendeu muita reclamação de quem, nesta semana, não conseguiu comprar ingresso. Como alternativa, na tarde da data do show da artista maranhense, a Fósforo abriu uma carga extra de passaportes, que valem para a sexta e sábado (23) de shows, pelo valor de R$ 200. E que rapidamente esgotou.

Se você leu até aqui e se perguntou “mas por que ele está perdendo tanto tempo falando do que aconteceu antes da noite do show?”, eu explico o motivo de toda esse detalhamento do pré-evento. Houve falha de divulgação do festival, que divulgou que o show seria no Centro Cultural Oscar Niemeyer, mas não especificou em que parte do CCON a noite de sexta aconteceria.

Chegada e primeiro show

Chell abriu a sexta do Vaca | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Imaginando que não seria fácil chegar ao estacionamento do CCON, tentei ir o mais cedo possível – até para conseguir acompanhar todos os shows. Sem qualquer fila, a demora para aguardar três carros à frente do meu entrarem no estacionamento pago do Oscar Niemeyer, a R$ 15, foi de cerca de cinco minutos.

A apresentação da cantora goiana Chell estava marcada para as 20 horas, mas a entrada do público só foi liberada por volta das 20h30. Pouco depois, às 20h41, Chell e sua banda – Bruno Prudente no baixo, Niela na guitarra e Jorge na bateria – fizeram uma apresentação agradável, que tem como base o EP de estreia (2017).

Foi a primeira tentativa que deu certo de ver o show da Chell e foi uma boa experiência. Ao vivo ela supera a expectativa de ser apenas mais uma artista fofolk. Não que ela fuja tanto do estigma, mas tem voz para segurar uma boa apresentação ao vivo e canções divertidas, como Me Chama pra Dançar, Caroço e Vestido. Ainda com pouco público, a família, namorada e amigos fizeram um baixo e necessário coro nas letras da cantora.

Entre o fim do show da Chell (21h09) e o início da apresentação da também goiana Niela, apenas cinco minutos de intervalo. É que o baterista Jorge, o baixista Bruno e a própria Niela já estava no palco. Restou apenas o tecladista Adriano Zago subir ao palco para tudo começar. E logo na primeira canção, Então, veio o primeiro problema de som da noite. Os PAs (caixas de som do público) falham algumas vezes.

Mesmo com os problemas, o show foi ganhando uma boa identidade com músicas mais animadas e outras tranquilas. Me Deixa Entrar também mostra uma pegada interessante, que contrasta com a voz mais grave de Niela. Com letra que dizia “Ou seja/Eu quero ser sua cereja/Do sorvete de flocos/Ou de cupuaçu”, a cantora se despediu do ainda pequeno público depois de 27 minutos.

Tentativa sem sucesso

Deb and The Mentals (SP) mostrou seu skate punk no Vaca | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

O público começou a tomar corpo, ainda timidamente, a partir do intervalo entre o show da Niela e a próxima atração, a banda paulistana Deb and The Mentals. E veio aí a primeira novidade na programação da noite que não estava prevista em qualquer material de divulgação do Vaca Amarela. Do nada surge uma mesa e dois DJs com luzes nas quais se lia “Roxy DJs”. Até então não estava tão evidente a tentativa de transformar a primeira noite do festival em uma grande balada da Roxy Goiânia. Foi a primeira amostra de que isso de fato aconteceria.

Mas com demonstrações de falta de preparo. O primeiro erro da atração surpresa e que atrapalhou todas as atrações que se apresentaram depois na criação de um clima amistoso entre artistas no palco e público foi a mesa do DJ ainda não estar com o equipamento ligado. Vinte minutos depois, começa a tocar Britney Spears enquanto um DJ muito irritado não se conformava com a demora para transformar a plateia do Palácio da Música em uma pista de dança.

E que se lasque a banda trazida de São Paulo, que viu a cortina do palco ser aberta e se deparou com uma mesa de DJ na frente deles. Foi a primeira demonstração de que o discurso da diversidade que o festival usou para divulgar sua programação talvez pudesse ser questionado quanto a sua coerência. Uma pluralidade que não significava respeito às bandas escaladas na programação.

Niela foi a segunda artista da noite | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

A sorte do Vaca Amarela é que o baixista Stanislaw Tchaick, o Bi, que completava 34 anos naquela noite, estava muito bem humorado e tratou de fazer piada com a cena inusitada: “O DJ faz parte da banda”. Enquanto o som dava demostrações que seria mais um dos problemas da noite, a Deb and The Mentals se divertia com um aniversariante que tirava sarro das falhas no palco. “Isso é uma passagem ao vivo. Esse é o show. Acabou”.

Logo o problema foi resolvido e às 22h03 o grupo formado por Bi, a vocalista Deborah Babilônia, o guitarrista Guilherme Hypolitho e o baterista Giuliano Di Martino começou seu show. Bleeding começa e logo vem mais uma falha no som. O baixista faz mais um piada para entreter o público, que começa a ficar maior, pouco interessado na banda. Era de se esperar, até do festival, que um grupo de skate punk fosse levemente ignorado pelos fãs de Pabllo Vittar.

Foi só acabar a segunda música, Music Says to Me, e um infeliz na platéia gritou “Paramore”. Amigo, se a sua referência de rock com mulher no microfone é essa banda, você precisa voltar com urgência para a Terra. A não ser que a pessoa na plateia em questão tenha menos de 18 anos e tenha referências musicais para lá de questionáveis. “Paramore, bicho? Quantos anos você acha que eu tenho?”, se irritou um pouco Bi.

Deborah, que manteve o bom humor e percorreu o palco freneticamente, puxou a melhor música do disco Mess (2017), Old Boots, na tentativa quase totalmente frustrada de fazer o público entrar no clima do show. E a sequência, se fosse no line up de sábado (23), seria motivo para rodas abrirem no meio da plateia e muita gente se divertir como o Vaca Amarela pede, seja lá o som que vem do palco. I’m OK deu espaço para Alive, não antes do baixista dizer que o interesse dos que viam a apresentação estava “meio esquisito”.

Do EP Feel the Mantra (2015) veio a boa Again. “Eu sou de Brasília e nunca tinha tocado no Vaca Amarela”, agradeceu Deborah pela oportunidade de participar do festival. E das músicas anteriores ao disco surgiu também Take it Away. Do It Now foi quando parou de sair qualquer som da guitarra de Guilherme e Bi segurou a melodia no baixo.

O público vibrou quando Bi defendeu a diversidade e o amor entre as pessoas com uma mensagem de respeito à orientação sexual de cada um. “Os homens usam maquiagem e as mulheres não usam maquiagem.” Quando o baixista falou de sexo, os aplausos aumentaram. “Parece que vocês gostam muito de sexo.” A boa Not Waiting indicou o final da apresentação, seguida de Mess e Feel the Mantra.

Foram 37 minutos de show com algumas falhas técnicas e muito bom humor dos integrantes. Deborah disse que estava ansiosa para ver o show da principal estrela da noite, a diva Pabllo Vittar. Até o guitarrista, que foi comparado a um pokémon pelo baixista, ganhou o coro “vai, Guilherme”. Uma pessoa na plateia lembrou a música de abertura do desenho e gritou “temos que pegar”.

DJ versus outros artistas

Bruna Mendez se apresentou para público apático | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

Depois de todo o ensaio antes do show da banda paulistana, a tentativa de botar DJ para animar o público nos intervalos das apresentações dá certo para quem está na plateia e cai muito mal para quem vai tocar quando a mp3 que animava os presentes é pausada segundos antes dos shows. E foi o que aconteceu com a goiana Bruna Mendez.

Dona de uma voz encantadora e com um repertório que dialoga com a MPB na sua definição mais clássica, a artista viu do palco muita gente sair do teatro e ir fazer qualquer outra coisa que não fosse ver o show, que começou às 23h07. Foi quando as filas dos poucos caixas começaram a gerar reclamações na página do evento no Facebook – e que foram apagadas pela organização do Vaca Amarela na tarde deste sábado – sobre pessoas que passaram mais de uma ou duas horas na tentativa de comprar fichas. Quanto mais gente chegava pior a situação ficava.

Bruna abriu seu show com Agradecer e Branquinha. A maré de turbulência melódica do disco O Mesmo Mar Que Nega a Terra Cede à Sua Calma  não arrastou muita gente na correnteza simpática da apresentação. Mesmo os que ignoraram o tempo de Bruna Mendez respeitaram a participação da artista. Nem todo mundo. Teve quem preferiu atrapalhar o show e gritar “toca Raul”.

Esses Seus Olhos Têm Força de Terra e Todo Choro É Canto foram dois motivos para Bruna ignorar a falta de interesse da plateia. A sorte, pelo menos o pouco que sobrou, foi que Marcelle Vaz, responsável por apresentar a artista no início do show, se saiu bem contra o desinteresse do público com os outros artistas. “Vocês repararam o tanto de mulher maravilhosa que subiu nesse palco?”

Com Brisa, de onde foi retirado o verso que dá nome ao disco de estreia de Bruna, lançado em 2016, a cantora continuou sua apresentação, que ainda teve Pra Ela, Calor, Sol e Sal e Licença. “Eu vou sair, e aí talvez vocês não me vejam mais. Mas eu também quero ver a Pabllo. Não vou quicar, mas também quero ver”, se despediu Bruna.

Se os erros na ordem e quais artistas – todas vocalistas mulheres ou representantes de figuras femininas, como a drag queen Pabllo Vittar – ficava cada vez mais evidente pela importância que o público dava com copos de drinques nas mãos enquanto dançava freneticamente nos intervalos com os DJs no palco, a primeira atração que caiu no gosto dos presentes foi a comemorada Sapabonde (DF).

As MCs, que fazem adaptações com versões LGBT de sucessos do funk carioca, fizeram uma apresentação impecável, com críticas fortes ao governo Michel Temer (PMDB), à liberação da reversão sexual pela Justiça por meio de liminar – a prática conhecida como cura gay – e a imposição da heteronormatividade. Não faltou bala contra a bancada da Bíblia no Congresso, que foi citada nos nomes dos deputados federais Pastor Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Com direito a sarrada, Sapabonde pregou respeito às lésbicas | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

O show, que começou às 23h58, teve direito a ritual da cura hétero, com oração na língua da xana: “Rala a xana, lambe xana”. Uma das versões foi a de Sou Foda, dos Avassaladores, que na voz das MCs da Sapabonde virou Sou Sapa. Vai Não Se Esconde, com seus versos “Mostramos a cara e botamos pra bater” e “Sou Sapabonde e não vou descer do palco“, deixa bem claro que ser lésbica não é um problema, muito menos doença, e que independente da orientação sexual, o respeito é a palavra de ordem.

32 minutos depois, enquanto os DJs animavam um Palácio da Música bastante cheio, o público começa a gritar “sexo, sexo, sexo” na parte instrumental de duas das faixas do setlist dos Roxy DJs. Depois da radical, revolucionário e transgressor grito de intervalo de recreio da escolinha de ensino básico, o produtor da Fósforo Cultural, João Lucas Ribeiro, anuncia, já 0h52 de sábado, a última atração goiana.

Sal grosso na Carne Doce

A banda Carne Doce, liderada pela vocalista Salma Jô, entrou no palco com a árdua tarefa de executar um show encurtado para adequar o atraso da programação ao horário da atração principal, que deveria começar poucos minutos depois. E foi assim que uma versão introspectiva e com Salma mais parada no palco tocou Princesa, Cetapensâno, Artemísia, Falo e Passivo. “Estamos com o tempo reduzido, apenas meia horinha”, diz a vocalista.

Carne Doce entre Sapabonde e Pabllo Vittar foi um tiro no pé da produção do Vaca Amarela, que sacrificou ao vivo artistas que fizeram bons shows para uma plateia que, em sua maioria, só queria ver e, sem qualquer senso, respeito ou educação, tocar a diva da noite. Tanto que foi só a banda goiana sair do palco 1h21 para, 14 minutos depois, aparecer a drag maranhense no palco.

Mas antes, ao aparecer para anunciar o show principal da noite, ao lado de Marcelle Vaz, João Lucas citou que havia uma música que Pabllo estava impedida pela Justiça de cantar, mas que o público sabia. O refrão de Todo Dia, sucesso no carnaval deste ano em parceria com Rico Dalasam, foi cantado aos berros pela plateia. Imediatamente, a equipe da artista apareceu no palco e deu uma dura no homem de frente do Vaca Amarela: “Você sabe que não pode! Não pode cantar essa música. Não podia fazer isso”.

Não vem com essa dizendo/Que não tem tempo pra mim.” Bastaram apenas dois versos de Nêga para o público ficar enlouquecido. Uma histeria que, já na primeira música, quase derrubou a grade em frente ao palco. Só que o microfone de Pabllo falha, o que deixa a artista sem entender. Em uma cena patética, o DJ corre para fechar a cortina e fica pendurado sem nem sair do lugar. Na segunda tentativa de executar Nêga, o microfone não funciona novamente.

Carne Doce teve show reduzido pela programação | Foto: Bruna Aidar/ Jornal Opção

“Goiânia, amo vocês”, continua firme Pabllo depois da falha técnica. Depois dos problemas iniciais, Pabllo segue o show sem enfrentar outras dificuldades com o som no palco. A maranhense desiste de Nêga e pula para No Chão, que leva o público à histeria. Aos poucos, Pabllo deixa transparecer que o incômodo com as falhas inicias começa a tomar ares de acolhimento e sintonia com o público, quando a artista começa a explorar todos os lados do palco e chegar o mais perto possível do público mais próximo da cantora.

Cada vez que Pabllo se abaixa e pega na mão dos fãs, uma tentativa mais forte de chegar mais perto do palco esmaga o público que está na grade. É quando começam a surgir na página do Vaca Amarela 2017 no Facebook os primeiros relatos de furtos e roubos de celular no meio da plateia, o que ao final do show da drag chegaria a uma contagem não oficial ou confirmada de um número que varia em 50 e 60 aparelhos subtraídos por suspeitos quase não identificados pelo público aos seguranças.

Com sample de Diamonds, da americana Rihanna, Pabllo emociona os já encantados fãs com a canção Joia. É nesse momento que uma pessoa entrega uma carta à cantora. A mesma pessoa seria, momentos depois, a primeira a encadear uma sequência de pessoas tentando invadir o palco e abraçar a maranhense que se apresentava no Vaca Amarela. No Facebook do evento, ela comemorou o momento único que viveu com sua artista que serve de inspiração.

Ele é o tal, todas passam mal/Quero esse garoto, faço o que for, real.” Ela É o Tal arranca gritos ensurdecedores e choros de muitos dos mais de 3 mil presentes. Ao cantar Amante, Pabllo desincentiva as pessoas a viverem a situação de serem amantes de alguém. “Ser amante não é legal.” Na sequência vem Então Vai, produzida por Diplo, do Major Lazer.

Na metade do show, os seguranças, que não eram muitos pela quantidade de pessoas no Palácio da Música, tentavam fazer o que podiam para impedir que mais pessoas subissem ao palco para chegar perto da atração principal do Vaca. Pabllo tentava manter a calma, seguir o show e aproveitou para pegar um óculos verde de plástico com luzes de uma das pessoas que estava na grade.

A diva, primeira drag brasileira a atingir a parada de sucessos no País, canta a cappella Man Down, da Rihanna, e leva o público ao delírio. “Num mundo tão cheio de ódio, tocar em um lugar tão lotado é uma demonstração de muito amor.” Em seguida, um coro forte no público puxa “Fora, Temer”. Indestrutível faz os fãs da Pabllo desabarem ao verem a referência no palco mostrando sua voz ao vivo.

Minaj é mais um dos muitos momentos em que Pabllo rebola e muito na cara da plateia e arranca gritos e mais gritos do público. Quando a voz de Anitta surgiu na base e a maranhense começou a letra de Sua Cara, sucesso ao lado da funkeira e do Major Lazer, a euforia que já era grande tomou proporções de descontrole. Sobrou até para um fotógrafo que estava no canto do palco e foi agarrado por uma fã que tentou fazer de tudo para driblar a segurança e chegar até a Pabllo.

Foi aí que começou uma briga entre seguranças e um pequeno grupo de fãs que tentava invadir o palco, com troca de socos, chutes, insultos e acusações. Tudo isso enquanto, lá no meio, Pabllo, provavelmente sem ver a confusão, continuava a atrair para ele toda a atenção do lugar de forma mais do que merecida. E isso ficou evidente com as primeiras batidas de K.O., quando a artista não só nocauteou o Vaca Amarela, como deu mais uma demonstração de simpatia.

Enquanto os seguranças tentavam segurar fãs que faziam de tudo para chegar ao palco, a equipe técnica começou a fazer as vezes de segurança para segurar pessoas já do lado da Pabllo tentando agarrá-la a todo momento. Foi quando duas pessoas subiram ao mesmo tempo no palco. Uma delas foi impedida de encostar na artista por um dos rodies. Mas a segunda se aproveitou da facilidade e agarrou a ídola. Só que meteu o dedo no olho da Pabllo enquanto driblava o funcionário do festival.

Alguns versos de Open Bar, por ironia, poderiam muito bem ser parte da descrição do sofrimento que Pabllo tentava não deixar transparecer no palco aos fãs: “Me enganou, me machucou/Mas passou, não quero saber de você“. Depois de tanto assédio e gente que invadiu o palco enquanto ela dançava, era esperado que a artista estivesse cansada depois de quase uma hora de show.

E mais natural ainda que quem estava mais próximo do palco conseguisse notar algumas poucas expressões e sinais feitos ao DJ e sua equipe para encerrar o show. Corpo Sensual, mais novo single da Pabllo, em parceria com Mateus Carrilho, da Banda Uó, encerrou a primeira noite do festival no Palácio da Música. “Muito obrigada, Goiânia”, agradeceu Pabllo. E deixou o recado para os amigos que têm na cidade mandarem mensagem no WhatsApp.

Atração principal da noite, Pabllo Vittar (MA) leva público do Vaca Amarela à histeria | Foto: Fernanda Leonor/365 Shows

Problemas

De fato a produção do Vaca Amarela não tinha como prever que a artista que se apresentou na Roxy Goiânia, muito menor do que o Palácio da Música do CCON, voltaria em setembro tão estourada e na posição de artista mais ouvida do Brasil no momento. Nem tinha como imaginar a falta de educação de grande parte do público, que não só invadiu o palco como fumou em um local fechado.

Faltou um número suficiente de seguranças, que ficou muito abaixo do necessário para a noite que foi uma grande festa da Roxy Goiânia com uma super atração musical. E não só a ordem dos artistas que se apresentaram na sexta poderia ter sido melhor organizada, como bandas como Deb and The Mentals e Carne Doce seriam melhor aproveitadas no sábado. Havia ainda a opção, que seria mais eficiente, já que o público estava ali para ver a Pabllo Vittar, de colocar apenas os DJs, Sapabonde e a atração principal. Se isso descaracterizaria o festival mais do que aconteceu com a noite de sexta eu não sei responder.

E neste sábado, para quem pretende ir, a dica é chegar cedo e estacionar no estacionamento do CCON, que custa R$ 15 no Vaca Amarela. Ou pegar carona, ir em um táxi ou uber. Evite o transtorno de parar fora da área do festival, ter seu carro furtado na rua sempre perigosa de acesso ao estacionamento do Oscar Niemeyer ou de pagar um vigia que pode muito ser a garantia de que seu veículo vai ser arrombado e o que tiver dentro dele furtado.

Sábado (23/9)
Palácio da Música (Centro Cultural Oscar Niemeyer)
1 hora – MC Carol (RJ)
0 hora – Curumin (SP)
23 horas – Ara Macao
22 horas – Linn da Quebrada (SP)
21 horas – Djonga (MG)
19h45 – Overfuzz
19 horas – Hell Oh! (RJ)
18h15 – Branda
17h30 – Lutre
16h45 – Sótão
16 horas – Sixxen
Ingressos: Clique aqui

Domingo (24/9)
30 anos do césio – República Underground Music (RUM)
Endereço: Alameda Botafogo, número 416, Setor Central
Shows: Punch, HC 137, Frieza, Lobinho & Os 3 porcão e Adax
Horário: 16 horas
Entrada: R$ 15

Migs Especial Roxy Goiânia – Vaca Amarela
Endereço: Rua 87, número 536, Setor Sul
Show: Aretuza Lovi
Dj Lipy B
Horário: 21 horas
Entrada: R$ 20

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