Augusto Diniz
Augusto Diniz

Components testa capacidade de retornar ao estado original em disco de estreia

Com 11 músicas, primeiro álbum da banda goiana será distribuído pela Falante Records por meio de divulgação nas plataformas digitais a partir desta sexta-feira (6/10)

Depois de um ano de trabalho de produção e gravação, a banda Components lança nesta sexta-feira (6/10) o disco de estreia. A Capacidade de Retornar ao Estado Original (2017) é o primeiro lançamento de estúdio do grupo formado por Gabriel Santana (guitarra, sintetizador e backing vocal), Hugo Bittencourt (bateria e backing vocal), Matheus Azevedo (vocal) e Miguel Viana (baixo, sintetizador, piano e backing vocal).

Com apoio de recursos de 2015 do Fundo de Arte e Cultura de Goiás, da Secretaria Estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), o disco foi produzido, gravado, mixado e masterizado por Gustavo Vazquez entre fevereiro de 2016 e fevereiro de 2017 no estúdio Rocklab Produções Fonográficas, em Pirenópolis (GO) e Goiânia. Lançado pela Fósforo Cultural e distribuído em plataformas digitais pela Falante Records a partir desta sexta, o álbum tem o projeto gráfico assinado pela banda, com fotos dos integrantes Gabriel, Hugo e Miguel.

Já a edição das fotografias foi feita por Gabriel, Hugo, Miguel, Paulo Rezende e Méria Cristina. Clara Lodi fez a diagramação do material gráfico do álbum, que teve como modelo fotográfico Voltaire Vieira. A logotipo da Components é assinada por Danilo Itty. A Capacidade de Retornar ao Estado Original traz 11 canções, uma delas instrumental, divididas em pouco mais de 35 minutos e meio.

A Capacidade de Retornar ao Estado Original, faixa título do disco, abre o álbum com 1 minuto e 10 segundos de um bom rock instrumental calmo que mostra um pouco da boa qualidade de melodia do “rock hermético-simbolista”, como a Components define seu som. A tranquilidade da canção inicial dá espaço para 3 minutos de um pop rock mais bem marcado da música Três Quadros. “As telas vão mostrar/O grito que não ecoou/Se veio nem soprou/Se desfez um som no ar.”

Baseada no poema Três Quadros Tortos, de Lucas Bonfá, a canção Três Quadros, já em seu final, mostra que o guitarrista Gabriel faz jus à posição que ocupa. A letra foi composta por Gabriel, Matheus, Miguel e Germano Pomba, que termina com os versos “A janela fecha o mundo exterior/A cortina cega a luz de um mundo impostor/A cortina da janela esconde luz/Exterior, exterior/Mundo exterior“.

Utopia, em seus 4 minutos de música, ganha força na parceria com Beto Cupertino (Violins) nos vocais. Com letra de Gabriel, Matheus e Germano Pomba, a canção já havia sido lançada com um vídeo que mostra a gravação da faixa no Rocklab. Melodia que ganha peso com uma guitarra mais alta nos refrões, e que alterna o protagonismo com um baixo bem aparente na segunda parte da canção.

Há um pequena falha no áudio do disco, quando os segundos finais de Utopia são atropelados pelo início do instrumental de Memórias de Infância. Mas nada que prejudique a qualidade do álbum. Aliás, Memórias de Infância, que tem esse nome nas imagens do vídeo do registro no YouTube, na ficha técnica ganha o nome de Submerso. Mais à frente, o inverso também acontece.

Sem saber se a quarta música do disco se chama Memórias de Infância ou Submerso, é mais uma faixa instrumental, a primeira de transição no meio do álbum, que dura pouco mais de 1 minuto e 10 segundos. Tempo suficiente para crescer até a entrada de Sideral. Os mais de 3 minutos e 50 segundos da faixa causam estranheza para quem já conhecia o segundo single anterior à gravação do A Capacidade de Retornar ao Estado Original.

A boa O Peso do Papel, lançada no início de 2016, ganha uma nova letra composta por Gabriel, Matheus, Miguel e Germano Pomba, que também é co-escrita e co-arranjada por Fabius Augustus, o Smooth (Branda), também conhecido como tio do vocalista da Components. Essa versão com novos versos e temática com o nome Sideral mantém a qualidade da melodia, mas parece forçada.

Poucas palavras mantidas da primeira versão da música na primeira estrofe e um refrão totalmente diferente. O que era “É tempo de deixar/O peso do papel pra trás/É tempo de estrear/A cena que faltou em mim” foi mudado para “Não sei o que é normal/No espaço sideral/Normal/Às vezes é banal/No espaço sideral“. Gostava mais de O Peso do Papel. A primeira impressão é de um grande erro nas alterações feitas na canção.

A sexta faixa do disco é o primeiro single do álbum, que foi lançado em julho deste ano. Seja Meu é uma das melhores músicas da banda. É mais uma letra escrita por Matheus, Gabriel e Miguel em parceria com Germano Pomba. “Por favor seja meu/Eu mal sei quem me tornei/Por favor seja meu/Eu não sei mais ser ninguém.”

Hipercosmo, que tem Patrick Maciel (Bolhazul) dividindo os vocais com Matheus, dá uma ideia interessante da mesma voz em looping no início dos 3 minutos e 20 segundos da canção. Composição de Matheus e Germano, a música tem altos e baixos, com um bom começo e um final que alterna trechos bem encaixados e outros um pouco confusos.

Os quase 3 minutos e 30 segundos seguintes trazem outra faixa baseada em um poema de Lucas Bonfá, Fechado, que também dá nome à canção. Matheus, responsável pela letra, alterna a tranquilidade do vocal nos versos “Em corredor à meia-luz/Lojas fechadas/Sigo em frente/Ao ritmo/Do sussurro/De lâmpadas e fiação” à agitação que segue a descrição de uma mulher espancada pelo marido em “Não sei quantas/Escadas Solange teve de subir/Para encontrar as raízes/Grossas que abriam/O piso e conduziam/Para o puro escuro“.

Depois é a vez da bem arranjada Colisão Lunar, que foi composta por Matheus, Gabriel, Miguel e Germano. “Todos afogaram e depois/A Terra se partiu em dois.” Colisão Lunar dá lugar à boa Submerso – ou seria Memória de Infância, como consta na ficha técnica? -, que infelizmente é apenas uma transição de 1 minuto e 19 segundos que serve de introdução à faixa final do disco.

Jardim dos Gigantes tem novamente a participação dos vocais de Patrick Maciel, além de Biel Lara no sino tibetano. A única letra do disco composta apenas por Germano Pomba revela-se a faixa mais calma e que faz bem as vezes de última canção do álbum. “Pessoas enormes/Cabeças enormes/Pessoas enormes/Passeiam pelo jardim” soam quase como um mantra em parte dos seis minutos que tem a música.

Um bom disco de estreia de uma banda que tem músicos jovens, todos eles entre 22 e 23 anos, e que pode evoluir bastante. A Capacidade de Retornar ao Estado Original, que nesta sexta será disponibilizado nas plataformas digitais de música, traz mais uma interessante aposta da nova música independente de Goiânia.

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