Luciano Perilo e Marcelo Gomes
Luciano Perilo e Marcelo Gomes

Jogo populista de Nicolás Maduro garante reeleição, mas não futuro da Venezuela

No poder desde 2013, o recém-reeleito presidente precisará adotar medidas econômicas concretas para não transformar seu país num Estado falido

Ex-jogador Maradona posa ao lado de Nicolás Maduro | Foto: Twitter

No domingo, 20, Nicolás Maduro foi reeleito presidente da Venezuela. Contudo, apesar dos esforços propagandistas do governo chavista, a quantidade de votantes não alcançou a maioria absoluta da população venezuelana. Contrariado e desacreditado, grande parte do povo não compareceu às urnas, visto que apenas 46% dos cidadãos investiu seu tempo indo a uma zona eleitoral. Muitos ainda duvidam do processo de eleição no país, denunciando a maneira como os trâmites se deram.

O chavismo, o populismo e a contramão da economia

O conceito bolivariano de gestão adotado por Nicolás Maduro deriva do sonho de Simón Bolívar, que inflamou a ideal político de integrar e consolidar a América Latina a partir da ótica revolucionária, autônoma e independente. Prática fortemente sustentada na Venezuela pelo ex-presidente Hugo Chávez, conhecido como “El Comandante”, e seu sucessor, Nicolás Maduro.

Ao adotar o que chama de “socialismo do Século XXI”, Maduro controla o manche do país com guinadas populistas, cuja democracia é questionada no cenário internacional e nos ambientes de integração regional, como o Mercosul. O presidente tenta justificar ações autoritárias, a exemplo da dissolução do Congresso Nacional e a antecipação das eleições, sob o argumento de zelar pela soberania venezuelana. Para tanto, cria inimigos como “os imperialistas”, em referência aos Estados Unidos.

Desta maneira, Maduro imputa os problemas que o país enfrenta à “intervenção das grandes potências tentando acabar com o sonho bolivariano”. Contudo, a Venezuela hoje sofre. A crise não é apenas econômica, mas social e também humanitária, visto que os cidadãos estão morrendo de fome e muitos, a fim de evitar este tipo de tragédia, fogem e se refugiam em países vizinhos, como o Brasil.

Apesar dos esforços do presidente reeleito em estreitar as relações já firmadas com mercados como Rússia, China, Cuba, Índia e Nicarágua, os efeitos destas relações não provocam mudanças vigorosas na economia local, posto que sofrem com hiperinflação desde 2013, com um índice atual de mais 14.000%, a Venezuela caminha para o agravamento de sua condição e, possivelmente, ao caos.

Realidade

Este cenário escancara a realidade que Maduro e o governo chavista procuram amenizar: a Venezuela, país antes próspero e promissor, se encontra perto da falência. Devido à condição econômica daquela nação, o salário mínimo na moeda local equivale a apenas US$ 3. O papel moeda está tão desvalorizado que tem sido usado como matéria-prima para artesanato, na criação de bolsas e outros artigos manufaturados.

Com a economia fundamentada crucialmente nas movimentações do petróleo, o país navega entre as incertezas provocadas pelas variações desta “commodity” no mercado financeiro internacional, o qual costuma ser ditado por forças contrárias ao sedutor discurso socialista dos regimes revolucionários. A Venezuela, portanto, pode ter um futuro mais amargo do que o presente.

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