Marquinhos Marques
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Cortesia com o chapéu alheio na Câmara Legislativa do DF

Miguel Lucena

Na última semana, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), achando pouco a quantidade de bolsas que são distribuídas a troco de nada e as verbas de gabinete usadas sem rumo, resolveu incluir no Código Penitenciário do Distrito Federal, subsídio para que os presidiários possam frequentar teatro e cinema. Nada nos espanta mais neste país com valores invertidos. O errado se transformou no 5  mil anos, é visto como esquisito e careta.

Normal é ser incivilizado, relativizar a má conduta, desrespeitar o direito alheio e quebrar os tabus, até mesmo aquele que é o primeiro de todos: o incesto. Os deputados nem perguntaram se os assaltantes e estupradores gostam de filme, porque, quando são liberados, eles correm direto para a “Toca das Gatas” e ocupam o tempo do saidão roubando ou se vingando de seus desafetos.

Mais uma vez, faz-se cortesia com o chapéu alheio, para agradar a ideologia que responsabiliza a sociedade pela conduta criminosa do malfeitor. E ainda pedem para que a sociedade faça sacrifícios com vistas a debelar a crise que corrói nossas finanças. Pelo visto, levando-se em conta as gratuidades criadas sucessivamente, crise virou mantra para enganar o povo.

Miguel Lucena é delegado da PCDF e jornalista

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