Marcos Aurélio Silva
Marcos Aurélio Silva

Rogério Cruz assume protagonismo na Prefeitura de Goiânia

O rompimento do MDB poderia ter sido contornado, mas nada impediria a nomeação de uma nova equipe de secretários

O MDB de Daniel Vilela esperava que a gestão da Prefeitura de Goiânia transcorresse da mesma forma que foi na campanha: com a ausência de Maguito Vilela não coube ao vice assumir os compromissos, e sim ao presidente do partido e ao coordenador da campanha (Agenor Mariano). Como Rogério Cruz (Republicano) buscou o protagonismo após assumir de vez o comando do Paço, os emedebistas se dizem surpreendidos e traídos, mas o que o prefeito tem demonstrado é desejo de tomar as rédeas da administração municipal.

Desde que Maguito Vilela se ausentou da campanha em 18 de outubro de 2020, ao ser acometido pela Covid-19, Daniel Vilela e Agenor Mariano passaram a dividir os holofotes dos eventos de campanha, sobrando pouco espaço para o candidato a vice-prefeito. Ainda no primeiro turno das eleições a situação parecia óbvia, afinal, todos tinham plena confiança na recuperação de Maguito, e Daniel contava com a popularidade de ser filho do candidato, além de ter sido o candidato do partido nas eleições ao governo do Estado em 2018 – quando ficou em segundo lugar.

Quando Maguito foi para o segundo turno, mesmo com pouca participação na campanha, a presença do vice em debates passou a ser cobrada pelo candidato adversário, Vanderlan Cardoso (PSD). Ao mesmo tempo em que o estado de saúde do emedebista pouco evoluiu, seu favoritismo crescia, mas parecia haver interesse de que Rogério Cruz não se tornasse protagonista na campanha. Quando a vitória parecia próxima, Daniel Vilela disse que a militância havia suprido a ausência do pai durante o processo eleitoral.

Até na montagem do secretariado, Daniel Vilela foi o líder. Notou-se que pouco espaço foi dado para Rogério Cruz e ao Republicanos. Mas uma coisa é campanha eleitoral, outra é ser o chefe do Executivo. Era óbvio que, se tornando prefeito de vez, Rogério Cruz iria sofrer pressões para negociar apoios e cargos, além de precisar atender ao seu partido. Assim ele tem feito, e não cabe acusação de ter rompido com o projeto que foi escolhido pelos eleitores goianienses para os próximos quatro anos, afinal, ele foi incluído neste plano ainda na pré-campanha. Até aqui ele não mudou os rumos (pode até ser que mude em algum momento), ele apenas trocou os auxiliares, como qualquer outro político teria feito em seu lugar – propostas como o IPTU Social e o Renda Família estão em execução.  

“Hoje Goiânia está num voo às cegas, nós não sabemos para onde vai, quais são os interesses e, principalmente, quem está a frente”, disse Daniel Vilela em coletiva nesta segunda-feira, 5. Ao desembarcar da administração municipal, acusando Rogério Cruz de traidor e sugerindo que ele não é capaz para função de prefeito, o grupo de emedebistas liderados por Daniel Vilela, não se atentaram que essa situação foi resultado de uma negociação feita pelo próprio Maguito Vilela com as lideranças do Republicanos para composição da chapa que disputou a prefeitura –  cabe relembrar que o partido de Rogério Cruz chegou a se aliar ao pré-candidato Wilder Morais (PSC), mas foi atraído para caminhar com o MDB (Wilder acabou ocupando a vaga de vice de Vanderlan Cardoso)

O fato é que o MDB de Daniel Vilela vive hoje algo que já era esperado. O rompimento poderia até ser contornado, mas as nomeações de uma nova equipe para o primeiro e segundo escalão não seria impedida pelas forças emedebistas. Rogério Cruz, até aceitou ser coadjuvante durante a campanha, mas sendo prefeito, ele tem por obrigação assumir o protagonismo na Prefeitura de Goiânia.

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