Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Os players nacionais de Goiás na política brasileira a partir de 2019

Alexandre Baldy, Daniel Vilela, Delegado Waldir, Henrique Meirelles, João Campos, Jorge Kajuru, Ronaldo Caiado, Vanderlan Cardoso e Wilder Morais são nomes que ultrapassam as fronteiras goianas

Fotos: Divulgação

As eleições de 2019 foram, sem sombra de dúvidas, recheadas de surpresas. Muitos nomes de Goiás que tinham capilaridade política nacional deixaram de tê-la ao passo que outros ganharam força. Há, ainda, quem já era considerado player nacional e continuou sendo.

Dos nove principais políticos goianos que ultrapassam as fronteiras do Estado, dois ocuparão uma cadeira de deputado federal e outros dois de senador a partir do ano que vem. Um será governador e quatro estarão sem mandato, mas, mesmo assim, terão influência.

DEM, MDB e PP são os partidos com o maior número de players nacionais de Goiás, com dois nomes cada. PSL, PRB e PRP aparecem com um. Veja abaixo, em ordem alfabética, quem são os políticos.

Alexandre Baldy (PP)

Presidente do PP em Goiás, Alexandre Baldy conseguiu eleger dois deputados federais — Adriano do Baldy e Professor Alcides —, além de um senador — Vanderlan Cardoso. Trata-se de um nome forte para disputar o governo daqui a quatro anos.

Alexandre Baldy é, atualmente, o titular do Ministério das Cidades. A sua permanência no alto escalão do governo federal parece improvável, mas o ministro já teria recebido convites para assumir secretarias em São Paulo e no Distrito Federal.

Daniel Vilela (MDB)

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, Daniel Vilela é benquisto pela cúpula nacional de seu partido, apesar de atritos com parte do MDB goiano.

O emedebista não venceu a eleição para governador, mas surpreendeu na reta final ao ficar em segundo lugar. Daniel Vilela é cotado para disputar a Prefeitura de Goiânia, em 2020, ou o governo mais uma vez, em 2022. Chega com força em qualquer uma das duas hipóteses.

Delegado Waldir (PSL)

Com mais de 274 mil votos, Delegado Waldir, que nasceu no Paraná, foi o deputado federal mais votado de Goiás pela segunda vez consecutiva. Além disso, é o homem forte do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), no Estado — os dois são amigos e têm uma ótima relação.

Delegado Waldir, que já conquistou um eleitorado fiel, concorreu a prefeito de Goiânia dois anos atrás e certamente terá mais chances em 2020, se quiser ser candidato. Caso não o seja, será um importante cabo eleitoral daquele que decidir apoiar.

Henrique Meirelles (MDB)

Henrique Meirelles é considerado muito mais um player nacional que é goiano do que um goiano que é player nacional. Ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda, o emedebista concorreu à Presidência em 2018 e se tornou mais conhecido Brasil afora.

O governador eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), admite pensar em Henrique Meirelles como secretário de Estado, mas o goiano de Anápolis pode acabar sendo representante do Lloyds Bank no Brasil. Ele também já foi ventilado como eventual embaixador do Brasil nos Estados Unidos e candidato a prefeito de São Paulo em 2020 pelo Partido Novo.

João Campos (PRB)

Deputado federal desde 2003, João Campos, que nasceu no Tocantins, foi eleito este ano para o quinto mandato com mais de 106 mil votos. Delegado e pastor, é representante tanto do segmento religioso quanto da área de segurança pública.

João Campos já foi mencionado como possível candidato a presidente da Câmara dos Deputados por Jair Bolsonaro e aliados do presidente eleito. São grandes as chances de o parlamentar goiano contar com o apoio do PSL, dono da segunda maior bancada.

Jorge Kajuru (PRP)

O próprio Jorge Kajuru, que nasceu no interior de São Paulo, se considera antipolítico. De fato, o vereador de Goiânia e senador eleito é mais conhecido por sua carreira de jornalista do que como político. Com um perfil combativo, ele promete “tremer” o Senado.

Em Brasília, Jorge Kajuru diz que dedicará atenção especial a áreas como cultura, educação e esporte — será um dos principais críticos da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ao lado de Romário (Pode-RJ) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). Seu partido, o PRP, não atingiu a cláusula de barreira e, portanto, o senador eleito pode se filiar ao PSB.

Ronaldo Caiado (DEM)

Antes mesmo de ser eleito governador de Goiás, Ronaldo Caiado já gozava de prestígio em Brasília. Como deputado federal e, posteriormente, senador, o democrata ficou conhecido como um dos maiores críticos dos governos do PT.

Ronaldo Caiado é respeitado como médico, produtor rural e político — inclusive por Jair Bolsonaro, de quem tem se aproximado nas últimas semanas. A propósito, o governador eleito foi um dos principais articuladores para a escolha do deputado federal Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS) para comandar o Ministério da Saúde no próximo governo.

Vanderlan Cardoso (PP)

Senador mais votado em Goiás com mais de 1,7 milhão de votos — quase superou a votação de Ronaldo Caiado para governador —, Vanderlan Cardoso tem empresas por todo o País e, em Brasília, quer ajudar a aprovar as reformas.

O empresário diz que não pretende concorrer à Prefeitura de Goiânia por querer se dedicar aos trabalhos no Senado. De qualquer forma, seria um nome de peso na disputa pelo comando da capital.

Wilder Morais (DEM)

O senador Wilder Morais não conseguiu ser reeleito, mas empolgou seu eleitorado com uma arrancada na reta final, terminando à frente da senadora Lúcia Vânia (PSB) e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB).

Wilder Morais foi um dos principais apoiadores de Jair Bolsonaro em Goiás, ao lado de Delegado Waldir e Ronaldo Caiado. O democrata tem prestígio tanto com o presidente eleito quanto com o próximo governador de Goiás e dificilmente ficará sem cargo a partir do ano que vem.

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