Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Independência da Escócia volta à tona com Brexit cada vez mais perto

Agora é oficial: Reino Unido deixará a União Europeia em dentro de dois anos. Até lá, escoceses devem voltar às urnas para decidir independência e, assim, evitar sua saída do bloco

Reprodução

A primeira-ministra britânica, Theresa May, assinou nesta terça-feira (28/3), uma carta endereçada ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, na qual o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que versa sobre a saída de um membro da União Europeia, é invocado. Não tem mais volta: em dentro de dois anos, o Reino Unido estará oficialmente fora do bloco.

O ato é consequência do resultado do plebiscito de junho do ano passado. Na ocasião, 52% dos votantes optaram pelo Brexit. Apesar da votação apertada, o país, que é formado por Inglaterra, País de Gales, Irlanda do Norte e Escócia, acabou se mostrando desunido, ao contrário do que o próprio nome diz.

Na Inglaterra e no País de Gales, 53,4% e 52,5% votaram pela saída, respectivamente. Por outro lado, 55,8% votaram contra na Irlanda do Norte. Na Escócia, 60%. E é justamente neste último que os desdobramentos podem ser ainda maiores.

No mesmo dia em que May assinou a carta, o parlamento escocês votou a favor de um novo referendo acerca da independência do país, que deve acontecer entre o final de 2018 e o início de 2019 – mesma época do limite para que o processo de saída do Reino Unido da União Europeia seja concluído. A Escócia demonstrou claramente que deseja permanecer e a independência parece ser o único caminho viável para atingir esse objetivo.

O governo britânico é contra o referendo. Do ponto de vista econômico, a Escócia é extremamente importante devido, principalmente, à forte extração de petróleo no Mar do Norte. Em outras palavras, o Reino Unido quer sair da União Europeia, mas não quer que a Escócia saia de si.

Enquanto isso, líderes dos 27 países-membros da organização, já excluindo o Reino Unido, se juntaram em Roma no último domingo com o intuito de pedir unidade no continente, sem mencionar diretamente o Brexit, que, para eles, obviamente serviu de alerta. Afinal de contas, o euroceticismo ainda ronda a Europa e outros países podem vir a deixar a União Europeia no futuro.

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