Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

A Coreia do Norte pode ser a guerra de Trump?

Ex-presidentes dos Estados Unidos carregam o fardo de terem ido a guerras. Com Trump, não deve ser diferente

Presidente Donald Trump | Foto: Reprodução / Facebook

A independência dos Estados Unidos foi declarada em 1776. 241 anos se passaram e, desde então, os EUA estiveram em guerra durante 220 – aproximadamente 91% do tempo. Alguns ex-presidentes carregam o fardo de terem tido “a sua própria guerra”. Barack Obama na Síria, George W. Bush no Iraque e Bill Clinton na Iuguslávia, para citar os mais recentes e o principal conflito no qual estiveram envolvidos.

Durante a campanha presidencial, Donald Trump deu a entender que se dedicaria a questões internas e adotaria uma postura mais isolacionista em relação à política externa, chegando a dizer em um dos debates que “os Estados Unidos não deveriam ser a polícia do mundo”.
No início do mandato, o discurso foi o mesmo, mas o recente ataque dos Estados Unidos a uma base militar do governo sírio deu indícios de que poderia mudar. Ao enviar à Península Coreana o porta-aviões nuclear USS Carl Vinson, juntamente com dois destróiers e um cruzador de mísseis guiados, Trump parece ter, de fato, se rendido ao sistema.

A finalidade dos EUA é pôr fim ao programa nuclear da Coreia do Norte. Sanções econômicas ainda não ajudaram a atingir esse objetivo e, portanto, a via militar é obviamente cogitada. Até o momento, trata-se apenas de uma ameaça. Mas a imprevisibilidade já é marca do governo Trump e uma intervenção não pode ser descartada.

Um conflito na região representaria uma catástrofe, principalmente para aliados estadunidenses, como a Coreia do Sul e o Japão, que seriam os principais alvos norte-coreanos em uma eventual resposta. E Trump sabe disso. O republicano se reuniu com o presidente da China, Xi Jinping, há poucos dias e disse, em entrevista ao Wall Street Journal, que, depois de 10 minutos de conversa, percebeu a complexidade do contexto envolvendo a Coreia do Norte.

Ao que parece, Trump terá, inevitavelmente, a sua guerra. Além da Coreia do Norte, o Irã é outra possibilidade. O país persa também possui uma situação turbulenta com os EUA acerca do seu programa nuclear e já recebeu inúmeras críticas do presidente. Se será um desses ou algum outro, nem o próprio Trump deve saber.

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