Hélio Rocha
Hélio Rocha

Um poema de Yêda Schmaltz

A obra de Yêda Schmaltz merece tanto reedição quanto mais repercussão nacional. Não fica a dever a nenhum dos grandes poetas brasileiros

A goiana Yêda Schmaltz (1941-2003), uma das poetas que abrilhantaram o Grupo de Escritores Novos (GEN), merece ter sua obra reeditada, tal a sua qualidade. Merece mais repercussão nacional.

Yêda Schmaltz também era crítica e entendia como poucos de artes plásticas.

Yêda Schmaltz: poeta | Foto: Reprodução

Chuva de poesia

Yêda Schmaltz   

Está caindo uma chuva de poesia na minha horta.

A poesia está batendo na porta, Carlos,

e pulando pela janela;

a poesia está me afogando em poesia.

Tem uma chusma de poesia no banheiro

e uma alca/teia na esquina.

A poesia parece o Nascimento de Vênus:

saiu nadando da piscina.

A poesia não deixa por pouco; a poesia

não deixa por menos: nobiscum mutambas est,

ou melhor dizendo, com “ela”, é no pau da mandioca,

no pau da goiabeira.

Meu deus, ela não pode fazer

isto comigo! Caí em decúbito dor-

sal.

A poesia parece nuvem de gafanhoto,

horda de guerreiros.

Está caindo uma horta de poesia na minha chuva;

ela é Pessoa restrita mas não se endireita:

quando cai, é sempre oblíqua e me leva con-

sigo.

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