Hélio Rocha
Hélio Rocha

Poesia de Cora Coralina deveria ser adotada na sala de aula  

Seu trabalho poético constitui verdadeiro canto ambiental e um retrato de seu tempo

Em Goiás era preciso que fizéssemos um pouco mais pela poeta Cora Coralina (1889-1985), principalmente no currículo escolar, com a inclusão da poesia dela, a ser declamada nas salas de aula. Essa poesia que constitui verdadeiro canto ambiental.

Cora Coralina:uma das mais importantes poetas brasileiras, admirada por Carlos Drummond de Andrade| Foto: Divulgação

Existe um imortal vínculo entre a poesia e natureza, o qual passa por autores como Homero, Teócrito, Virgílio, poetas do renascimento, poetas do barroco e do romantismo, passagens recheadas de poesia da Bíblia, como a descrição do Éden e o Cântico dos Cânticos, do rei Salomão. Saudar Cora Coralina é como estar saudando todos estes poetas: Virgílio, o pai da literatura ocidental, que colocou nas suas “Bucólicas” o cheiro da terra; Giovanni Pascoli, aquele que escreveu este verso: “Há algo de novo sob o sol: nasceram as violetas”.

Pois Cora Coralina cantou com ênfase a ligação entre a terra, a vida e o amor: “Eu sou a terra, eu sou a vida./ Do meu barro primeiro veio o homem./ De mim veio a mulher e veio o amor./ Veio a árvore, veio a fonte./ Vem o fruto e vem a flor./ Eu sou a fonte original de toda vida. Sou o chão que se prende à tua casa./ Sou a telha da coberta de teu lar./ A mina constante de teu poço./ Sou a espiga generosa de teu gado/ e certeza tranquila ao teu esforço./ Sou a razão de tua vida./ De mim vieste pela mão do Criador,/ e a mim tu voltarás no fim da lida./ Só em mim acharás descanso e paz”.

Saber Viver

Não sei…

se a vida é curta

ou longa demais para nós.

Mas sei que nada do que vivemos

tem sentido,

se não tocarmos o coração das pessoas.

 

Muitas vezes basta ser:

colo que acolhe,

braço que envolve,

palavra que conforta,

silêncio que respeita,

alegria que contagia,

lágrima que corre,

olhar que sacia,

amor que promove.

 

E isso não é coisa de outro mundo:

é o que dá sentido à vida.

 

É o que faz com que ela

não seja nem curta,

nem longa demais,

mas que seja intensa,

verdadeira e pura…

enquanto durar.

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