Hélio Rocha
Hélio Rocha

Os ramos da paz e a poesia de Cora Coralina, Sophia Breyner e Castro Alves

“Graças, meu Deus, por essa bandeira branca de Paz que traz a certeza do Pão. Graças pelas mil vezes que os Livros Santos escrevem e confirmam a palavra generosa e suave: pão”

Está chegando o Domingo de Ramos. Quando a velha matriz emite o dobre dos sinos, um aroma de galhos de palmeiras aguarda a bênção do vigário, a prece dos fiéis amplia a dimensão desse apelo de paz. Pois é Domingo de Ramos e os ramos constituem motivador arranjo de apelo a esse bem maior.

Cora Coralina

O bem da paz, que a poeta goiana Cora Coralina canta nestes versos:

“Graças, meu Deus, por essa bandeira branca de Paz que traz a certeza do Pão. Graças pelas mil vezes que os Livros Santos escrevem e confirmam a palavra generosa e suave: pão.”

Bem-aventurados os que servem à paz, pois eles são os benfeitores que montam as bases das comunidades mais fraternas. Eles constroem as asas que a liberdade abre sobre os seres humanos, eles formam as vanguardas contra as tiranias e impedem que os tiranos construam as muralhas do mal.

Sophia Breyner de Melo

A verdadeira paz não exige vencedores e vencidos. Como é lógico o apelo de paz contido em um poema da maior poeta de Portugal, Sophia Breyner de Melo:

“Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos. A paz sem vencedor e sem vencidos. Que o tempo que nos deste seja um novo. Recomeço de esperança e de justiça. Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos. A paz sem vencedor e sem vencidos.”

Castro Alves

Pois não há como concordar com vencedores e vencidos nessa desumanidade de uma pirâmide social tão perversa, com ricos e corruptos nos andares mais elevados e um profundo abismo soterrando os miseráveis. Nesta terrível circunstância falta o pão e, assim, falta a paz. Como proclamava Castro Alves: “Senhor Deus dos Desgraçados, dizei-me vós, Senhor Deus, se é mentira ou se é verdade, tanto horror perante os céus?!”

Não faltará pão, assim como não faltarão hospitais e escolas no cenário de completo pontificado de liberdade, democracia e justiça, onde as bandeiras da paz tremulam soberanas e imperturbáveis.

Domingo de Ramos. Os sinos dobram na matriz como um anúncio vibrante da paz que ninguém irá perturbar, oremos para que ela predomine para sempre.

 

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