Hélio Rocha
Hélio Rocha

O grande poeta Fagundes Varella, que viveu apenas 33 anos

Bardo refinado, Luiz Nicolau Fagundes Varella morou em Paris, durante sete anos, e morreu no Brasil

Meu pai, Benedito Odilon Rocha, era poeta, e foi ele quem me recomendou ler a poesia do poeta brasileiro do século 19 (Luiz Nicolau) Fagundes Varella, de quem me tornei admirador. Esse escritor morreu novo, pois, nascido em 1841, morreria em 1875, aos 33 anos (dos 20 aos 27 anos morou em Paris). Mas deixou madura e excelente obra.

Fagundes Varella: poeta brasileiro | Foto: Reprodução

Para se ter uma ideia, leia-se o “A Flor do Marajujá”:

Pelas rosas, pelos lírios,

Pelas abelhas, sinhá,

Pelas notas mais chorosas

Do canto do sabiá,

Pelo cálice de angústias

Da flor do maracujá!

 

Pelo jasmim, pelo goivo,

Pelo agreste manacá,

Pelas gotas do sereno

Nas folhas de gravatá,

Pela coroa de espinhos

Da flor do maracujá!

 

Pelas tranças da mãe-d’água

Que junto da fonte está,

Pelos colibris que brincam

Nas alvas plumas do ubá,

Pelos cravos desenhados

Na flor do maracujá!

 

Pelas azuis borboletas

Que descem do Panamá,

Pelos tesouros ocultos

Nas minas do Sincorá,

Pelas chagas roxeadas

Da flor do maracujá!

 

Pelo mar, pelo deserto,

Pelas montanhas, sinhá!

Pelas florestas imensas

Que falam de Jeová!

Pela lança ensanguentada

Da flor do maracujá!

 

Por tudo o que o céu revela!

Por tudo o que a terra dá

Eu te juro que minh’alma

De tua alma escrava está!…

Guarda contigo esse emblema

Da flor do maracujá!

 

Não se enojem teus ouvidos

De tantas rimas em — a —

Mas ouve meus juramentos,

Meus cantos ouve, sinhá!

Te peço pelos mistérios

Da flor do maracujá!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.