Hélio Rocha
Hélio Rocha

O encanto das letras musicais

“Chão de Estrelas”, de Orestes Barbosa, é um ótimo exemplo de boa letra da música brasileira

Orestes Barbosa, compositor de “Chão de Estrelas” | Foto: Reprodução

Um saudoso amigo, médico Dilson Antunes de Oliveira, dizia que inveja é como colesterol, pois tem também inveja boa. Tenho inveja de quem consegue fazer boas letras de música, como é o caso do amigo e confrade da Academia Goiana de Letras, Nars Chaul. Meu pai, o poeta Benedito Odilon Rocha, também tinha esse tipo de talento.

Para citar um exemplo de grande letrista, pelo conjunto da obra, temos de falar de Vinicius de Moraes. Para citar alguém de toda a história da música brasileira, fiquemos com Orestes Barbosa. Vejamos esse trecho da música Chão de Estrelas:

Minha vida era um palco iluminado
E eu vivia vestido de dourado
Palhaço das perdidas ilusões
Cheio dos guizos falsos da alegria
Andei cantando a minha fantasia
Entre as palmas febris dos corações
Meu barracão lá no morro do salgueiro
Tinha um cantar alegre de um viveiro
Foste a sonoridade que acabou
E hoje quando do Sol a claridade
Cobre meu barracão sinto
Saudade da mulher pomba-rola que voou
Nossas roupas comuns dependuradas
Nas cordas qual bandeiras agitadas
Pareciam um estranho festival
Festa dos nossos trapos coloridos
A mostrar que nos morros mal vestidos
É sempre feriado nacional
A porta do barraco era sem trinco
E a Lua furando nosso zinco
Salpicava de estrelas nosso chão
E tu, tu pisavas nos astros distraída
Sem saber que a ventura dessa vida
É a cabrocha, o luar e o violão.

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