Hélio Rocha
Hélio Rocha

A poeta argentina Alfonsina Storni e o mar

Pioneira do feminismo na Argentina, a poeta era amiga de Horacio Quiroga e Leopoldo Lugones e morreu aos 46 anos

Alfonsina Storni: poeta argentina | Foto: Reprodução

Existe uma bela canção gravada pela grande cantora argentina Mercedes Sosa (1935-2009) — “Alfonsina y el Mar”, na qual presta homenagem a uma grande poeta do século passado, Alfonsina Storni.

Alfonsina Storni (1892-1938) nasceu na Suíça (na verdade, nasceu no mar, a bordo de um navio em que viajavam seus pais), mas seus pais se mudaram para a Argentina quando era muito pequena. Alfonsina morreu nova, com 46 anos, suicidando-se indo de encontro as ondas, em Mar del Prata. Estava muito abalada pela perda de um amigo, que morrera de câncer (o suicídio de Leopoldo Lugones também a afetara, fala-se até em pacto de suicídio entre os dois), e pelo fato de ela também ter contraído um câncer de mama.

Alfonsina Storni e o escritor Horacio Quiroga | Foto: Reproduçãoi

Ela deixou um poema escrito em Mar del Prata, antes de se encaminhar para a morte — “Vou Dormir”.

Voy a dormir

Alfonsina Storni

Dientes de flores, cofia de rocío,

manos de hierbas, tú, nodriza fina,

tenme prestas las sábanas terrosas

y el edredón de musgos escardados.

 

Voy a dormir, nodriza mía, acuéstame.

Ponme una lámpara a la cabecera;

una constelación, la que te guste;

todas son buenas, bájala un poquito.

 

Déjame sola: oyes romper los brotes…

te acuna un pie celeste desde arriba

y un pájaro te traza unos compases

 

para que olvides… Gracias… Ah, un encargo:

si él llama nuevamente por teléfono

le dices que no insista, que he salido.

Alfonsina Storni

Tradução do poema

Dentes de flores, cofia de sereno,

Mãos de ervas, tu ama-de-leite fina,

Deixa-me prontos os lençóis terrosos

E o edredom de musgos escardeados.

 

Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.

Põe-me uma lâmpada a cabeceira;

Uma constelação; a que te agrade;

Todas são boas: a abaixa um pouquinho

 

Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos…

Te embala um pé celeste desde acima

E um pássaro te traça uns compassos

 

Para que esqueças… obrigado. Ah, um encargo:

Se ele chama novamente por telefone

Diz-lhe que não insista, que sai…

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