Hélio Rocha
Hélio Rocha

A história de Fidel Castro como paraninfo de uma turma da Faculdade de Direito da UFG

Em 1960, no início da Revolução, Fidel Castro havia sido tornado uma estrela da política internacional. Ele e Che Guevara eram astros

Fidel Castro Ruz e o italiano Giangiacomo Feltrinelli | Foto: Reprodução

Goiânia, hoje com 1,5 milhão de habitantes (cerca de 2 milhões e 500 mil na área metropolitana), estava com apenas 160 mil no final de 1960. Entre final de novembro e começo de dezembro de 1960 criou-se uma intensa expectativa, que se desdobrava também numa apreciável repercussão nacional: o chefão de Cuba, Fidel Castro, viria a Goiânia?

Então um jovem de 34 anos, Fidel Alejandro Castro Ruz, que morreu com 90 anos em novembro de 2016, havia subido ao poder em Cuba menos de dois anos antes, na virada de 1958 para 1959. Os revolucionários cubanos, dentre eles o lendário argentino Ernesto Che Guevara, haviam granjeado notável simpatia internacional e eram analisados como plantadores de sementes democráticas em Cuba.

Fidel Castro havia sido convidado para ser o paraninfo de parte da turma de 1960 da Faculdade de Direito que se tornaria, naquele mesmo dezembro, unidade da Universidade Federal de Goiás.

Roland Cubela, o enviado de Fidel Castro; depois, agente da CIA

Roland Cubela

O convite foi levado a Havana por integrante da turma, Mário Lúcio.

A expectativa da confirmação da vinda durou diversos dias, até que o Repórter Esso, noticiário radiofônico apresentado pelo jornalista Eron Domingues, na Rádio Nacional, emissora de maior audiência no País, na época, anunciou que Fidel Castro iria ser representado pelo comandante Roland Cubela (por sinal, é citado no livro “Che Guevara — Uma biografia”, do jornalista Jon Lee Anderson). Um jovem que não usava barba, como a maior parte dos companheiros de Fidel em Sierra Maestra, tinha a pele clara dos europeus e usaria na cerimônia uma farda de gala branca.

A cerimônia da colação de grau se realizou no Teatro Goiânia. No discurso, sim, Roland Cubela (aparece também como Cubellas) foi revolucionário, usando vocábulos do castelhano como rajadas de metralhadora contra o capitalismo.

Mais tarde, Roland Cubela voltou-se contra Fidel Castro, aliando-se à CIA. Ele tem 88 anos.

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