Hélio Rocha
Hélio Rocha

A exemplar imperatriz Leopoldina, que, oriunda de Viena, “conquistou” o Brasil

A nobre europeia morreu aos 29 anos e, politicamente, foi a mais importante mulher da história do Brasil em todos os tempos

Imperatriz Maria Leopoldina | Retrato: Reprodução

Nesta época em que, felizmente, o papel geral e, principalmente, político das mulheres tem sido mais reconhecido e mais valorizado, caberia bem questionar sobre as que foram mais importantes na história do Brasil.

Politicamente, uma das mulheres mais importantes da história do Brasil, e a telenovela global “Novo Mundo” está aí a provar, foi, sem dúvida, a imperatriz Maria Leopoldina (Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo-Lorena).

Leopoldina era uma jovem bastante culta quando se casou. Havia nascido em 1797 no Palácio de Schonbrum, em Viena, incomparavelmente mais bonito e imponente do que o Palácio de Queluz, em Lisboa, onde nasceu Pedro I. Hoje milhares de turistas que visitam esse palácio de estilo barroco e parte rococó extasiam-se em face da magnificência dos salões e esplêndidos jardins.

Marquesa de Santos, a amante de Pedro I, e Leopoldina, a mulher do imperador | Retratos: Reproduções

Leopoldina era filha do imperador Francisco I, que comandava o poderoso Império Sacro-Romano e se casou em Viena, em 1817, por procuração, embarcando com grande comitiva para o Brasil. Ela trouxe gente de cultura, botânicos e artistas, e logo que chegou se tornaria muito amiga do grande pintor francês Jean Baptiste Debret. Rapidamente passou a amar o Brasil.

Depois que Pedro I se tornou príncipe regente do Brasil, Leopoldina realçou o amor pelo País e se aprofundou no ideal da independência. Sofreu muito com a infidelidade do marido, principalmente quando ele se aproximou de Domitila, a Marquesa de Santos (1797-1867. Nasceu no mesmo que a imperatriz). Continuaria mesmo assim generosa, aceitando até mesmo que uma filha de Pedro I com a amante, Isabela de Alcântara, fosse criada no Paço Imperial. Pedro, por sinal, daria à menina o título de Duquesa de Goiás.

Pedro I e d. Leopoldina | Retrato: Reprodução

Leopoldina teve cinco filhos — Maria, Miguel, João Carlos, Januária e Pedro II, que viria a se imperador brasileiro ao longo de décadas, até 1889, quando foi proclamada a República. O caráter de Pedro II tornou-se elogiado e pode ter sido herdado da mãe.

Leopoldina morreria bastante jovem, com apenas 29 anos, em dezembro de 1826, havendo na época o rumor de que estava fisicamente maltratada por Pedro I que, ficando   viúvo, iria se casar mais uma vez. Leopoldina morreu deixando a imagem de uma mulher exemplar, politicamente a mais importante da história do Brasil de todos os tempos. Esta é forte razão para que os brasileiros todos assumam por ela eterna admiração.

Isabel Maria de Alcântara, a Duquesa de Goiás | Retrato: Reprodução

Para saber mais

“D. Leopoldina — A História Não Contada da Imperatriz do Novo Mundo” (Leya, 464 páginas), de Paulo Pezzutti, é uma biografia atualizada da nobre austríaca.

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