Euler de França Belém
Euler de França Belém

Vazamento de foto do modelo Paulo Zulu nu mostra que não há privacidade na e fora da internet

Há uma alguma saída, além de convocar a polícia e recorrer à Justiça? Só uma: manter fotografias com nudez fora de celulares, computadores, Instragram e redes sociais

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Dicionaristas ainda não apresentam “privado” e “público” como sinônimos. Mas, em alguns aspectos, o privado se torna cada vez mais público. Pode-se dizer, sem medo de errar, que não há mais privacidade na e fora da internet. As fotos “guardadas” em um celular ou “guardadas” num computador, por “protegidas“ que estejam por senhas, podem, de repente, ser expostas na internet com o máximo de estardalhaço, sem que seu proprietário saiba o que está acontecendo. Isto aconteceu com a atriz Carolina Dieckmann e, desde domingo, 11, com o modelo Paulo Zulu.

Uma fotografia de Paulo Zulu, nu como veio ao mundo, “escapou” do Instagram e ganhou o mundo da internet, fazendo a festa de “vedores” e “vedoras”. Ele disse: “Peço desculpas por uma foto íntima que foi hackeada, mas consegui deletar, desculpa pelo acontecido, mesmo não tendo culpa, me sinto mal com o ocorrido”. Uma mulher disse, numa rede social: “Parabéns pro hacker também. Acordei mais leve. Não é todo dia que a gente uma nude linda”. Outra jovem acrescentou, na mesma linha: “É o tipo de foto que eu nunca vou querer ‘desver’”.

Aos 53 anos, Paulo Zulu é mesmo um homem bonito, com o chamado “corpo de academia”. De três homens, dois heterossexuais e um homossexual, ouvi o mesmo comentário, aqui sintetizado: “Quem faz foto de si mesmo pelado e deixa no celular ou em redes sociais [ocultas] ou aplicativos corre o risco de, cedo ou tarde, vê-las divulgadas”. Eles acrescentaram que a impressão que se tem, pelo tipo de fotografia, é que “Paulo Zulu fez a foto para enviá-la”. Aí está um motivo para discussão. Tudo bem que tenha feito para enviá-la para alguém, por algum aplicativo ou não, mas só ele tem o direito de divulgá-la. Ninguém mais tem. Casais — ficantes, namorados e marido e mulher — têm o direito de se enviarem fotografias, nus ou vestidos.

Há alguma saída? Não, exceto uma: não guardar fotografias em celular, computadores e redes sociais. Fala-se, claro, de fotografias que, se expostas, possam constranger as pessoas. Mas quem segue mesmo regras tão estritas? Ninguém.

Lei Carolina Dieckmann

A Lei 12.737/2012, conhecida como Lei Carolina Dieckmann, tipifica como crime a invasão de computadores, tablets ou smartphones com a finalidade conseguir, adulterar ou destruir dados e informações. O infrator pode pegar de três meses a um ano de prisão.

Suicídios de duas jovens

A repórter Rebeca Oliveira, do “Correio Braziliense”, relatou que duas jovens se mataram por causa de fotografias expostas na internet. Giana Laura Fabi, de Veranópolis (RS), se suicidou depois que divulgaram uma fotografia íntima. Júlia Rebeca, do Piauí, se matou devido à repercussão de uma foto íntima na internet. O que pode parecer brincadeira (ou mero negócio) para uns, pode ser muito grave para outros.

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