Euler de França Belém
Euler de França Belém

Morre o jornalista Ari Cunha, diretor do Correio Braziliense

Ele fez a reforma da Folha de Goiaz, de Goiânia, e organizou o Correio em Brasília. Trabalhou com Carlos Lacerda e conviveu com Juscelino Kubitschek

O nordestino é, antes de tudo, um forte. Sai de sua terra, assenta-se em plagas estranhas e se torna, logo depois, vencedor — suportando e derrotando os piores drummonds que surgem no meio do caminho. Não foi diferente com José de Arimathéa Gomes Cunha, nascido em 22 de julho de 1927, no Ceará do Padre Cícero e da escritora Rachel de Queiroz. De lá escapou para o Rio de Janeiro, onde se tornou jornalista. Profissional irrequieto, trabalhou com Carlos Lacerda, o demolidor de governos, Joel Silveira, a Víbora, Prudente de Moraes Neto e Samuel Wainer e conviveu com políticos de proa, como Juscelino Kubitschek, João Mangabeira, Luiz Viana Filho, Israel Pinheiro e Café Filho. Na terça-feira, 31, Ari Cunha, como era conhecido, morreu (falência múltipla de órgãos), aos 91 anos. O enterro será na quarta-feira, às 17 horas, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul.

Ari Cunha é um dos fundadores do “Correio Braziliense” (pelo menos do novo, o que surgiu em Brasília) e era um de seus condôminos. Escrevia a coluna “Visto, Lido e Ouvido”. Reportagem do “Correio” diz que se trata, “provavelmente”, da “coluna mais longeva da imprensa brasileira”. Escreveu-a durante 58 anos.

A entrada de Ari Cunha para os Diários Associados se deu em julho de 1959, há quase 60 anos. Ele esteve em Goiânia para reformar o jornal “Folha de Goiaz”, que pertencia aos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Com a construção de Brasília, foi decisivo “para estabelecer o ‘Correio Braziliense’” na cidade, frisa reportagem do “Correio”.  Assim como a TV Brasília. Em 1981 se tornou condômino dos Diários Associados.  Era vice-presidente dos Diários Associados

A editora-chefe do “Correio”, Ana Dubeux, conta que Ari Cunha era bem-humorado e perspicaz no exame do caráter dos indivíduos. Sobre um desafeto, ele disse: “Esse moço não tem entranhas. Ande com ele, mas não coma a lavagem desse porco”. A jornalista afirma que segue à risca o conselho.

Ari Cunha adorava música, sobretudo Ataulfo Alves e Adoniram Barbosa e adorava viajar.

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