Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro resgata histórias secretas da revista Playboy, como a da filha de Fidel Castro que posou nua

Nirlando Beirão revela que o editor Mário de Andrade entregou cópias de cromos para Pelé mas ficou com os originais de Xuxa nua. Fala-se também de Roberta Close, Adriane Galisteu e da crise da revista

livro

O livro conta que Alina Fernández Revuelta, filha de Fidel Castro, posou nua para a Playboy. Mas, como ficou carrancuda, o diretor de redação Ricardo Setti decidiu não publicar as fotos, chegando a destruí-las, do que se arrepende. A revista ignorou o furo

O título “Histórias Secretas — Os Bastidores dos 40 Anos de Playboy no Brasil” (Panda Books, 255 páginas), de vários autores, é bem melhor do que o livro que o acolhe. Não se está sugerindo que a obra é ruim. Não é. É interessantíssima. Mas as histórias não são tão secretas e, algumas, já foram divulgadas anteriormente e agora são requentadas. São os casos do relacionamento de Xuxa, apresentadora da TV Record, com o ex-jogador Pelé e da história da filha de Fidel Castro que posou nua para a revista, mas as fotos não foram publicadas. Algumas histórias, que poderiam ser muito boas, são apenas enunciadas, talvez por receio de processos judiciais.

Com histórias inéditas ou não, o fato é que se trata de livro que se lê de uma sentada, tal a narrativa agradável dos textos, em geral curtos e divertidos. Fica-se sempre na expectativa de que se contará uma história explosiva, mas, no geral, não se relata nada, ou quase nada, tão espetacular. Ainda assim, vale a leitura. Os textos são escritos por ex-editores, ex-redatores e ex-fotógrafos da “Playboy”. Todos ressaltam as qualidades do primeiro diretor de redação, Mário Escobar de Andrade, que dizia que Deus está nos detalhes (uma vírgula bem posta é detalhe, mas seminal). Conta-se que uma secretária da revista, de Belo Horizonte, enviou uma carta pedindo autógrafo no romance “Macunaíma”. Avaliou que Mário Escocar de Andrade era Mário de Andrade, um dos inventores do modernismo no Brasil.

A “Playboy” patropi surgiu com o nome de “Revista do Homem”, em 1975, porque a censura do governo dos militares vetou o nome sugerido pela Editora Abril, seguindo o modelo internacional. Em 1978, com o regime civil-militar menos fechado, com o presidente Ernesto Geisel marchando da distensão para a Abertura, finalmente adotou o nome de “Playboy”.

Roberta Close
No prefácio, Juca Kfoury, um dos ex-diretores de redação, repara que, além de publicar fotografias de mulheres nuas, a “Playboy” investia em jornalismo de qualidade, até em furos de reportagem. A revista descobriu que Carlos Zéfiro, autor de gibis eróticos, era o funcionário público aposentado Alcides Caminha, parceiro de Nelson Cavaquinho em “A flor e o espinho” (“tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor”). Temendo represálias, não aceitava revelar seu nome. Exposto publicamente, não ocorreu nada, exceto seu reconhecimento.

No artigo “Tributo a um colega e amigo”, Thomaz Souto Corrêa fala dos dois jornalistas que criaram a “Playboy”, Mário Escobar de Andrade, que morreu em 1991, aos 46 anos, e Mauro Ivan Pereira de Mello. “Mário tinha uma antena, um radar ligado o tempo todo. Quem faz porque gosta não desliga o radar nunca. Não existem férias, nem fins de semana para quem tem obsessão por fazer sempre o melhor, à procura do colaborador ideal, em busca de um bom assunto que pode estar em qualquer lugar: na rua, nos jornais, nos livros, na televisão.”

O objetivo de Mário Escobar de Andrade era constituir a “Playboy” como “a revista mais gostosa do Brasil”. Dizia-se, entre os intelectuais, que se comprava a publicação para ler as grandes entrevistas. Eu, de fato, lia as entrevistas, algumas excelentes, mas não antes de passar os olhos pelas fotografias das belas mulheres nuas ou seminuas. Cheguei a ser assinante. E, sem corar, confesso que, entre a “Veja” e a “Playboy”, começava a ler — ou olhar — primeiro a segunda.

Uma das seções bem-sucedidas da “Playboy” era a de “flagras” de belas mulheres pegas em posições desconfortáveis, para elas, e confortáveis, para os leitores. Pois o ex-diretor de redação Carlos Costa conta “que muitos cliques eram combinações entre as modelos e os paparazzi”.

Roberta Close fazia sucesso em 1983 e costumava se dizer, em tom de pilhéria, que “a mulher mais bonita do Brasil era um homem” (não era minha opinião). Nesse ano, a repórter Olimpia Ciabattari enviou a fotografia do homem que era mulher ou da mulher que era homem para a redação. Tratava-se de Luiz Roberto Gambine Moreira, a Roberta Close, que, sim, era bonita. Carlos Costa olhou suas fotografias e admitiu que a jovem “era deslumbrantemente feminina e doce”.

Ao conversar com Roberta Close, durante a negociação para que posasse nua, Carlos Costa diz que notou que seus pés eram gigantes — “deveria usar sapatos 43”. A “Playboy” fez um sucesso tremendo — eu mesmo comprei um exemplar, na banca dos Correios, na Praça Cívica, quando era do João, hoje dono de uma das bancas da Praça Tamandaré. “Os 300 mil exemplares rodados dessa edição se esgotaram em poucos dias. Foi a primeira e única vez na história da ‘Playboy’ brasileira que um número teve a segunda tiragem.” Imprimiram e venderam mais 150 mil exemplares. Lembro-me que, para obter um exemplar, era preciso fazer reserva nas bancas de revistas.

O destaque da capa, por receio de afrontar, não foi Roberta Close, e sim Lívia, “da Universidade Mackenzie e do Programa Flávio Cavalcanti”. Trinta e três anos depois, quem se lembra de Lívia e quem se esquece de Roberta Close?

Ao lado de Paula, Hortência de Fátima Marcari é uma das maiores estrelas da história do basquete no Brasil. Não era propriamente uma mulher bonitona, de “parar o trânsito”. Mas era uma celebridade — beleza e fama eram normas para frequentar a capa e as páginas da “Playboy” — e, por isso, foi convidada para posar nua. O que se descobriu é que, de fato, tinha um corpão do balacobaco e, muito bem fotografada por Josep Ruaix Duran, era mesmo uma mulher interessante. O resultado é que, segundo Carlos Costa, a revista com Hortência obteve sua “maior repercussão internacional em 40 anos de história”. “Na semana após o lançamento, quase todos os correspondentes de agências internacionais telefonaram para a redação.”

Os 400 mil exemplares com Hortência na capa não foram suficientes e algumas bancas “vendiam a revista com ágio”. Não comprei com ágio porque fiz reserva. Carlos Costa sublinha que em 1988 não havia Photoshop e as fotografias de Hortência não sofreram nenhuma “plástica”. Ela era atleta, não tinha celulite (coisa que só mulheres dão importância e os homens acabam dando devido à insistência delas) nem “gordura fora do lugar”. Mas ressalta: “Diversas mulheres foram retocadas ao longo da história da publicação. Nos primeiros números, o retoque era para eliminar alguns pelos pubianos, exigência da censura. Um velhinho japonês, Sumitomo, era encarregado de pincelar os negativos numa operação que demandava horas de pincel. Depois passou a ser utilizada a máquina Scitex, um enorme aparelho computadorizado que demorava cerca de oito horas para efetuar retoques nos originais, num processo de alto custo”.

O Scitex “trabalhou para nivelar o quadril de Maitê Proença!”. A exclamação é de Carlos Costa, que não explica detalhadamente o que sugere ou insinua. Como assim: nivelar o quadril da bela Maitê Proença pra quê? A Dorian Gray de saia não precisava nem precisa disto. Carlos Grassetti assinala que “a edição com Maitê Proença na capa alcançou o recorde de vendas para uma revista mensal até então”. A revista, com mulheres famosas na capa, chegou a vender 1 milhão de exemplares.

Fernando Pessoa
Ruy Castro conta que uma estrela do cinema e da televisão, mesmo com a oferta de muito dinheiro, não queria posar nua para a “Playboy”. A produtora de fotografia Cecilia Ribeiro, para convencê-la, disse que poderia ler antes os textos de apresentação, que não seriam vulgares, e acrescentou que seriam escritos por Fernando Pessoa. A atriz derreteu-se: “Fernando Pessoa???!!! Mas é o meu poeta favorito! Sou louca por ele, principalmente por aquele poema da tabacaria!”

Não se tratava, claro, do Fernando Pessoa português, e sim do brasileiríssimo Antonio Fernando Pessoa Ferreira, também poeta, só que menor. Mas, percebendo que havia fisgado de vez a sereia do cinema e da tevê, Cecilia Ribeiro nada esclareceu, esticando, matreira, a farsa: “Que bom, Fulana! Chegando à redação, vou te apresentar ao Fernando Pessoa. Ele vai adorar te conhecer!”

Na redação, ante um estupefato Fernando Pessoa, Cecilia Ribeiro foi logo dizendo: “Fernando Pessoa, olha quem veio a São Paulo para te conhecer. A Fulana! Você é o poeta favorito dela! E o poema seu de que ela mais gosta é o da tabacaria!” A atriz e o jornalista deram-se muito bem. As fotos dela nuazinha, como veio ao Brasil, saíram e foram um sucesso. Ruy Castro não revela o nome da “Fulana”, mas dá uma pista: era “casada com um famoso comediante da televisão”. Chico Anysio ou Jô Soares?

Bruna Lombardi
Carlos Maranhão diz que, na “Playboy”, nenhum jornalista entrevistava alguma personalidade se não tivesse elaborado uma pauta com pelo menos 150 perguntas. O editor-executivo da “Playboy” americana Barry Golson elaborou um manual com sugestões para repórteres. Por exemplo: “Ao pedir a entrevista, telefone dez vezes, não duas. Não use a palavra ‘entrevista’. Diga que você está interessado em expor os pontos de vista da pessoa. Não desligue o gravador antes de ir embora. (A célebre frase em que Jimmy Carter, então candidato a presidente dos Estados Unidos, confessou ter cometido ‘adultério no coração’ foi dita na porta de sua casa, enquanto se despedia do repórter.) Use a ‘técnica do silêncio’. Depois de uma pergunta sobre um tema mais delicado, fique calado. O entrevistado tenderá a preencher o silêncio com sua voz. Podem sair daí ótimas respostas”.

Ao entrevistar a atriz e escritora Bruna Lombardi, Carlos Maranhão perguntou: “Quando você descobriu o sexo?” “Lá pelos 4 anos!” O repórter espantou-se: “Quatro anos?!” “É evidente que não deixei de ser virgem com essa idade. Eu falo de sensualidade”. Aí o repórter calou-se. Percebendo seu mutismo, ela acrescentou: “Mas por que insiste? Quer saber quando foi a primeira vez? Eu tinha 16 anos. E tudo o que eu poderia dizer a mais sobre isso é que foi legal e aconteceu na hora em que eu queria”.

Filha de Fidel
Ricardo Setti, um dos mais respeitados diretores de redação da “Playboy”, articulou, com o apoio de Humberto Werneck, para que a filha de Fidel Castro, Alina Fernández Revuelta, posasse nua para a “Playboy”. Depois de idas e vindas, sempre pedindo muito dinheiro, assinou o contrato. J. R. Duran e uma equipe foram enviados para a Europa. Em Roma, no Hotel Excelsior, o experimentado profissional começou a fotografá-la, mas contrafeito, dada a sisudez da modelo.

J. R. Duran pediu que risse um pouco, mas Alina contrapunha: “No río jamás”. Ele levou fotos para Ricardo Setti avaliar. “As fotos exibiam uma mulher madura, mas dotada de encantos, com seios firmes e pernas bonitas. A expressão da filha de Fidel, porém, configurava um anticlímax: rosto sério, quando fechado, ar indiferente ou mesmo contrafeito”, escreve Ricardo Setti.

O diretor de redação decidiu não publicar as fotografias. Hoje, admite que, editorialmente, cometeu um erro. As fotografias, publicadas, teriam obtido repercussão mundial — era filha de Fidel Castro e, sobretudo, nua. “Hoje, considero que agi com rigidez excessiva em relação aos parâmetros de qualidade que exigia da revista e, com isso, dei um tiro no pé.” O editor, falhando como jornalista, picotou todos os filmes e fotografias… Quase inacreditável, principalmente porque Ricardo Setti é um dos mais qualificados jornalistas do país.

Maitê Proença, Joana “Feiticeira” Prado, Tiazinha, Vera Fischer, Hortência e Adriane Galisteu: o tempo em que mulheres bonitas e famosas conquistaram milhares de leitores da Playboy

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Garotas de programa
Algumas garotas que posavam para a “Playboy” faziam programas sexuais? Mário de Andrade disse para o repórter Marcelo Duarte vasculhar as agências que supostamente contratavam mulheres que posavam para a “Playboy’”. Uma das “anunciadas” era a atriz Alice de Carli. No entanto, depois de insistir muito e marcar vários encontros, a agência não conseguiu pôr a atriz em contato com o jornalista, que naturalmente não se identificara como repórter. No motel, quando “esperava” Alice de Carli, apareceu outra mulher, bela, mas não era a atriz. A “Sílvia Dumont Modelos” enganava seus clientes. A reportagem não foi publicada, porque Mário de Andrade queria, na verdade, era saber se algumas mulheres que posavam para a revista eram garotas de programa. Se fossem, não sairiam mais em suas páginas.

Humberto Werneck anota que, em seus tempos de “Playboy”, não era da equipe que mantinha contato com as mulheres que posavam nuas. Nos oito anos nos quais trabalhou na vida, garante que não viu “uma só mulher pelada”. Ele lembra de um repórter mítico da revista, Guilherme Cunha Pinto. O Jovem Gui, que morreu aos 47 anos, era capaz de títulos desse naipe: “Picasso morreu, se é que Picasso morre”.

J. R. Duran afirma que “os pressupostos dos ensaios de nu são quase sempre os mesmos. O diferencial é a sensação de intimidade que as fotos possam produzir”. Ele sugeriu a Adriane Galisteu que queria fotografá-la depilando o púbis, com um barbeador de lâminas. Eles estavam na Grécia, na ilha de Santorini. “Nem pensar!”, cortou a jovem. Depois, recuou e fez a fotografia, que se tornou, como se costuma dizer, “icônica”. “A edição vendeu mais de 1 milhão de exemplares, recorde absoluto até então”, afirma J. R. Duran.

Nirlando Beirão diz que “a ‘Playboy’ fez da sexualidade uma declaração de liberdade”. O jornalista afirma que Mário de Andrade trocou os cromos de Xuxa nua por uma reportagem ampla sobre Pelé. “Tão logo o Rei e o advogado saíram da sala, Mário abriu uma gaveta e, com aquele sorriso de moleque travesso, me mostrou um pacote de cromos. ‘Dei as cópias, fiquei com os originais. Logo, logo, ele já terá desistido dela’. Não deu outra.”

As entrevistas era um aperitivo para as mulheres nuas? Uma porta de entrada? Nirlando Beirão avalia que não: “A entrevista era, de fato, uma peça de resistência da ‘Playboy’, não aquilo que se dizia pejorativamente dela — um mero pretexto para folhear o que realmente interessava”. Pode ser a visão de dentro, do jornalista que fazia a revista, mas não dos leitores — que, se liam as entrevistas, adoravam olhar as belas mulheres, sobretudo se celebridades, nuazinhas.

Uma história, supostamente secreta, poderia render mais, porém Marcos Emilio Gomes é econômico ao contá-la, ou melhor, ao quase anotá-la. O jornalista Hamilton de Almeida Filho, o Hamiltinho, “não afirma mas deixa entender… ter conhecido a diva [Sônia Braga] bem intimamente ao longo da apuração” para uma reportagem. Como bons entendedores acabam sendo processados, opto por nada acrescentar, apenas sugerindo que “intimamente” é uma palavra com certa precisão, apesar da elegância do Marcos Emilio Gomes.

Ao colher informações para uma reportagem sobre a vida pós-Presidência da República do general João Figueiredo, Marcos Emilio Gomes mandou flores, caríssimas, e conseguiu conversar com Dulce, mulher do presidente. “Falamos até de Omar Sharif, um assunto delicadíssimo para a ex-primeira-dama”, afirma, de certa maneira enigmático, o jornalista. É outra história que, aparentemente secreta, precisa de esclarecimento.
Debacle da Playboy

Por que “Playboy”, de sucesso absoluto, com mais de 1,2 milhão de exemplares vendidos, nos melhores momentos, caso da capa com Joana Prado, a Feiticeira, foi extinta pela Editora Abril? Juca Kfoury diz que, depois de Ricardo Setti, “começou a agonia, com entrevistados popularecos, mulheres em posições ginecológicas, reportagens irrelevantes, um caso bizarro em que a revista masculina número um do Brasil baixou o nível para ficar igual às concorrentes. Era o começo de uma morte anunciada”.

Edson Aran, diretor de redação por sete anos, diz que a internet teve “efeito corrosivo” sobre a “Playboy”. Mas há outro problema. Na gestão de Mário de Andrade, a inteligência prevalecia sobre o glamour. Sob a hegemonia deste, a revista ruiu. “O aumento progressivo do preço de capa e o crescimento exponencial da internet foram fatais para o modelo de negócios da ‘Playboy’. Todo mês os ensaios de capa eram pirateados e disponibilizados gratuitamente em sites eróticos ou distribuídos via e-mail.”

“O modelo baseado na ‘famosa’ estava falido, mas a editora não tinha energia nem paciência para repensá-lo”, afirma Edson Aran. Numa reunião, uma publisher “disse que o problema da ‘Playboy’ era a falta de ‘glamour’. Eu fui até o departamento de recursos humanos e pedi minha demissão”. Ao se despedir, o jornalista disse ao executivo da Editora Abril Jairo Mendes Leal: “Não existe saída. Ou a ‘Playboy’ faz uma revista de famosas seminuas ou faz uma revista de anônimas nuas. Mas a fórmula da famosa pelada não funciona mais, seja pelo aspecto financeiro, seja pelo aspecto cultural”.

Alina Fernández Revuelta, filha de Fidel Castro, posou nua para a Playboy, mas o editor Ricardo Setti não quis publicar as fotografias, alegando que a jovem havia ficado carrancuda

Alina Fernández Revuelta, filha de Fidel Castro, posou nua para a Playboy, mas o editor Ricardo Setti não quis publicar as fotografias, alegando que a jovem havia ficado carrancuda

Thales Guaracy sugere que, para sobreviver, “Playboy” tinha de “trazer de volta as grandes mulheres à capa”. Mas as celebridades deixaram de posar nuas, mesmo com a oferta de muito dinheiro (que, aliás, a revista não tinha mais em grande quantidade para pagar mulheres famosas). Além disso, “a era digital mudou a configuração de tudo. Como se podia copiar a revista e transmitir as fotos piratas, que tinha ampla e rápida repercussão, muita gente deixava de comprar a publicação impressa, o que causava uma queda violenta das vendas em banca e, consequentemente, de publicidade”.

O último diretor da redação, Sérgio Xavier, registra, mencionando o ano de 2013, as razões para a debacle da revista: “Prejuízo de alguns milhões de reais provocado por vendas menores na bancas, publicidade minguante e, principalmente, pelos pesados royalties cobrados pelos norte-americanos da ‘Playboy”. O que decretou a “morte” da revista? “A superoferta de erotismo na internet e a eficiente pirataria que garantia a chegada de fotos fresquinhas em nosso WhatsApp da edição que mal saíra da gráfica derrubaram as bancas. (…) Em outubro de 2015 a Abril finalmente conseguiu negociar a devolução do título para os norte-americanos. Após quarenta anos publicando a ‘Playboy’, a Editora Abril saía do jogo com a última revista em dezembro.”

A “Playboy” continua nas bancas, sob nova direção, como se fosse um corpo-fantasma… à espera de novo funeral. Recomeçou como mensal e já não é mais mensal. A “Playboy”, diria a turma que criou o Uber, é o táxi das revistas: vive mas para sempre baleada.

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