Euler de França Belém
Euler de França Belém

Crise leva Playboy a mudar a circulação de mensal para bimestral

PBB Entertainment diz que mudança visa manter a qualidade editorial. Não é plausível. Há revistas semanais e mensais de qualidade. Causas devem ser custo editorial e faturamento baixo

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O nu tornou-se banal. Na internet, então, nem se fala (e não se trata, saiba, de Deep Web). Você quer nu ginecológico, tem; até sobra. Ah, quer ver pessoas transando; tem. Ah, as revistas não mostram homens pelados? Pois na internet tem superprodução. Garotas e garotos de programa, em sites bem feitos — com fotografias e vídeos quase profissionais —, são expostos com fartura, para todos os gostos. O nu, pois, choca pouco — exceto se for uma imagem inusitada de uma artista consagrada que teve a fotografia vazada pelo namorado ou por algum hacker.

O “fim” da revista “Playboy” tem a ver com o fato de que o nu, se não deixou de ser interessante e despertar interesse, não provoca mais comichão do tipo: “Tenho de ver aquela garota de qualquer maneira”. Não é mais assim. Luana Piovani posou nua, o corpo está ok, a imprensa comentou, mas o interesse do público, daquele que mantém as publicações, não foi além da curiosidade. “Ah, sim, a Luciana Piovani.” Nas bancas, ouvi: “Passadinha, hein!”. Como eu disse que é e estava bonita nas fotos (algumas), que vi na internet e não na revista, o jovem me olhou e, depois de pensar um pouco, talvez para não me ofender demais, disse: “Mas o sr. não é muito novo, não é mesmo?” Eu disse: ‘Sim, tenho 55 anos”. O jovem acrescentou, com um sorriso maroto e uma voz exclamativa: “Quase sessenta!” Nós rimos — eu, da habilidade do garoto com as palavras. No dia, minha coluna — sempre cuidada pelo ótimo ortopedista Sérgio Daher, do Hospital dos Acidentados — não estava muito boa e o garoto percebeu: “As costas estão empenadas, não é? Faça pilates”. Curiosamente, era a mesma recomendação do Sérgio Daher.

Se a Editora Abril não quis manter a “Playboy”, outro grupo decidiu relançá-la, em abril deste ano, com a atriz Luana Piovani na capa. Porém, mal chegou às bancas e a PBB Entertainment já anuncia que a circulação passará de mensal a bimensal partir de julho, quer dizer, já na terceira edição.

A mudança da periodicidade visa garantir o padrão de qualidade editorial, afirma a cúpula da PBB Entertainment. Não é uma justificativa plausível, pois é possível manter a qualidade de uma revista mesmo se é mensal ou semanal. Os problemas, não apontado, podem ser o custo elevado e, sobretudo, o faturamento baixo. A revista voltou às bancas, mas, aparentemente, sem o sucesso de antes. Aliás, mesmo nas mãos da Abril, já estava decadente, ao menos em termos de faturamento. O fato é que a iniciativa privada não tem condições de bancar prejuízos por um tempo longo — pensando num possível lucro futuro —, sobretudo se não se trata de um grupo sólido como a Abril.

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