Euler de França Belém
Euler de França Belém

50 Tons de Cinza e o sadomasoquismo de Christian Gray e Anastasia Steele

Ana e seu sr. Grey: a história do conto de fadas  que causa frisson por causa do apelo sexual | Foto: Reprodução/Universal Pictures

Ana e seu sr. Grey: a história do conto de fadas que causa frisson por causa do apelo sexual | Foto: Reprodução/Universal Pictures

Greice Guerra Fernandes

O drama-romance do filme “50 Tons de Cinza”, com direção de Sam Taylor-Johnson e roteiro de Kelly Marcel, se desenvolve a partir de um relacionamento doentio entre um bonito, poderoso, sedutor e rico jovem de 27 anos, Christian Grey, com uma romântica e aparentemente “ingênua” estudante de literatura de 21 anos, Anastasia Steele, que trabalha em uma loja de ferramentas.

Ao se conhecerem em uma entrevista que Ana realiza com Grey, ambos sentem atração mútua. Sem muita demora, embarcam em um intenso caso de amor repleto de “desejos” e preferências “estranhas”, pelas quais o sr. Grey possui extrema atração e simpatia.

Durante o desenrolar da trama, percebe-se claramente que o sr. Grey possui algum tipo de desvio psiquiátrico sadomasoquista, ao apresentar a Ana seu mundo erótico cheio de fantasias, sonhos e fetiches sadistas e celerados. Ana por sua vez, no primeiro momento, encanta-se com a beleza, a sedução e o poder de Grey e se deixa levar pela falsa ilusão de que se trata de seu “príncipe encantado”, para quem havia se guardado até então. Ana é uma garota romântica, meio sonhadora e delicada, que está em busca de um homem que lhe dê segurança e lhe proporcione uma relação estável dentro dos padrões “normais” que a sociedade sempre lhe apresentou e ela acata como verdade absoluta.

Com o desdobramento da relação, por mais que negue, Ana vai percebendo a dificuldade, o medo e o receio de se relacionar com uma pessoa portadora de um desvio psiquiátrico. De repente, descobre-se apaixonada e com medo — e com a dor de ter de romper o relacionamento, até mesmo por uma questão de se preservar e sobreviver, pois tais práticas podem levar até mesmo a um possível assassinato.

Analisando tal história e enredo, nota-se claramente que o sr. Grey adquiriu tais desvios psiquiátricos e/ou psicológicos durante sua difícil infância, como ele próprio relata em algumas partes do filme. A maioria das doenças psiquiátricas e/ou psicológicas tem origem na infância. As fantasias sexuais sádicas tendem a ter origem nesse período. Provavelmente o sr. Grey tenha sofrido ou presenciado algumas formas de sadomasoquismos na infância e tal situação pode ter causado perturbação, influenciado e contribuído para a formação de sua personalidade de caráter sádico. O sadismo sexual geralmente é um fenômeno crônico e, assim, o jovem Gray passou a adotá-lo como padrão de comportamento emocional e sexual.

Por outro lado, a jovem Ana entrega-se ao fascínio do desconhecido. A exploração do mistério, da magia, a excita e a enlouquece. Uma nova experiência, uma nova “forma” de amar. O desconhecido é algo medonho, fascinante e excitante.

Há de se observar também neste filme um outro ponto forte, talvez até mesmo oculto, imperceptível e passível de questionamento: a força do poder, da sedução, da beleza e do dinheiro que a trama aponta e que tanto prevalece no mundo atual, e de que a sociedade está tão imbuída que quase não mais as percebe, sendo a causa de muitas mazelas sociais e econômicas.

Baseada nessa observação, faço as seguintes perguntas: caso o sr. Grey não fosse tão jovem, ou desprovido de qualquer forma de beleza, ou sem sedução, ou sem instrução e totalmente sem dinheiro, a jovem e bela Ana teria se interessado por ele? Será que teria tido a mesma coragem de entrar no “quarto secreto” e se sujeitar às práticas sadomasoquistas do sr. Grey? Será que ela também praticaria as humilhantes formas sádicas? Será que embarcaria na mesma velocidade neste romance doentio, ou o abandonaria no primeiro momento, horrorizada e escandalizada, e até mesmo o denunciaria aos órgãos e autoridades competentes?

Sendo assim, fica aqui, então, a pergunta que não quer calar: qual dos dois desvios é maior ou mais maléfico para a sociedade, o desvio psiquiátrico desse porte, ou o de caráter e hipocrisia, que também acarreta consequências socioeconômicas? Há de se pensar.

Seja qual for a resposta, o filme aborda em si temas interessantes e bem contemporâneos, possui uma bonita cenografia e sonoplastia. Apenas deixou a desejar na finalização, pois ficou meio que “sem fim” propriamente dito, sem desfecho. Tomara que tenha sido proposital por parte do diretor, para que haja uma segunda parte, continuando assim esta trama interessante e de certa forma inusitada. Torço para tal.

Greice Guerra Fernandes é economista.

3 respostas para “50 Tons de Cinza e o sadomasoquismo de Christian Gray e Anastasia Steele”

  1. kkkkkkk minha prima e criança e assistiu esse filme

  2. Avatar Everaldo Souza disse:

    Os comentários acerca dos filmes 50 Tons identifica-se algum fundamento. No entanto, os desempenhos do principais artistas são excepcionais. DAKOTA é uma atriz só comparável a Elizabeth Taylor. Para mim é um fenômeno mundial. Merece nota 1000 sua atuação nos filmes acima citados.

  3. Avatar DEBORAH SORIANO disse:

    Finalmente um questionamento sério sobre esse filme pra mim essa história só mostra o quanto mulheres infelizmente são românticamente imaturas no geral, a beleza e o dinheiro fazem até o pior dos monstros se tornar interessante e até mesmo a vontade inconsciente de ser “a única” aquela que vai virar o jogo e fazer o cara perverso virar um cordeiro por amor a ela ainda é presente na realidade de muitas mulheres o que eu me pergunto se no fundo também não está associado a um sentimento egoísta de “ter” e auto afirmação

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