Herbert Moraes
Herbert Moraes

Um amigo de Bibi na Casa Branca

A questão é saber se, para o presidente eleito Donald Trump, os negócios não vão falar mais alto que a amizade

Presidente eleito, Donald Trump | Foto: reprodução

Presidente eleito, Donald Trump | Foto: reprodução

Desde que se tornou primeiro-ministro de Israel pela primeira vez, ainda na década de 1990, e agora durante seus dois mandatos, Benyamin Netanyahu sempre so­nhou em trabalhar com um presidente dos Estados Unidos que fosse do Partido Republicano. Era uma frustração. Um desejo reprimido, já que todos os seus antecessores tiveram esse privilégio: Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Ehud Barack caíram nas graças de Bill Clinton e tinham o afeto do presidente.

Netanyau, ao contrário, nunca pôde desfrutar de um jantar na Casa Branca. Os encontros com Obama sempre foram tensos, rápidos, e é quase certo de que apenas cafezinho foi servido no Salão Oval nessas ocasiões. Na quarta-feira à noite, o primeiro-ministro de Israel, assim como todos os líderes mundiais, se preparava para parabenizar a nova presidente democrata. Mas assim que Trump começou a ganhar em Estados-chave, aqueles que realmente importam na eleição americana, ficou claro que o vitorioso seria o grande amigo de Netanyahu.

Donald Trump não é um republicano tradicional como George Bush ou George W. Bush. Pai e filho, muitas vezes, desapontaram Netanyahu. Já o magnata é um republicano cheio de esteróides, um Godzila, que apesar do tamanho e truculência, é o modelo perfeito e conveniente para trabalhar junto ao amigo israelense. A era Obama termina em menos de dez semanas. Netanyahu teve que esperar oito anos, mas não pense que Bibi, como o premiê é chamado por aqui, também não teve, digamos, seus momentos com o líder de­mocrata. Obama foi sim um os­so duro, mas às vezes se portou co­mo um bom filé mignon. Netan­yahu conseguiu ao longo do tempo transformar o presidente americano no inimigo número 1 de Israel, e usou o desprezo de Obama por ele como uma ferramenta para convencer seus colegas de partido e do próprio gabinete de que era vítima de perseguição, e que ela vinha diretamente da Casa Branca.

A partir de 20 de janeiro de 2017, quando Donald Trump iniciar o mandato, abre-se uma linha direta entre Washington e Jerusa­lém. O rival Obama, para quem Netanyahu trabalhou exaustivamente em 2012 para não ser reeleito, vai deixar a Casa Branca, e o sucessor, de acordo com as promessas de campanha e outros sinais que ficaram no ar, passa a ser seu melhor amigo. É claro que os dois não estarão desacompanhados. Vladimir Putin completa o trio.

Só que Trump, como todos já sabem, é imprevisível, volátil, sem profundas conexões com nada nem ninguém. Por enquanto é uma Esfinge a ser decifrada.Não é nenhuma surpresa que Netanyahu sinta-se a vontade com os dois
líderes, que são feitos do mesmo estofo: são homens que representam a velha geração política, conservadores, dogmáticos, vulgares e até brutais dependendo da reação para certos assuntos.

Ao menos que Trump não cumpra o que prometeu duranta a campanha sobre a questão israelense e palestina, Donald Trump deverá ser um presidente muito mais pró-Israel do que os outros que passaram pela Casa Branca. Por enquanto tudo é no­vidade, mas é bom que o pri­mei­ro-ministro, apesar da amizade, mantenha um pé atrás. Assim como Hi­llary Clinton se tornou notícia, Trump poderá seguir o mesmo caminho. Mais que isso, não se pode esquecer que o novo presidente americano é antes de tudo um homem de negócios. E quando eles acontecem a amizade fica sempre à parte.

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