Herbert Moraes
Herbert Moraes

A terceira guerra mundial poderá começar na Síria

Vaticínio terrível é do primeiro-ministro russo Dmitri Medvedev, o homem mais próximo de Vladimir Putin

Alepo está destruída e 60 mil famílias que ainda estão no subúrbio terão de deixar seus esconderijos debaixo da terra

Alepo está destruída e 60 mil famílias que ainda estão no subúrbio terão de deixar seus esconderijos debaixo da terra

Alepo, a segunda maior cidade da Síria, está completamente destruída. As 60 mil famílias que ainda estão no subúrbio, fora do controle das tropas governamentais, terão de deixar seus esconderijos debaixo da terra. Os intermináveis bombardeios da força aérea russa viraram o jogo e os rebeldes não têm para onde correr. As rotas que abasteciam a população restante (350 mil pessoas) com remédios, comida e água já não existem mais. Aos que lutam contra o regime sírio restou apenas uma janela para escapar e ela está se fechando rapidamente.

Ainda é cedo para declarar, oficialmente, a queda de Alepo. Mas há relatos que levam a crer que o martírio não deverá durar muito. Segundo a organização Ob­servatório Sírio para os Direitos Humanos, que acompanha o conflito, os combates continuam em algumas áreas da cidade que já estão completamente cercadas. Hospitais também estão sendo bombardeados, assim como os grupos de resgate que chegam logo depois da destruição para recolher mortos e feridos. Uma prática condenada pela comunidade internacional e praticamente ignorada pelos russos e seus aliados.

A parceria entra a Rússia, Síria e Irã parece eficaz, mas engana-se quem pensa que Vladimir Putin colocou seu país na guerra para lutar por Bashar al-Assad ou seu regime, e ele certamente não vai permitir que o Irã colha os frutos políticos de uma eventual vitória contra os rebeldes, se e quando ela acontecer.

De acordo com analistas militares, em princípio, todos pensavam que os russos queriam apenas ajudar Assad em áreas limitadas. Mas o fato é que a Rússia tem outros planos, e estrategicamente, entrou na zona de guerra de tal forma que conseguiu impedir que outras forças, como os Estados Unidos, Tur­quia e a Europa, operassem além da área onde Putin já é praticamente unanimidade.

Putin conseguiu criar uma situação em que a Rússia é a única potência mundial capaz de estabilizar o país em conflito. A Síria tornou-se um projeto exclusivamente russo. E o monopólio dessa guerra já foi estabelecido e apresentado à Europa e aos Estados Unidos da seguinte forma: qualquer um que queira intervir na Síria, politicamente ou militarmente, terá de enfrentar ou cooperar com a Rússia.

O governo americano já deixou bem claro que não quer e não vai se envolver mais no conflito além do que fez nos últimos anos. Obama também não tem disposição de enfrentar a Rússia na Síria, e sabe que é praticamente impossível persuadir a oposição a se unir. Aos americanos restou apenas roer as unhas enquanto os russos avançam.

No entanto, a “solução russa” para a Síria não é vista como uma aberração por Washington e seus aliados. Todos já sabem que para lutar contra o Estado Islâmico, a Síria precisa ser estabilizada e reunificada. E por incrível que pareça a única pessoa capaz de garantir isso é Bashar Al-Assad. Mas, mesmo que o ditador coopere com a Rússia na luta contra o Estado Islâmico, será de Putin a palavra final em qualquer decisão.

Do outro lado do front chamado Oriente Médio, a Arábia Saudita já sinalizou que poderá enviar forças terrestres para a Síria. O exército saudita se prepara para entrar em cena. O Pen­tágono apoia a ideia, que tem como objetivo aparente lutar contra o Estado Islâmico, mas todos sabem que a verdadeira intenção dos sauditas é ajudar os rebeldes contra o regime sírio. Ainda não está claro o número de homens que serão enviados para a Síria pela Arábia Saudita. A estrutura de comando não foi e não será revelada. Portanto, ainda não se sabe se as tropas sauditas terão cobertura aérea, que poderá vir da próprio país, da Turquia ou dos Estados Unidos.

A entrada oficial da coalizão árabe liderada pelos sauditas ainda é um plano em andamento, mas pelo andar da carruagem dá sinais que poderá acontecer a qualquer momento. E quando isso se der, daí o conflito na Síria deverá tomar outras proporções e seguirá por um caminho que, de acordo com as últimas declarações do primeiro-ministro russo Dmitri Med­vedev, poderá levar a um conflito mundial já que todos os envolvidos terão que escolher um lado. “Será o início da terceira guerra”, afirmou o colega mais próximo de Putin.

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