Herbert Moraes
Herbert Moraes

As regras do novo Bin Laden

Cartilha de Abu Bakr al Baghdadi, chefe do Estado Islâmico, que avança sobre Iraque e Síria, proíbe aulas de história e ciências

Abu Bakr al Baghdadi, líder do Estado Islâmico: com exército sanguinário, bem pago e crescente, ele segue avançando|Foto: AP Photo/Militant video, File

Abu Bakr al Baghdadi, líder do Estado Islâmico: com exército sanguinário, bem pago e crescente, ele segue avançando|Foto: AP Photo/Militant video, File

A medida que o grupo Estado Islâmico (Isis) vai avançando e conquistando vilarejos, cidades e distritos inteiros no Iraque e na Síria, aumentam também as necessidades de quem está “lutando” pelo novo estado. As cidades que foram tomadas já não funcionam como antes, os moradores que ficaram não têm como trabalhar, pagar taxas, enfim, tocar a vida. Mas para o líder do grupo, Abu Bakr al Baghdadi, a vida dos cidadãos da região conquistada pelo Isis é que menos importa. A prioridade é o conforto dos jihadistas, que recebem salários e foram autorizados até mesmo a constituir família.

Na semana passada, Al Bagh­dadi decidiu doar, para todos os militantes que vão se casar, US$ 1,2 mil e um apartamento mobiliado. As novas residências, onde os terroristas vão morar, eram as casas dos agora refugiados não muçulmanos e membros do regime de Bashar al Assad. Al Baghdadi, já considerado por setores da imprensa no Ocidente como o novo Osama bin Laden, vem pagando os salários com o dinheiro que recebe da venda de petróleo, além das taxas que cobra de todos os moradores das áreas conquistadas.

Segundo o Centro de Direitos Humanos Sírio, cada jihadista recebe um salário mensal de US$ 400, mais US$ 50 adicionais por criança que nasce, e outros US$ 100 por mulher. Cada um deles, segundo o Corão pode ter até quatro esposas. Os jihadistas estrangeiros recebem mais US$ 400 adicionais como forma de ressarcimento pela “imigração”. Se compararmos com o erário de um cidadão comun sírio, o salário e os benefícios oferecidos pelo Estado Islâmico são excelentes, principalmente para os mais jovens, que em condições normais de trabalho não conseguiriam receber mais que US$ 200 por mês na Síria de Bashar.

Calcula-se que o exército de jihadistas do Isis já passa de 20 mil homens. Para manter essa estrutura militar o Estado gasta US$ 100 milhões anuais somente para pagar salários, e outros US$ 10 milhões para comprar armamentos e manter as áreas conquistadas. Parte do dinheiro que sustenta o Isis veio do Banco Central de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque. Em julho deste ano, assim que foi tomada, os militantes entraram no banco e levaram mais de US$ 300 milhões em barras de ouro. O roubo transformou o Isis no grupo terrorista mais rico do mundo, e ainda mais perigoso.

Para manter as atividades do dia a dia, os serviços básicos e a economia, o Estado Islâmico manteve o sistema burocrático sírio, mas aos poucos o vai mudando, de acordo com as novas leis islâmicas, além de eliminar todos os símbolos que remetem ao regime de Bashar al Assad. Por exemplo, o novo “ministro da Educação” elaborou um programa que já está sendo implantado em todas as escolas que estão na área controlada por eles. Agora, são proibidas aulas de música, artes, história, ciências, filosofia, psicologia e cristianismo.

A nova cartilha também exige que sejam apagadas qualquer referência à República Árabe Síria (o nome oficial da Síria) e substituída por apenas Estado Islâmico. As escolas devem, também, retirar todas as fotos e pinturas que não condizem com a lei islâmica. O hino nacional da Síria está proibido de ser tocado. Até estudos de Darwin foram proibidos, já que que tudo foi criado por Alá. Física e Química estão autorizados, desde que seja enfatizado que tudo tem sua origem em Deus. Todos os professores têm de passar por uma “reciclagem” islâmica exigida pelo Estado se quiserem continuar na profissão.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirma que vai destruir o Isis. Mas, por enquanto, nem ele nem ninguém possui estratégia capaz de liquidar o grupo terrorista. En­quanto isso, o califado de Al Baghdadi vai se fortalecendo e se impondo como uma nova e triste realidade.

2 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
1 Comment authors

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Frederica Leça

Bárbaros

Frederica Leça

Piratas gananciosos