Herbert Moraes
Herbert Moraes

Por que o Estado Islâmico até agora não atacou Israel?

O risco existe, mas é certo que os serviços de inteligência israelenses estão muito mais preparados do que os da França

Quase um ano e meio de violência brutal por onde passou e o Estado Islâmico — ou Isis, ou Dash, como é conhecido aqui no Oriente Médio — ainda não entrou na lista de ameaças reais a Israel. Palestinos que atacam com facas e pedras na Cisjordânia, os foguetes do Hamas que vêm da Faixa de Gaza, o Hezbollah no sul do Líbano e o Irã representam muito mais perigo ao Estado judeu do que o Dash.

As forças de segurança de Israel calculam a periculosidade do Dash de duas maneiras: a primeira é a distância do grupo da fronteira norte do país; e a segunda é a influência do movimento radical sunita sobre jovens palestinos ou cidadãos árabes israelenses. O máximo que os jihadistas conseguiram chegar perto de Israel foi a 80 quilômetros das Colinas do Golã.

E com os intensos bombardeios da Rússia eles recuaram ainda mais. Até agora, entre 40 e 50 árabes israelenses se envolveram em atividades relacionadas ao Estado Islâmico, que vão desde a formação de células terroristas, que seriam ativadas dentro do território israelense, aos que se juntaram à filas de combate na Síria. O número é considerado baixo se comparado aos milhares de jovens muçulmanos europeus que estão lutando na Síria ou que simplesmente apoiam o Estado Islâmico.

Em menos de dois anos, o grupo terrorista conseguiu, através de propaganda, transmitir ao mundo a imagem do medo, mas, se olhar bem de perto, o Estado Islâmico está bem longe de ser considerado uma força de combate profissional. O nível de experiência dos militantes não é o mesmo entre eles e até agora não sabemos como vão reagir ao enfrentar exércitos no solo. O grupo procurou evitar enfrentamentos diretos com militantes do Hezbollah, e quando se depararam com soldados curdos na conquista de Kobani bateram em retirada. Não existe estratégia militar, pelo menos aparentemente.

O Dash só apareceu em áreas onde havia ausência de poder, ou, como vimos em Paris há três semanas, quando provou que pode cruzar fronteiras desprotegidas, onde a segurança não é tão restrita. Por isso, Israel, com suas fronteiras superprotegidas, forças de segurança vigilantes e com experiência em contraterrorismo, não é um alvo imediato. Mas isso não significa que eles não vão tentar. No mês passado, o vídeo de um jihadista falando em hebraico mostrou promessas de “não deixar sobrar um judeu em Jerusalém”. Para qualquer movimento militante islâmico, atacar Israel com sucesso seria um bônus no cartão de visitas dos radicais. Mesmo os inimigos muçulmanos do Estado Islâmico não condenariam uma ação terrorista do grupo em Israel.

Se a coalizão de governos ocidentais, dos regimes árabes e da Rússia finalmente passarem a agir juntos e colocar pressão sobre a organização, então o grupo terá de realizar algo fantástico, que nunca fez, para manter sua “popularidade” em alta. Por isso, Israel pode ser o próximo alvo.

As forças de segurança de Israel sabem disso e estão atentas a qualquer possibilidade. Todas as vezes que prendem alguém ligado ao grupo, desde um militante que estava formando uma célula de terror até simpatizantes que se expressam online, Israel faz questão de tornar isso público. É uma forma de intimidar aqueles que pensam em fazer o mesmo. Um atentado mais sério, bem organizado e orquestrado pelo Estado Islâmico pode acontecer por aqui, mas as chances de sucesso são pouquíssimas.

O perigo é real e Israel está ciente, mas certamente seus serviços de inteligência são muito mais preparados do que os da Fran­ça. O que pode acontecer depois de um ataque, isso sim, é bem mais imprevisível.

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One_Shot_Man

Se o EI pisar em Israel… Eles vão tomar uma lambada inesquecível da IDF, vide 1967 e a guerra dos seis dias.

paulo

Não atacam israel porque os empregados fieis não atacam seus patrões