Herbert Moraes
Herbert Moraes

Por que é tão difícil para Barack Obama dizer “Islã radical”?

Presidente norte-americano tenta, a cada atentado, tapar o sol com a peneira, o que fica cada vez mais difícil

Segundo Barack Obama, o fato de nomear os atentados terroristas não muda nada, nem a essência e muito menos a estratégia do combate ao terror | Foto: Michael Reynolds/EPA/Agência Lusa

Segundo Barack Obama, o fato de nomear os atentados terroristas não muda nada, nem a essência e muito menos a estratégia do combate ao terror | Foto: Michael Reynolds/EPA/Agência Lusa

Um dia depois do atentado terrorista na boite gay Pulse, em Orlando nos EUA, o presidente Barack Obama foi obrigado a fazer um discurso para rebater as acusa­ções do candidato republicano à Ca­sa Branca, DonaldTrump, que horas antes falou o que Hussein Obama mais detesta ouvir: o massacre foi resultado da radicalização islâmica.

O presidente americano teve que, finalmente, se explicar porque evita usar o termo “Islã radical” quando trata de assuntos ligados a ataques terroristas cometidos por muçulmanos em diversos países. Barack Obama argumentou que o fato de nomear os atentados terroristas não muda nada, nem a essência e muito menos a estratégia do combate ao terror. O líder americano disse também que estava muito claro que havia as impressões digitais do grupo Estado Islâmico ou da Al Qaeda na cena do crime, e que ninguém pensaria em outra possibilidade, por isso ele também considerou desnecessario dar nomes aos bois ou melhor, aos terroristas e, que por isso, dizer essas duas palavras “radicalismo islâmico” não mudaria nada. Por último, Obama disse que ao dar nome à marca “Islã radical” poderia ser considerado um ataque direto ao Islã, e que isso ajudaria os extremistas a qualificarem os Estado Unidos como principal inimigo dos mais de 1,3 bilhão de muçulmanos espalhados pelo mundo, alguns deles cidadãos americanos. Além disso, em ano de eleição, ao usar o termo Obama considera que estaria favorecendo o candidato republicano Donad Trump, que vê os muçulmanos, inclusive os americanos que seguem a religião, como inimigos do país. Mas será que Obama está certo? Afinal, nem todo muçulmano é terrorista, no entanto, nos últimos anos o que o mundo assiste e ouve quase que diariamente, é que os atentados terroristas cometidos ao redor do mundo, foram, quase todos, efetuados por muçulmanos.

O líder americano está errado. Quando um ato terrorista é perpetrado por razões ideológicas e é classificado pelo governo, simplesmente, como “terror” ou “massacre em massa” não ajuda nada, até porque já está claro, pra qualquer um, que foi co­me­tido por um muçulmano devido a ideologias religiosas extremistas. Ao generalizar, sem apontar o dedo, Oba­ma na verdade co­loca to­dos os muçulmanos, in­clu­sive os americanos, como a par­te culpada no caso. Se tivesse dito que o atentado “x” ou “y” foi cometido por pessoas que se identificam com o Islã radical, ele automaticamente estaria reiterando que existe um outro tipo de islamismo, que não é extremista em suas ideias, e que não envia assassinos para cometerem ataques em massa. Na verdade, ao usar termo “Islã radical”, pelo menos em teoria mas também na prática, permite que os não radicais ou os muçulmanos antirradicais venham a público condenar os ataques.

O debate sobre a nomenclatura de um ato terrorista cometido por um muçulmano é extenso e às vezes até cansativo. Ao deixar de lado o termo “Islã radical” para justificar um atentado, e usar apenas “terror”, “ata­que monstruo­so”, Obama dei­xa claro que a ú­ni­ca solução para combater o fenômeno que se espalha pelo mun­do, é através da for­ça, e esse, sem dúvida, é o grande er­ro de Barack O­bama ao tratar do seu maior pesadelo. O Islã radical, em todas as suas formas (Estado Islâmico, Al Qaeda, Talibã, Hamas, Hezbolá, Boko Haran e tantos outros satélites), é antes de tudo um movimento ideológico radical que tem como principal objetivo tomar o planeta à força através de atos genocidas. O uso de força militar para combater as organizações terroristas é inevitável, mas não é suficiente. Não há como eliminar um movimento como esse sem confrontar a ideologia que radicaliza. E isso, primeiramente deveria ser feito pelos muçulmanos não radicais, o que já vem ocorrendo em muitos países com comunidades que seguem o islamismo. O mundo não muçulmano também pode ajudar, mas, por enquanto, ainda não fez nada que pudesse alterar a realidade sangrenta que se espalha pelo planeta como uma metástase.

O Islã radical é um dos três movimentos ideológicos mais assassinos que o mundo já conheceu, ao lado do bolchevismo soviético e do nazismo, que tentaram e tentam controlar o mundo no século 20 e 21. Obviamente que, sem dúvidas, são ideologias diferentes, mas há muito em comum entre elas. As três baseiam-se num controle, absoluto e sanguinário, do mundo inteiro, opõem-se à demo-cracia, aos direitos individuais e à liberdade de expressão. Além disso, têm em comum o ódio e a perseguição aos judeus.
Barack Obama tenta, a cada atentado, tapar o sol com pe­neira. Mas está ficando cada vez mais difícil para o presidente mais muçulmano dos Estados Unidos justificar os atos dos “irmãos” radicais. l

Deixe um comentário