Herbert Moraes
Herbert Moraes

Petróleo a preço de banana: esta é maior ameaça que pode mudar de vez a região mais turbulenta do planeta

Cada vez mais barato, produto é a 3ª grande força que deu forma a esse monstrengo chamado “novo Oriente Médio”

Barril de petróleo custava mais de 100 dólares há dois anos e hoje está a menos de 30 dólares

Barril de petróleo custava mais de 100 dólares há dois anos e hoje está a menos de 30 dólares

Há exatos 25 anos, o Nobel da Paz, ex-primeiro-ministro e ex-presidente de Israel Shimon Peres visionou um Oriente Médio de paz e cooperação. O líder israelense, hoje com 92 anos, imaginava que a prosperidade econômica e a ajuda mútua entre os países da região levariam à estabilidade permanente. Peres sonhou que com o tempo o casamento perfeito poderia acontecer entre o know-how israelense e o capital árabe. Seria o nascimento de um novo Oriente Médio. Quase três décadas se passaram, e o sonho de Shimon Peres acabou se tornando um balcão de piadas. Só que esse novo Oriente Médio que está tomando formas, infelizmente, não tem graça nenhuma.

A mutação começou com a “Primavera Árabe” que levou a região ao caos. A violência se tornou regra. Com a retirada dos americanos do Iraque, outras forças passaram a disputar o espaço que foi deixado. Hoje, Rússia, Arábia Saudita, Turquia e Irã tentam preencher o vácuo. Pra completar o cenário dantesco, há um ano e meio que o preço do barril de petróleo está em queda vertiginosa. A cotação nesta semana ficou abaixo de 30 dólares o barril. Dois anos atrás chegava a mais de 100 dólares. A mola propulsora da economia local enferrujou e aparentemente nem mesmo o melhor dos óleos é capaz de reverter a situação. Para entender melhor a nova geopolítica da região é preciso analisar, separadamente, a atual situação das duas maiores potências do novo Oriente Médio.
O acordo nuclear iraniano, que entrou em vigor na semana passada, completa as mudanças drásticas por que passa a região. Afinal, ninguém sabe que tipo de Irã irá emergir.

Há divergências entre os moderados e conservadores iranianos, e é exatamente isso que explica o comportamento do país nas últimas semanas. Os termos do acordo foram cumpridos rigorosamente, o que surpreendeu até mesmo os negociadores. Os moderados certamente conduziram essa parte. Mas por outro lado, os conservadores autorizaram testes com mísseis balísticos (o que está proibido pelo Conselho de Segurança da ONU), e permitiram que embarcações militares americanas fossem alvo da artilharia da marinha iraniana. Nesta operaçã, os ayatolás ainda foram além, e deixaram que fossem divulgadas imagens da tripulação americana de joelhos. uma humilhação para os Estados Unidos.

Por enquanto os moderados ainda têm espaço político para dar as cartas no Irã, mas isso deve mudar depois das eleições no mês que vem. Está praticamente certo que serão os conservadores os donos da bola no Irã. Aos moderados restará somente a presidência, que na República Islâmica não apita muita coisa.

Enquanto isso, a Arábia Saudita, que já tinha papel importante, aumentou o grau de influência na região, e passou a ditar regras. A principal arma de convencimento dos sauditas sempre foi o petróleo, mas ao conduzir a guerra no Iêmen, romper relações diplomáticas com Irã e apoiar as milícias que lutam pela queda de Bashar al-Assad na Síria, revelou-se um outro lado mais belicoso, que tem apoio dos países do Golfo. Os sauditas sabem que não podem mais contar com Washington para impor a ordem no Oriente Médio, por isso, resolveram fazer do jeito deles.

O rei Salman, que subiu ao trono há menos de um ano, parece estar disposto à exercitar os músculos, mas a realidade é que a Arábia Saudita “bombada” tem pés de barro. A economia do país está baseada apenas na exploração e comércio de petróleo. Eles não possuem capacidade industrial e apesar dos bilhões de dólares investidos nos últimos anos em universidades, hospitais e infraestrutura, o país continua sendo de terceiro mundo. Quan­do o assunto é segurança poucos paí­ses injetaram tanto dinheiro em suas forças locais como a Arábia Saudita. Mas com exceção da polícia local e a campanha militar no Iêmen, as forças sauditas nunca foram realmente testadas.

Está enganado quem ainda tem esperanças de ver o preço do barril de petróleo subir novamente. Isso não deverá acontecer tão cedo. A nova cotação, abaixo de 30 dólares, veio pra ficar. O Oriente Médio vai continuar caótico. A previsão é que piore mais, porque Irã e Arábia Saudita não terão recursos suficientes para financiar aventuras militares que podem levar ao fim dos respectivos regimes. Talvez até retrocedam. A situação na Síria e no Iraque também deverá permanecer inallterada e os dois países terão que aprender a viver lado a lado com o Estado Islâmico.
A terceira grande força que deu forma a esse monstrengo chamado “novo Oriente Médio” é o petróleo. É ele o principal personagem dessa região. E por ele as ambições do Irã e da Arábia Saudita serão testadas.

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Carlos Spindula

O Estado Islâmico é como o nazismo na II Guerra, um pilar de maldade e perseguição aos cristãos e holocausto. Ninguém sabe o que ocorrerá nos próximos meses, a região está a um passo de se incendiar por qualquer erro ou interpretação errada de um país sobre outro. Creio que são os sinais do fim e do “nação contra nação” que Jesus disse que seria o “início das dores”.