Herbert Moraes
Herbert Moraes

A pax de Donald Trump

O presidente dos EUA entra na disputa mais complicada do planeta, e promete resolver o que seus antecessores não conseguiram: estabelecer paz entre judeus e árabes

Trump se coloca como facilitador da paz entre palestinos e israelenses | Foto: TheDuran.com

“Vamos provar que todos estavam errados.” Foi assim que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerrou a reunião com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, que na semana passada esteve na Casa Branca para um encontro oficial com o líder americano.

Trump quer deixar de lado o pessimismo quando o assunto é o conflito entre palestinos e israelenses. Sua intenção é provar que a paz entre os dois povos não é a tarefa mais difícil a ser resolvida, como é colocado o problema na arena mundial. Para ele, acordos como o do Irã e seu programa nuclear, a reconciliação na Irlanda e os tratados de paz que Israel assinou com o Egito e a Jordânia são a prova de que o mais improvável dos acordos pode ser alcançado. E, mesmo que use jargões do meio dos negócios a que está habituado, quando Trump se refere à paz entre palestinos e israelenses, suas ambições devem ser levadas a sério. Mesmo assim, os dois lados envolvidos na disputa, não podem e não têm o direito de interpretar erroneamente as boas intenções de Donald Trump. A paz, se for alcançada, não será feita por ele ou pelos Estados Unidos, mas entre os dois lados. Até agora, o presidente americano deixou bem claro e tomou bastante cuidado para definir o seu papel na disputa. Trump se vê como um facilitador, não um mediador, e muito menos como parceiro.

Em Israel, a impressão que o governo e a população têm é que dessa vez há um amigo na Casa Branca para defender seus interesses, muito mais que o dos palestinos. Mas quem pensar assim pode se decepcionar. Trump já disse aos israelenses, assim como seu antecessor, que a expansão dos assentamentos na Cisjordânia é obstáculo para a paz.

Após o encontro com Mah­moud Abbas, em Washington, e depois de ter conversado com todos os envolvidos no processo de paz, ainda é desconhecido qual o caminho será tomado pelo governo americano para solucionar o impasse que dura mais de sete décadas.Muito menos, sabe-se qual o preço que cada lado terá de pagar para chegar a uma solução final ou se todos terão que se submeter aos ditames de Trump e seu sonho de realização. E é justamente a incerteza do caminho que abre uma janela de oportunidades.

A hora é de apresentar os planos. Esta pode ser a fase que todos estavam esperando, e agora terão a chance de formular o seu próprio acordo de paz e a partir daí iniciar as negociações. Palestinos e israelenses estão mais do que familiarizados com os parâmetros da tratativa e como deverá ser conduzida. Os dois lados sabem o que um e outro quer e o que irá ou não aceitar, mas acima de tudo, israelenses e palestinos têm absoluta noção do grande perigo e das consequências que poderão sofrer se continuarem com os pés afundados no pântano que se tornou a disputa.

Ao invés de continuarem com o jogo de acusações, Netanyahu e Abbas deveriam imediatamente fazer uso das ferramentas que Trump está colocando em suas mãos, para que finalmente possam embarcar em uma negociação que possa resultar no melhor dos acordos para seus respectivos povos.

Daqui a duas semanas, Donald Trump embarca para sua primeira viagem oficial como presidente dos Estados Unidos. Seu itinerário passa pelas três cidades que abrigam os locais mais sagrados para as três religiês monoteítas. Trump vai se encontrar com o Papa Francisco no Vaticano, com o rei Abdullah em Meca, na Arábia Saudita, e com os líderes israelenses em Jerusalém, onde deverá visitar o Muro das Lamentações. O roteiro da viagem pode ter aspirações messiânicas. E se esse for o caso, o alarme deve ser soado. O presidente americano chegará em Jerusalém poucos dias antes das celebrações dos 50 anos da unificação de Jerusalém, que se deu na Guerra dos Seis Dias. A presença física do presidente dos Estados Unidos em Jerusualém justamente nessa data poderá provocar possíveis choques. E o mundo muçulmano não vai gostar disso. l

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