Herbert Moraes
Herbert Moraes

O Muro da Lamentações agora é muçulmano. Pelo menos para a Unesco

Decisão nega os fatos para favorecer um grupo, mas o órgão da ONU ainda não tem o poder de modificar a História

Muro das Lamentações: milhares de judeus do mundo todo lotam o local todos os anos, numa tradição milenar

Muro das Lamentações: milhares de judeus do mundo todo lotam o local todos os anos, numa tradição milenar

Raras vezes, o revisionismo histórico ou a própria negação dos fatos podem ajudar na construção estratégica da solução para um conflito. Pois foi exatamente isso, a interminável disputa árabe-israelense, que inspirou o Conselho Executivo da Unesco, com seus 58 membros, a aprovar a resolução que tira do povo judeu qualquer conexão com o Monte do Templo e o Muro das Lamentações, em Jerusalém.

A moção, proposta por Argélia, Egito, Líbano, Marrocos, Omã e Sudão, certamentte classifica-se como uma das decisões mais injustas e estúpidas, aprovadas recentemente pelo organização, já que não contribui em nada para acalmar a tensão na região.

A última grande mentira que se espalhou rapidamente sobre o mesmo local foi há um ano, quando grupo palestinos, entre eles o Hamas, afirmaram que Israel tinha intenções de modificar o status quo do Monte do Templo, autorizando judeus a rezarem no local, o que atualmente é proibido. O resultado ecoa até hoje, principalmente pelas ruas de Jerusalém, onde quase diariamente um terrorista muçulmano tenta esfaquear, atropelar, atirar ou explodir um judeu porque acreditou na grande mentira. Apesar da decisão da Unesco ser apenas um simples material de propaganda com viés anti-Israel, o texto da resolução também tem potencial para matar porque é provocativa, desnecessária e controversa.

A decisão da Unesco aconteceu justamente numa das semans mais importantes do calendário judaico: Sukkot, ou festa de Tabernáculos. Nesse época milhares de judeus do mundo todo lotam as ruas de Jerusalém, mas principalmente o Muro das La­mentações. Uma tradição milenar que antes acontecia justamente no local que a Unesco agora se nega a aceitar: o Monte do Templo.

Aqui em Israel, a população questiona as evidências, querem que a Unesco prove que Maomé ascendeu aos céus da rocha que está dentro do “Nobre Santuário”, a mesquita conhecida como Domo da Rocha. O local é chamado pelos muçulmanos de Haram al Sharif, e é o terceiro lugar mais importante do Islã, depois de Mecca e Medina. E foi justamente isso que serviu de base para resolução que dá aos seguidores de Maomé a propriedade exclusiva do local, esquecendo-se que ali também é o mesmo lugar onde Abraão, o patriarca do monoteísmo, foi impedido por Deus de consumar o sacrifício de Isaac, segundo a Bíblia. Mas já que tudo isso é bem difícil de ser provado, mesmo o pior dos historiadores sabe que o lugar conhecido como Monte do Templo está sob a guarda do Islã há apenas 1.400 anos, e muito antes disso a história do Monte Moriá já se confundia com o judaísmo e o cristianismo, afinal Jesus, de acordo com o Novo Testamento, pregou por ali também e previu a destruição do Templo pelos romanos, fato registrado no Arco de Titus em Roma, onde pode se ver, talhado na pedra, toda a narrativa da pilhagem dos tesouros do Templo que foram levados para Roma logo despois da destruição, no ano 70 da nossa era.

Por que é tão difícil para a Unesco reconhecer que três grupos, muçulmanos, judeus e cristãos acreditam que a mesma área seja sagrada para as três religiões?

Mas essa não é a linguagem adotada pela resolução, muito menos sua intenção.

O voto é um presente para aqueles que detestam Israel. Mas chega a ser patético, senão triste, assistir ao orgão da ONU, que cuida da apreciação e preservação da cultura e da his­tória mundo afora, se submeter à decisões políticas ao negar os laços históricos do povo judeu com o Muro das Lamentações. A Unesco errou feio. Pior para a organização, cada vez mais desacreditada. Os judeus não precisam de uma decisão ou do consentimento da agência pa­ra considerar o local sagrado. A ques­tão árabe-israelense vai sempre ter críticos dos dois lados. Buscar soluções é que se tem feito nos últimos cem anos, infelizmente sem sucesso. A decisão da Unesco nega os fatos para favorecer um grupo, mas o órgão da ONU, até onde se sabe, ainda não tem o poder de modificar a História.

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Joao Finoqueto Filho

“O voto é um presente para aqueles que detestam Israel” Isso inclui os cristãos?
Se os cristãos não detestam Israel, eu tenho certeza que o os israelenses detestam os cristãos, segundo o Rabino-Chefe de Israel (Sr Yitzhak Yosef) os cristãos devem ser expulsos de Israel. Ora, hoje os cristãos já não são bem-vindos (apenas 2,5% da população Israelense é cristã) como podem os cristãos brasileiros amarem os israelenses?

Sandra Barros

mentira deslavada. O próprio enjamim Netanyahu tem gravado um video convidando os cristãos de todo mundo a visitarem Israel e dizendo-se amigo dos cristãos. Ele inclusive tem escutado conselhos proféticos de muitos líderes cristãos.