Herbert Moraes
Herbert Moraes

O Islã está de volta à Europa; desta vez, para ficar

A migração do Arabismo e do Islã do Oriente Médio para a Europa deu início a um novo movimento social e cultural no velho continente: a islamização

Refugiados sírios | Foto: Reprodução

As ondas incessantes de revoltas populares, violência e terror contra os regimes e as elites dos países árabes minaram a habilidade que tinham para acalmar e pacificar os problemas domésticos, que garantiam a estabilidade governamental. O vácuo no poder de vários países provocou um fenômeno que se espalha pela região do Oriente Médio: comunidades locais governadas por tribos, organizações religiosas, grupos étnicos e até terroristas. Todos eles, juntamente com os regimes flutuantes e a intromissão de potências globais e regionais em assuntos internos, ajudam a aumentar ainda mais o “saco de gato” que virou o Oriente Médio.

O massacre diário que acontece na Síria, por exemplo, levou o Irã e os xiitas a encontrarem terreno fértil para a expansão. O arabismo do Crescente Fértil (localizada entre os rios Tigres e Eufrates, Jordão e Nilo, a região tem forma de uma lua crescente)  foi conquistado pelo Islã xiita. O histórico coração do mundo árabe e do Islã sunita migrou para o sul. A península arábica, onde está a Arábia Saudita e os países do Golfo, agora é a casa dos sunitas.

Ao mesmo tempo, ondas e mais ondas de imigração inundam a Europa. Milhares de imigrantes — que não param de chegar vêm da África e do Oriente Médio — perderam tudo e buscam uma vida melhor. No começo, os europeus não faziam objeção. Com o tempo, os imigrantes se tornaram, não só um fator de influência no debate social europeu, mas também assunto para a economia dos países — além de fazerem parte da agenda política.

A “Primavera Árabe” pode ter sido plantada no Oriente Médio, mas deu frutos na Europa. A tão sonhada revolução dos povos árabes contra os regimes que os oprimiam falhou no Oriente, porém ocorreu no Ocidente.

A queda do Estado Islâmico, que foi varrido do Iraque e da Síria, o enfraquecimento da Al-Qaeda e a opressão contra outras milícias que lutavam na região fizeram da Europa um ímã que atraiu desde atividades terroristas, radicais islâmicos e uma massa migratória de populações muçulmanas. A migração do Arabismo e do Islã do Oriente Médio para a Europa deu início a um novo movimento social e cultural no velho continente: a islamização. Os indivíduos do Islã agora são cidadãos permanentes da Europa. A influência produzida pelas ondas de refugiados é visível no dia a dia do europeu, sobre o que o é ou não permitido, em termos de educação, estrutura familiar, vida doméstica, até vestimentas. Além das mudanças no mercado de trabalho.

As constantes convulsões políticas nos países europeus permitiram que a “Primavera Árabe” chegasse às suas fronteiras. E ela já provocou mudanças visíveis como a virada para a extrema-direita em diversos países, o que trouxe de volta o sectarismo e discussões étnicas na Europa do século 21. O avanço do Islã na Europa ameaça a cultura, os fundamentos, os valores liberais e principalmente a democracia dos países da região. Não há saída de emergência. A islamização da Europa já é uma realidade. E ela vai se impor ainda mais nos próximos anos. Com o aquecimento global a galope, a previsão é que o Oriente Médio comece, literalmente, a torrar nos próximos anos. Em alguns países a temperatura média deverá chegar a 50 graus Celsius logo nas primeiras horas da manhã. A desertificação é certa. Alguns rios já estão secando, como é o caso no Iêmen. O país está em guerra e praticamente toda população sofre com a seca, falta d’água, fome e doenças.

Represa vai gerar crise na Síria e no Iraque

A falta de água no Oriente Médio deverá provocar uma fuga ainda maior de migrantes para a Europa onde as verdades políticas de diversos países estão se dissipando, e, no horizonte, o liberalismo e a democracia vivem uma crise jamais vista por aquelas bandas. Represa na Etiópia vai afetar o Rio Nilo e, portanto, o Egito | Foto: Reprodução

A crise da água no Crescente Fértil é um paradoxo, dado o nome da região — onde um dia floresceu uma rica agricultura entre dois grandes rios, o Tigres e o Eufrates, que deu origem as grandes civilizações da antiguidade. A Turquia, onde ficam as nascentes dos dois rios, está construindo uma represa no local que vai simplesmente diminuir o fluxo de água em até 80%, e isso deverá afetar outros países, como a Síria e o Iraque.

O Egito também está sob ameaça desde que a Etiópia também resolveu construir uma represa onde ficam as nascentes do rio mais famoso do mundo: o Nilo. A falta de água no Oriente Médio deverá provocar uma fuga ainda maior de migrantes para a Europa, onde as verdades políticas de diversos países estão se dissipando, e, no horizonte, o liberalismo e a democracia vivem uma crise jamais vista por aquelas bandas.

Por enquanto, os países europeus ainda não encontraram uma solução para o problema que já está aí, e para o que está por vir. A chegada ao poder da extrema-direita em alguns deles e a radicalização da opinião pública sobre os refugiados certamente deverão encorajar alguns governos a tomarem medidas que, temporariamente, vão interromper o fluxo migratório. Mas nada vai impedir que Islã volte a ter a influência que um dia teve na Europa do século 8 ao 14. A contagem regressiva já começou.

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