Herbert Moraes
Herbert Moraes

No mundo árabe não há luz no fim do túnel

O consenso nas previsões políticas da arena sangrenta que é o Oriente Médio é que este ano um líder será assassinado

Refugiados sírios buscam sair do inferno que o país se tornou

Se 2016 foi um ano ruim para o mundo árabe, 2017, que apenas começou, promete ser ainda pior. O ano novo chega com aniversário de seis anos da Revolução de Jasmin, na Tunísia e com ela a Primavera Árabe. Os ditadores caíram, mesmo assim não há muito que celebrar, até porque o desenrolar e as consequências das revoltas ainda estão aí. O caos que se instalou na região se deu, em parte, devido à malfadada Prima­ve­ra Árabe, e quem levou a pior foi justamente o povo, que foi para as ruas em busca de mudanças que nunca vieram.

Os ditadores que governavam esses países, de fato, deixaram o poder. Zine El Abidine Ben Ali, da Tunísia, hoje vive exilado num palácio nas areias do reino saudita. Hosni Mubarack passou o tempo que ficou preso num hospital militar no Cairo e de lá foi para casa. Já os jovens que foram para as ruas, os grandes responsáveis pelas mudançam, foram ignorados pelos governos que sucederam os ditadores. A Tunísia, por exemplo, considerado país que a revolta popular em parte sucedeu, é o número um em exportação de jihadistas que lotam as fileiras do Estado Islâmico. E a mão pesada do ditador ainda paira sobre os tunisianos. Reuniões e assembleias em praça pública ainda são proibidas.

O que impressiona entre os países árabes que passaram por essas revoluções, é que agora a mesma população que foi para as ruas vive um momento de nostalgia: saudades da repressão e dos ditadores. No Iraque, o povo lamenta a queda e morte de Saddam Hussein, que sabia como manter o país unido. No Egito, um movimento de jovens pede a volta de Mubarack. E na Líbia, a população acredita que se Muammar Kadafi estivesse no poder, o Estado Islâmico não estaria ditando a agenda do país hoje.

As análises de especialistas em Oriente Médio podem divergir, mas todos concordam em um ponto: 2016 pode não ter sido o fundo do poço. O ano que produziu tantas imagens dramáticas e de sofrimento ainda não acabou, e 2017 não traz nenhuma esperança.

O “mundo árabe”, bloco formado por 22 páises, não traz ne­nhu­ma boa notícia. Procure e não encontrará. Até mesmo esse blo­co imenso chamado “mundo ára­be” está se esfacelando. Su­ni­tas e xiitas nunca estiveram tão polarizados. A região está dividida. Nem A Liga Árabe, que nos bons tempos apaziguava a rixa milenar, hoje não tem mais voz. Ninguém escuta.

No ano passado, Vladimir Pu­tin foi escolhido o “homem do ano”, e o próximo, é esperado que se­ja Donald Trump. Além do apoio escancarado a Israel, pouco se sabe da visão do novo presidente americano para o Oriente Médio. Acredita-se que os primeiros anos da nova administração serão voltados para os assuntos internos. Uma interferência de Trump na região é bem improvável. Os otimistas esperam que Trump seja pelo menos Donald Trump, o negociador, e que a sua política internacional esteja voltada para os negócios. Mas quem quer negociar com países instáveis e em permanente conflito? Não será nada fácil. O ano novo já começa velho, a instabilidade é a mesma de 2016, o ano que não quer acabar. A incrível dificuldade em capturar o líder do Estado Islâmico deverá continuar. Abu Bakar al Bagdadi há três semanas desaparaceu dos radares dos serviços de inteligência. Ninguém sabe onde está o homem mais procurado do mundo. E não se engane. A hibernação da Al Qaeda está terminando. E é o enfraquecimento do Estado Islâmico que irá acordar a organização terrorista.

A Síria, apesar do cessar-fogo, continuará sangrando. A Rússia de Vladimir Putin e a Turquia de Recep Taype Erdogan se preparam para dividir o país. E uma traição pode estar em curso. Bashar al-Assad não faz parte dos planos. Putin e Trump, os especialistas acreditam que irão se unir. E a coordenação entre as duas potências nucleares será estreita. Mas o que é consenso na região quando o assunto é previsão política da arena sangrenta que é o Oriente Médio, é que este ano um líder será assassinado. Quem será?

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