Herbert Moraes
Herbert Moraes

Mudança de embaixada dos EUA de Tel Aviv para Jerusalém pode ser explosiva

Mudança de endereço é o reconhecimento do governo de Donald Trump de que Jerusalém é a capital de Israel. O assunto é crucial em qualquer discussão sobre a paz no Oriente Médio, pois palestinos querem Jerusalém como sua futura capital

Todos os países com representação em Israel têm suas embaixadas estabelecidas em Tel Aviv. Deslocar embaixada para Jerusalém significa reconhecê-la como capital de Israel e isso é perigoso | Reprodução

Foram precisos apenas al­guns dias na Casa Branca para Donald Trump di­mi­nuir as expectativas sobre a mudança da embaixada dos Estados Unidos de Tel Aviv para Jerusalém. Sean Spicer, o porta-voz da Casa Branca, declarou, na semana passada, que “não existe nenhuma definição imediata sobre o assunto, e que as discussões ainda estão em um estágio inicial”.

A mudança abrupta no tom resulta do encontro entre a “turma” de Trump e as realidades que deverão enfrentar num Oriente Médio desgovernado e caótico. A equipe do novo presidente dos Estados Unidos já sabe que, ao mudar o endereço da embaixada em Israel, as consequências serão potencialmente perigosas e explosivas, não só para o Estado judeu, mas também para os americanos. Mas, diferentemente de alguns de seus antecessores, que também prometeram a mudança da representação americana em Israel para Jerusalém, mas não cumpriram, Trump garantiu que vai honrar a promessa.

Polêmica antiga

A discussão pode parecer polêmica, mas não é nova. Desde a criação do Estado de Israel, há quase 70 anos, que os Estados Unidos se recusam a reconhecer Jerusalém como sua capital. Pelo plano da partilha de 1947, quando a Palestina foi dividida, Jerusalém foi classificada como uma cidade internacional. Com a vitória israelense na Guerra de Indepen­dência, que se iniciou no dia seguinte à criação do Estado, o premiê David Ben-Gurion levou as instituições para a parte ocidental de Jerusalém e mudou o status da cidade para capital de Israel. O mundo inteiro esperneou, mas depois se adaptou à nova realidade. Desde então, os líderes que visitam Israel, incluindo todos os presidentes americanos e representantes de países árabes, vão a Jerusalém para falar com o primeiro-ministro e integrantes do Parla­­mento, apesar de não reconhecerem a soberania de Israel sobre a cidade.

Para a direita israelense e o gabinete de Benyamin Neta­nyahu, as promessas de Donald Trump são motivo de satisfação, principalmente depois de oito anos de amargura com a política do ex-presidente Barack Obama para a região, especialmente para Israel. O prefeito de Jerusalém, Nir Ba­r­kat, chegou a lançar uma campanha com outdoors espalhados pela cidade, agradecendo ao presidente Do­nald Trump e o encorajando a cumprir o que foi prometido.

Por outro lado, nos bairros árabes de Jerusalém oriental, a população e os líderes locais alertam para as consequências, tidas como incontornáveis. Os palestinos e praticamente todos os países árabes já disseram que a mudança de endereço da embaixada americana vai levar a região ao caos.

A mudança de endereço é o reconhecimento dos Estados Unidos de que Jerusalém é, de fa­to, a capital de Israel. E é justamente o “status quo” da cidade um dos pontos discutidos em qual­quer negociação de paz, já que os palestinos querem a parte oriental de Jerusalém como sua futura capital.

Nas últimas sete décadas os governos americanos se esquivaram dessa questão polêmica e a mantiveram distante do salão oval da Casa Branca. Não por acaso, até hoje as embaixadas de todos os países com representação em Israel estão em Tel Aviv.

Donald Trump: parece que vai cumprir a antiga promessa Benyamin Neta­nyahu: aguarda posição da Casa Branca

A ideia da transferência da embaixada americana para Jeru­salém surgiu em 1972, durante as eleições presidenciais, e desde então passou a fazer parte da promessa de campanha de todos os candidatos republicanos, mas logo depois voltava para a gaveta.

Em 1980, o Congresso passou a discutir a questão mas nunca formalizou uma decisão. No começo da década de 1990, as tentativas de legislar o assunto aumentaram, mas não avançaram, até que em 1995 o Congresso americano aprovou a matéria e, desde então, a cada seis meses, quando chega à mesa do presidente dos Estados Unidos, é postergada. O motivo é sempre o mesmo: a segurança nacional. O último a assinar esse termo foi o ex-presidente Barack Obama, em dezembro de 2016.

Uma das razões que levaram os presidentes americanos a não assinarem a decisão do Congresso é que uma mu­dança de tal proporção coloca em xe­que a habilidade dos Estados U­nidos em servirem como negociadores honestos entre Israel e o mundo árabe. Com a estagnação das conversas de paz, as consequências são imprevisíveis e perigosas, entre elas a escalada da violência na região — além do rompimento da frágil aliança que Israel tem com alguns países árabes, como a Jordânia e o Egito.

Se Donald Trump apoia Israel, como já disse diversas vezes, deveria focar sua energia na construção de um caminho para a paz. Mas, mesmo que atrase um pouco mais, a decisão já está acertada com o governo israelense. É apenas uma questão de tempo. O dia seguinte à mudança é que ainda é uma incógnita. A mudança será, se ocorrer, explosiva.

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opressor

se o trump fizer isso, estará de parabéns!

MARCOS Marinho

Simplesmente Jesus está voltando
Vigiai por é certa a Sua volta

kethleen

muito legal obrigado esta precisando mesmo disso