Herbert Moraes
Herbert Moraes

Jubileu controverso

Começaram as comemorações pelos 50 anos da Guerra dos Seis Dias, que marcam também a reunificação de Jerusalém

Foto: reprodução/ internet

Na semana passada, o governo de Israel iniciou uma série de even­tos em todo país mas principalmente em Jerusalém, para comemorar os 50 anos da Guerra dos Seis Dias que marca também a reunificação da Cidade Santa. O conflito que mudou os rumos e o mapa do Oriente Médio começou no dia 6 de junho de 1967, mas como o Estado Judeu segue o calendário lunar, as celebrações por aqui já começaram, e assim como em todos os anos, os discursos dos líderes israelenses são sempre inflamados e cheios de promessas em nome de Jerusalém, entre elas a de que a cidade jamais será dividida novamente.

Na cerimômia de abertura que marcou a reunificação, o primeiro-ministro Benyamin Netanyahu disse: “aqui estamos em gratitude pela glória de Jerusalém, nosso orgulho e nossa eterna capital”. O prefeito da cidade, NIr Barakat, exaltou o “grande momento” que Je­rusalém está vivendo, onde grandes obras de infraestrutura po­dem ser vistas por toda cidade, co­mo o metrô de superfície, o trem-bala e o teleférico que será construído entre o Muro das La­men­tações e o Monte das Oliveiras.

Mas coube ao presidente Reuven Rivlin admitir que apesar de unificada, Jerusalém continua dividida: “Entre a parte ocidental e oriental de Jerusalém existe um grande abismo. A parte oriental de Je­rusalém retrata níveis insuportáveis de pobreza, de falta de infraestrutura e de negligência prolongada”.

Meio século se passou desde que Jerusalém tornou-se uma só novamente. Mas o tempo para palavras vazias sobre o fututro da cidade parece que está se esgotando. Os governos israelenses e os prefeitos da cidade que vieram desde então tiveram tempo suficiente para corrigir as injustiças, interromper a negligência, erradicar a pobreza e lançar projetos que de fato unificariam Jerusalém. Cinquenta anos é tempo suficiente também para julgar o que foi feito de bom e ruim no local mais disputado do mundo. O retrato que se tem é pertubador.

Jerusalém é a única capital do mundo onde 40% de seus moradores não são considerados residentes do país. Na parte oriental, onde moram os palestinos, 80% da população vive abaixo da linha de pobreza e mais de 80% das casas são consideradas construções ilegais pelo governo israelense. Em Jersusalém oriental 90% dos estudantes do ensino médio seguem o calendário escolar palestino. Na cidade que o primeiro-ministro diz ser unificada há dois sistemas de transporte público, um para judeus e outro para árabes, duas companhias elétricas, dois tipos de status civil e um muro gigante que divide a cidade em duas. Jerusalém é também a única capital de um país não reconhecida pela comunidade internacional. Não há embaixadas em Jerusalém, as representações diplomáticas estão sediadas em Tel Aviv, a capital de Israel segundo as Nações Unidas. Até mesmo o grande amigo de Israel, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuou na semana passada na promessa de campanha em transferir a Embaixada dos EUA em Tel Aviv para Jerusalém.

Demonstrações de poder e controle não apagam o fato que Jerusalém é uma cidade dividida. Já está na hora de encontrar uma solução política para o problema cinquentão. Só assim a realidade de Jerusalém poderá ser refletida.

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abu

Que desconhecimento da História. Péssimo artigo.