Herbert Moraes
Herbert Moraes

A guerra que estava faltando

Israel promete pulverizar o Hezbollah e o grupo anuncia que responderá com uma chuva de milhares de mísseis

Veículos atacados perto da aldeia de Ghajar, na  fronteira de Israel com o Líbano: ataque com mísseis  do Hezbollah mata dois soldados israelenses  | Maruf Khatib/Reuters

Veículos atacados perto da aldeia de Ghajar, na fronteira de Israel com o Líbano: ataque com mísseis
do Hezbollah mata dois soldados israelenses | Maruf Khatib/Reuters

 

A morte de soldados israelenses é sempre lamentada à exaustão pelo país inteiro. A comoção é geral. Na última quinta-feira, foram enterrados os dois militares que morreram depois de um ataque do grupo xiita libanês Hezbollah. Militan­tes acertaram um veículo que patrulhava a região de Har Dov, na fronteira de Israel com o Líbano. Um míssil antitanque destruiu o carro militar. Além dos mortos, outros sete soldados ficaram feridos. A Força Aérea reagiu na hora, respondeu com artilharia e atingiu várias localidades ao sul do Líbano, mas com restrição. Um soldado pacificador da ONU acabou sendo atingido por engano e também morreu.

O incidente poderia, certamente, ser o pretexto do início de mais um conflito. Mais uma guerra. Só que nenhum dos dois lados demonstrou vontade de dar sequência à violência, e quase que ao mesmo tempo declaram que “estavam conversados”.

Na semana anterior, Israel tinha atacadou um comboio na Síria que matou membros importantes do Hezbollah. O filho de um dos fundadores do grupo considerado o príncipe dos xiitas libaneses também morreu e para a surpresa de todos, os outros seis mortos eram iranianos, entre eles um general. O Hezbollah prometeu vingar o ataque e o fez. Mas a retaliação veio de forma calculada e restrita. O alvo: militares israelenses. Pelo menos dessa vez os civis foram deixados de lado.

Rapidamente o Exército declarou a região norte de Israel zona mi­litar fechada. Uma estação de esqui, que nessa época do ano fica lotada de turistas e esquiadores profissionais, foi evacuada.

Estradas foram bloqueadas, tropas convocadas em regime de emergência e até na­vios militares israelenses foram avistados navegando em águas libanesas. Houve uma movimentação para o início de uma terceira guerra com o Líbano, mas alguém puxou o freio.
Israel é um país propenso a guerras. Mas com o aumento do extremismo árabe e o fanatismo islâmico, não há como escapar de um conflito aqui e ali a cada dois anos ou até menos. É uma sina. O país foi erguido sob um vulcão em atividade que vez ou outra entra em erupção, o que forçou os israelenses a aprenderem a viver lado a lado com a tragédia.

O Hezbollah — ou o Partido de Deus, como é conhecido o grupo libanês — é uma organização fascista, forte, perigosa e agressiva. Enquanto muitos israelenses veem a questão palestina como movimento nacionalista, com o Hezbollah não é o mesmo caso. O grupo transformou o sul do Líbano num sub-estado conhecido como Hezbolas­tão. Portanto, não há como comparar um Estado democrático como Israel ao totalitarismo terrorista praticado pelo grupo.

Não há interesse de um conflito nem pelo lado de Israel nem do Hezbollah. Mas a escalada da semana passada foi um sinal de que o terceiro round está a caminho. Só que a próxima guerra será devastadora. Israel promete pulverizar o Hezbollah e o grupo já anunciou que uma chuva de milhares de mísseis vai cair sobre o inimigo judeu. Dessa vez, foi a prudência que evitou a catastofre, mas até quando os dois lados vão se segurar, ninguém sabe. Quando começar, não poderão voltar atrás, e o resultado certamente será trágico.

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