Herbert Moraes
Herbert Moraes

A Faixa de Gaza pode ser a solução

Se Israel e países árabes trabalharem juntos pela reconstrução da região, estarão evitando uma nova guerra e pavimentando uma nova ordem regional

Palestino chora na Faixa  de Gaza após um ataque: quando virá a paz à região?

Palestino chora na Faixa de Gaza após um ataque: quando virá a paz à região?

Um quarto da população mundial está cumprindo o jejum do mês do Ramadã. Durante quatro semanas, os muçulmanos ficam sem comer e sem beber, desde o nascer ao pôr do sol. A palavra árabe para jejum é “sawn”, que significa, literalmente “abster-se”– não só de comidas e bebidas, mas também de más ações, pensamentos e palavras. É um mês de sacrifício. O Ramadã é um dos cinco pilares do Islã. Uma época sagrada, que cai em datas diferentes, ano a ano, devido ao calendário lunar. Em 2015, o Rama­dã chegou com o verão. Há muito tempo não se via um verão tão escaldante como o desse ano, e há muito tempo não se via um Ramadã tão violento como o de 2015. Massacre de turistas na Tunísia, mesquitas lotadas indo pelos ares no Kuwait, a morte de dezenas de soldados no Sinai. Isso em apenas duas semanas.

A situação está fora de controle no mundo árabe. O fracasso da Primavera Árabe e a ameaça terrorista que se espalha por todos os países da região trouxeram à tona fúria e frustração. Em tempos de crise, sentimentos como esses são combustível ideal para grupos como o Estado Islâmico, Hamas e outros, que agem clandestinamente. E são muitos.

Há um ano, Israel estava em guer­ra com o Hamas. A operação militar batizada de “limite protetor” deixou mais de 2 mil mortos, entre eles 500 crianças. A Faixa de Gaza foi devastada de tal forma que a reconstrução deverá levar anos. E ainda nem começou. O conflito provocou também o colapso das negociações de paz, e desde então não houve qualquer tentativa de reaproximação. Pelo contrário, os líderes palestino e israelense parecem que não aprenderam a lição com a tragédia do verão passado. Não há um processo de paz regional ou local. Não há nada. E é no vácuo que ex­tre­mistas palestinos e israelenses infernizam.

Desde a criação do Estado de Israel, em 1948, que o país é o “culpado” de todas as mazelas dos vizinhos árabes. Mas a malfadada Primavera Árabe e o advento de grupos terroristas ainda mais poderosos que a Al-Qaeda foram suficientes para que essa mentira, utilizada por déspotas como Muhamar Kadafi, Saddam Hussein, Bashar al-Assad e tantos outros, fosse desmascarada. Não são os israelenses que fazem com que árabes afoguem outros árabes em gaiolas afundadas em piscinas. Não é Israel que está levando extremistas muçulmanos a cortarem cabeças de cristãos indefesos no norte da África.

O Oriente Médio é uma região violenta por natureza, onde liberdade, compaixão e direitos humanos são inexistentes ou utopias. Nos últimos quatro anos, um furacão vem devastando a região, matando milhares e desabrigando milhões de pessoas. E Israel não é o responsável por essa catástrofe. E também não vai nem pode resolver os problemas do Oriente Médio sozinho. Mas isso não significa que não pode fazer nada.

Se é durante as crises que surgem as soluções mais geniais e as oportunidades, uma nova iniciativa poderá ajudar a evitar mais um round de violência e afastaria, temporariamente, o caos que se aproxima. A Faixa de Ga­za deve ser o foco principal dessa iniciativa, além de uma nova aliança entre Israel e os países sunitas moderados, sob a proteção dos Estados Unidos.

Na Faixa de Gaza, água potável é raridade. Se as conversas “secretas” se concretizarem, uma usina de dessalinização poderia ser construída no território palestino, com tecnologia israelense, financiamento saudita e garantias egípcias. Um porto também financiado pelo Egito e Arábia Saudita poderia facilitar o acesso dos palestinos ao mar, sem, é claro, afetar a segurança de Israel. Um projeto de reconstrução em massa, de casas, ruas e até cidades inteiras estaria no pacote, que, em algum lugar do Oriente Médio, está sendo discutido. Num futuro próximo, não haverá acordo de paz com o Hamas, mas pode haver um pacto de não agressão.

Se Egito, Arábia Saudita, Jordâ­nia, Israel e Emirados Árabes trabalharem juntos pela reconstrução de Gaza, estarão ao mesmo tempo evitando uma nova guerra e pavimentando um caminho para uma nova ordem regional, onde a paz está baseada na estabilidade, por enquanto, coisa rara aqui no Oriente Médio.

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Coisas Judaicas

Para tudo isso dar certo, será necessário antes, Liquidar com o El e o Hezbollah. Sem isso será ficar enxugando gelo.

Ivo

A motivação de toda essa violência no mundo do islamismo não será afastada pela prosperidade oferecida pelo ocidente ou qualquer pais. A motivação dessa loucura vem do fanatismo religioso oferecido pela doutrina islâmica durante séculos de barbaridades do islã.