Herbert Moraes
Herbert Moraes

As imagens da agonia

Diariamente, nos últimos cinco anos, milhares de crianças morreram ou ficaram seriamente feridas numa guerra insana 

Omran Daqneesh, de 5 anos, em estado de choque: imagem de desespero  Corpo do pequeno Allan Curdi: imagem que chocou o mundo no ano passado

Omran Daqneesh, de 5 anos, em estado de choque: imagem de desespero
Corpo do pequeno Allan Curdi: imagem que chocou o mundo no ano passado

A imagem é devastadora. Um menino, coberto de poeira e sangue, sentado,sozinho, encara a câmera. Em choque, o garoto, identificado como Omran Daqneesh, de 5 anos, aguarda atendimento dentro de uma ambulância, enquanto sua família é retirada dos escombros da casa onde moravam num bairro controlado por rebeldes em Aleppo, no norte da Síria.

A área foi fortemente bombardeada na quarta-feira passada por caças russos que dão apoio ao ditador Bashar al-Assad na guerra civil que consome o país há cinco anos. Omran foi uma das 12 criancas com menos de 10 anos, que saíram com vida do ataque e foram retiradas do que restou do prédio onde estavam. Histórias como do garotinho viraram rotina em Allepo, uma das cidades que o governo sírio tem dificuldades em retomar. Bairros como o que Omran morava sao redutos de grupos que lutam contra as tropas de Assad. Ao longo dos anos em que a Síria vem sendo destruída pelo conflito, algumas imagens foram capazes de provocar reações mundo afora que pedem o fim do guerra, e a foto de Omram é uma delas. Assim que foi publicada tornou-se a imagem mais acessada na Web em todo planeta.

Em setembro do ano passado, a imagem que ecoou a angústia global pelo fim do conflito veio da Turquia. Quem não se lembra do pequeno corpo de Allan Curdi, sem vida, às margens de uma das mais belas praias do litoral turco? Imagens como a de Allan ou de Omran acabam superando o dia a dia da carnificina que ocorre na Síria, e de alguma forma tornam-se imagens icônicas do conflito. A imagem de Omran, ferido, tornou-se o símbolo da agonia de Allepo. O emblema do desespero que vive o povo sírio.

São casos como esse que nos fazem lembrar que, diariamente, nos últimos cinco anos, milhares de crianças morreram ou ficaram seriamente feridas numa guerra insana que nem mesmo as maiores potências mundiais são capazes de interromper. Até quando?

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