Do Leitor
Do Leitor

“Um professor de língua deve ser um pesquisador da língua”

Professor Marcos Bagno: entrevista polêmica em debate | Fernando Leite/Jornal Opção

Professor Marcos Bagno: entrevista polêmica em debate | Fernando Leite/Jornal Opção

LAURA DUARTE

Muito boa a entrevista com o professor Marcos Bagno (Jornal Opção 2084), de quem sou fã. Só questionaria dois aspectos. Um é quanto a divisão entre professores e pesquisadores na universidade. Sou formada em letras na USP [Universidade de São Paulo] e agradeço profundamente ao curso justamente por me oferecer os dois tipos de formação. Acredito que, para formar esse tipo de professor — que possa ensinar a usar e a pensar a língua —, é sim necessária uma formação linguística e literária de profundidade que se confunde com o trabalho do pesquisador. Um professor de língua deve ser um pesquisador da língua. Também estudei na Argentina e acho que, apesar da incrível qualidade, falta espaço para o estudo das línguas estrangeiras de forma científica. Quanto às políticas linguísticas do Brasil no exterior, concordo que ainda falta muito. Mas não dá pra esquecer das “Casas do Brasil”, que existem em vários países e promovem o estudo da língua e cultura brasileiras.

Laura Duarte é professora.
E-mail: [email protected]

“O linguista Bagno é um símbolo do retrocesso”

MOACIR ROMEIRO

Gostaria de ter participado da entrevista com o sr. Marcos Bagno, para mostrar as incongruências da fala dele. Na ânsia de defesa de seu discurso corrompido, ele mente para o leitor. As línguas acompanham sempre o progresso ou o retrocesso ideológico e moral dos povos, já disse um excelente escritor; e o linguista Bagno é um símbolo do retrocesso moral e ideológica da sociedade brasileira.

Moacir Romeiro é professor.
E-mail: [email protected]

“Qualquer tentativa de “filtragem” da rede é censura”

MARCO LEMOS

Li o texto “Entre bichas, padres, vadias e sheherazades perdemos o que jamais tivemos: a cidadania” (Jornal Opção 2084) e discordo do articulista Henrique Morgantini. Redes sociais são o que são, não o que desejaríamos que fosse. Portanto, há trigo e joio à vontade, e qualquer tentativa de “filtragem” disso é censura.

Tenho como lamentável que a rede se torne terreno de pugilatos ideológicos, mas esse é um ônus da livre manifestação de pensamento. Segundo Rosa Luxemburgo, liberdade é sempre e fundamentalmente a liberdade de quem discorda de nós — e estamos conversados. Os dois casos narrados são apenas expressões de lutas políticas. No caso da vereadora [Tatiana Lemos, do PCdoB], ela se simpatiza com a sexualidade alternativa e quer favorecer os grupos LBGT. No caso do deputado [Major Araújo, deputado estadual pelo PRP], ele quer conferir maior ressonância ao trabalho e às posições da jornalista Rachel Sheherazade, e isto certamente porque ele, deputado, e a jornalista são críticos do PT e da esquerda de um modo geral.

O que penso? Ora, a jornalista, de fato, não tem qualquer especial vínculo com Goiás. Mas isso é um problema do deputado e da Assembleia Legislativa. Não me cabe (e acho que a ninguém) achar bom ou ruim uma proposição feita por quem pode fazê-la — e o que os deputados decidirem, contra ou a favor, será isso que vai prevalecer. E fim de papo. De outro lado, sou contra o Estado financiar igrejas, clubes sociais e esportivos, ONGs (afinal, não são elas “não governamentais”?) e entidades de favorecimento a minorias. Não aceito que dinheiro público seja gasto dessa forma. A vereadora é livre para propor o que quiser, e a Câmara está à vontade para deliberar e aprovar ou rejeitar. Se aprovar, a questão passa à alçada do prefeito [Paulo Garcia], que pode sancionar ou não. Intolerância, ódio, hostilidade? Ah, tem demais. Basta, se for o caso, levar o caso à justiça.

Marco Lemos é desembargador.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.