Do Leitor
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“Torcida única: futebol e sociedade, um empate justo”

vila nova

ANTÔNIO LOPES

O Campeonato Goiano toma gosto novamente pela bola e corre, a partir deste fim de semana, de pé em pé e no gramado. O mercado da bola corre atrás do gol que dita quem perde, a equipe que vence e, num piscar de olhos, qual ser humano se (des)qualificará, nesta temporada, para a fama efêmera capaz de gerar o lucro — segundo os marxistas —, a mais valia incontável além da superexposição e projeção da imagem, que a partir deste momento, se torna mais um fetiche destinado ao mercado.

A interação humana proporcionada pelo esporte gera consequências saudáveis da necessidade básica de todo sujeito que, ao alcançar e exercer seu direito constitucional destinado ao lazer, promove “per si” a agitação da massa de trabalhadores que balança bandeiras, retratada numa arquibancada dividida entre sonhos e a própria história. Um time é capaz de mover e articular toda a cidade e seu povo através da milionária vertente desportiva (engolida pelo sistema capitalista), à qual os ingleses nominaram “futebol”.

A filosofia revela que, pelas vias da alma, expressam-se mente e corpo. Coletivizados, desaguam numa arrancada movida a forças físicas e mentais, semente da possibilidade — hoje remota — da convivência em paz e pela paz promotora do Estado de bem-estar social o qual gera inclusão, move a massa, o mercado e muita moeda. Os fatos policiais retratados nas diferentes formas de violência fotografados, falados e impressos por diferentes formas de mídias local e internacional acusam uma sociedade fora de foco, com comportamento histérico, quando o senso comum abrange e suprime a ética e a moral das cidades, segundo a polícia: a paz urbana. A ordem política que determina o homem, incapaz de se (re)ordenar, nada mais faz que seguir os princípios da natureza, o (re)aproximando das leis que regem o universo.

A decisão das autoridades estatais pós-modernizadas ligadas à questão do esporte que determina o jogo entre duas equipes, mas com uma torcida só, abrange também a logística de polícia e revela os bastidores de um poder de força o qual, apesar do nome, não se impõe pela ordem pura e simples, natural. Ao contrário, denuncia sua falta de força moral e mais ainda, “um amontoado de loucos”, sem nexo tampouco juízo, ditos torcedores (in)capazes de enxergar no outro não um adversário no campo do esporte saudável, mas o inimigo mortal e que deve ser combalido, dentro e fora dos limites do campo, até mesmo fora dos alcances do estádio.

Primordial — tal qual o gol que a define —, uma partida determina a alegria efêmera de uma torcida ou a frustração saudável e desportiva de outra. No desenrolar das reuniões entre dirigentes e atletas, burocratas e patrocinadores, devidamente assistidas pelas gestões privada e estatal torna-se essencial (tal qual os times, o juiz e bandeirinhas, a bola e o gol numa partida) que estes atores permitam sentar à mesa de negociações também a ética e a moral.

Na promoção da paz no futebol caminha os passos estreitos da segurança do avô que leva ao estádio o filho e neto. O desenrolar da história e da economia de mercado ali estão representados no vigia de carros que nos conta histórias, na compra do ingresso para as cadeiras ou arquibancada que gera impostos, no saquinho de pipoca com ou sem sal, e ainda na figura do vendedor dos rádios de pilha os quais anunciam as vozes de quem narra mais um gol gritando que “é nosso, é nosso… é nosso!”.

Goiás detém inúmeras representatividades sócio-históricas, econômicas e políticas, em sua grande maioria, de umbigo colado ao coldre, às esporas e ao latifúndio delimitado pela última pegada do gado. O tempo se encarrega de tudo e, segundo a Psicologia So­cial, de todos. A sociedade moderna, segundo Lyotard [Jean-Fran­çois Lyotard, filósofo francês], tornou-se “um coletivo destinado e dominado pelos signos” que valoriza marcas que ditam a moda, o comportamento e também o consumo.

Aos humanos, com aquilo que ainda lhes sobra de humanidade (sentada e aguardando no banco de reservas), resta a certeza concreta e, talvez por isso mesmo, de profundo teor filosófico que prega e avisa que as cidades ainda são o palco e “lugar simbólico para sua imaginação, o que sugere a subida para a melhor parte de nós, ou seja, aquela que ainda acredita que o mundo, hoje, precisa de novas ‘acrópoles’, feitas não de pedra, mas de seres humanos. Erguida no seio de nossas cidades, onde as pessoas podem crescer internamente e restabelecer os laços profundos que nos conectam com os outros e com a natureza”.

Se o futebol se expressa com gingado, malícia, imaginação, força física e trabalho em equipe, a vida não foge à risca e sempre é bom lembrar que, mesmo do canto do quadrado, ali dentro da marca do escanteio, existe a possibilidade de se fazer um gol de placa, a conhecida “folha seca” ou, segundo o adversário, uma jogada de mestre e de sorte, impossível de ser ensaiada.

A educação e o respeito ao próximo não dependem do manto nem da cor de que este se reveste. O princípio é tudo, primordial como o gol que decide, alegra, enfeitiça e entorpece. Princípio que (co)existe nas mais variadas acepções. De acordo com Aristóteles: “É o elemento primeiro e imanente do futuro, ou de algo que evolui ou se desenvolve (as fundações de uma casa, o coração ou a cabeça dos animais)”.

Lembrando que os animais irracionais só matam por instinto e fome, jamais enquanto gangue ou falange, por causa da cor da bandeira ou vitimados pela ignorância e o ódio/demência urbano-coletiva, subproduto da falta de educação e da mazela socioconjuntural. Mas o pulso… ainda pulsa!

Antônio Lopes é assistente social e mestrando em Serviço Social pela PUC-GO.

“O grande desafio do Brasil é achar um governo comprometido com o povo”

GREICE GUERRA

Sobre o Editorial “Ideias de Da­ni Rodrik, Francis Fukuyama e Armínio Fraga para melhorar o governo de Dilma Rousseff” (Jornal Opção 2116), vejo que todas as três análises possuem seus fundamentos e pertinências. O Brasil é um país muito rico em recursos naturais, grande em extensão territorial ,sol ao longo do ano, chuvas, pouca ou quase nenhuma incidência de abalos sísmicos etc. Ou seja, o País possui um grande diferencial natural em relação a outros países do mundo. Já sai na frente só por ter esses fatores de produção naturais.

O grande problema é a má gestão destes fatores, a corrupção e a falta de compromisso do governo com a sociedade. Isso sem contar a falta de efetividade no cumprimento das leis. Precisamos de governabilidade, precisamos de políticas que estimulem a produção, que ajudem a micro e a pequena empresas, que compõem o setor que mais emprega, o setor que mais gera emprego, arrecadação e renda e, no entanto, é o mais sacrificado. Precisamos de uma legislação trabalhista mais atualizada, que não onere e muito menos discrimine tanto as empresas! De nada adiantam também políticas fiscais e monetárias severas que comprometam o setor produtivo e a sociedade. É como se o governo trabalhasse contra ele mesmo. É como se o governo tratasse os efeitos da crise e não as causas.

O grande desafio que enxergo é achar um governo comprometido com o povo. Quando o governo quer e está disposto a “fazer”, ele “faz”, possui os meios e as ferramentas para tal! É uma questão de governar beneficiando a sociedade e o setor produtivo, e não apenas a si próprio ou favorecendo determinados grupos. O problema é achar o governo que tenha esses objetivos. Eis o grande desafio, ainda mais no Brasil.

Greice Guerra é economista.

“Na Venezuela, um projeto de inclusão de verdade”

vivienda

ITAMAR OLIVEIRA

Conheci o projeto Vivenda na Venezuela. Foi o projeto habitacional social mais fantástico que vi. O governo de lá desapropriava áreas grandes centrais e aí construía prédios com unidades habitacionais. Na área, fazia uma horta urbana, construía um mercado com as coisas ao preço mais barato, para ele sentir o peso dos preços de uma área nobre. Enfim, esse sim era um projeto de inclusão de verdade.

Itamar Oliveira é 2º vice-presidente da Associação Nacional dos Engenheiros Ambientais (Aneam).

“Cidades inteligentes: tendência ou necessidade?

NELSON OSÓRIO

Desenvolvimento, aumento populacional, migração e movimentação de pessoas. Todos esses itens convergem para o crescimento das cidades. Em 2011 a população mundial era de sete bilhões de pessoas, das quais 50% localizavam-se em áreas urbanas. O crescimento exponencial observado no último século nos permite projetar os desafios vindouros: crescimento da circulação de veículos em vias públicas, aumento no consumo de energia, elevada necessidade por conectividade à internet, entre outros.

O avanço descontrolado é o principal causador de um cenário caótico para nossa sociedade. Mas, tendo em vista esse inevitável – e necessário – crescimento, há um desafio ainda maior a ser superado, que é o crescer de forma planejada e controlada. Felizmente, a resposta existe e já está ao nosso alcance: “Cidades Inteligentes”! Por meio da aplicação de uma arquitetura tecnológica integrada que aborde os problemas de maneira transversal e realize, assim, a gestão cruzada da informação para, de forma holística e inteligente, melhorar a eficiência e a prestação de serviços à população.

Para alcançarmos essa perspectiva sistêmica de “cidade inteligente” – na qual os sistemas interagem de maneira compassada e estruturada – é necessário a existência de um ambiente que permita a integração dos atores e respectivos sistemas que, de forma ágil, sustente as suas operações. Este ambiente é conhecido como Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) que, por definição, é composto de ambientes complexos de infraestrutura e tecnologia, os quais acrescentam inteligência às operações. Isso acontece por integrarem informes e informações gerando, desta for­ma, o conhecimento necessário que permitirá às instituições a atuarem de maneira colaborativa. Devido aos benefícios advindos dessa sinergia, os centros têm sido utilizados por empresas, órgãos governamentais e outras instituições.

Tecnicamente, parece algo complicado e apenas existente na teoria. Porém, é possível entender com facilidade quando vemos isso tudo aplicado, por exemplo: em Barcelona (Espanha), onde o acesso ao sistema de trânsito foi disponibilizado para que pedestres e motoristas pudessem acompanhar, por meio de seus smartphones, a melhor opção para se locomover no município. Outro bom exemplo é Seul (Coréia do Sul) que, além de permitir o acesso ao sistema de trânsito, a administração de trânsito aposta na troca de informações por meio digital com os moradores, a fim de identificar o mais rápido possível as demandas da população. Desse modo, por meio de CICCs, as cidades estarão equipadas para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, a eficiência no uso dos recursos à sua gestão como um todo.

Esses são apenas alguns exemplos de iniciativas específicas que aplicam esse conceito e benefícios de inteligência e integração em escala global, permitindo, assim, que vislumbremos a cidade agindo como um organismo de forma integrada – algo extremamente necessário para suportar seu crescimento exponencial!

Felizmente, temos muita tecnologia disponível a ser aplicada e que poderá viabilizar a realidade descrita. Para tanto, a escolha do fornecedor que permitirá toda essa mobilidade deverá passar pelo crivo da expertise e qualidade de serviços necessários para conceber, implementar e prover a manutenção de projetos integrados de grande complexidade – algo de extrema necessidade por conta, principalmente, do desenvolvimento das áreas urbanas. Afinal, iniciativas como essa poderão, inclusive, colaborar com a evolução da segurança pública, melhorando, assim, a sociedade como um todo.

Nelson Osório é consultor.

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