Do Leitor
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Sobre “Eleitor não banca candidato que, não sendo gestor, quer usar Goiânia pra obter experiência” [Jornal Opção, Editorial, 2146]:

“Mau gestor é um mau negócio para o bolso do eleitor”

Gilberto Marinho

O eleitorado não pode ser analisado de forma global. Por alto, deve ser dividido em, pelo menos, dois tipos: o primeiro, a maioria, vota por fatores emocionais e, dessa forma, vota sem levar em conta fatores racionais e sem perceber que, no fim das “contas”, ele é que vai pagar o pato. O outro tipo é o leitor esclarecido e bem informado que tem os meios intelectuais para perceber os benefícios e/ou malefícios de uma escolha.

É evidente que nesse segundo tipo de eleitor há aqueles que votam ideologicamente. Mas os demais têm condição de perceber que o principal objetivo do mau gestor é aumentar a arrecadação (impostos) para manter privilégios e uma corte de correligionários. E aumentar impostos, direta e indiretamente. Exemplo de aumento indireto: o anúncio de que o boleto do IPTU deixará de ser enviado – e que caberá ao contribuinte imprimi-lo – criará confusão e dificuldades para o contribuinte, resultando no aumento do volume de multas, aumentando, portanto, a arrecadação. Ou seja, o mau gestor é um mau negócio para o bolso do eleitor.

Gilberto Marinho é jornalista.

“Será que experiência é realmente importante?”

Antônio Macedo

O eleitorado é bem heterogêneo. Um número significativo de eleitores segue o partido político e é fiel a ele, mesmo quando não gosta do candidato. Outro número expressivo é influenciado pela mídia, pelas pesquisas. Temos ainda um bom número não ligado a partidos políticos e que avalia experiência e honestidade. Será que experiência é realmente importante? Iris Rezende e Marconi Perillo, respectivamente eleitos pela primeira vez para prefeito e governador, fizeram uma administração com uma ótima aprovação popular. E existem aqueles políticos com reiteradas passagens pelo poder que não conseguem atender os anseios da população.

Antônio Macedo é médico dermatologista.

“Novo prefeito eleito deverá ver economia e gestão acima da política”

João Bosco de Carvalho Freire

A economia em si (Global) é apolítica, escolhendo seus caminhos por outros mecanismos independentes de quem está no governo A ou B. Ela manuseia, mas não se submete. Quando Fernando Collor de Mello deixou definitivamente o governo, houve um grande fluxo de investimentos externos que aguardavam a estabilidade política. Houve uma súbita melhora na economia e os investidores bem orientados tiraram proveito antes e após o momento. É possível que isso ocorra novamente quando Michel Temer assumir definitivamente. Enquanto houver mínimo risco, isso não acontece.

Quero dizer com isso que é necessário, além de popularidade e ideologia, o traquejo com a economia e um razoável potencial para a gestão. Disso advirá ou não o sucesso do mandato. Uma visão macro e micro da situação e como reagir a ela são indispensáveis ao novo eleito, que deverá ver a economia e a gestão acima da política, uma vez instalado no poder. Temer sinalizou bem aos investidores, logo no primeiro dia, com a medida 727 e a indicação de Henrique Meirelles. Isso é válido também para os governos estaduais e municipais extensivamente, uma vez que a economia é a base para a realização, no campo social, da saúde, educação, segurança e demais áreas.

João Bosco de Carvalho Freire é advogado.

“Zé Mulato & Cassiano são ‘maiores’ que Pena Branca & Xavantinho”

Arnaldo Salu

Muito boa a lista “As 13 maiores duplas sertanejas de todos os tempos” [Opção Cultural, 2089). Vai repercutir, e causar polêmica também. Muitos não vão concordar o artigo, apesar das ótimas (e engraçadas) justificativas do historiador Ademir Luiz. O resultado da “complexa equação envolvendo valor histórico, influência, permanência, proposta estética e representatividade em seu período de atuação” na ponta do meu lápis faz, por exemplo, com que não concorde com a inclusão de alguns nomes e a exclusão de outros.

Nomes como Raul Torres & Florêncio, grandes intérpretes das músicas do lendário João Pacífico, que atuaram por 30 anos, até o ano de 1970, e eternizaram clássicos como “Cabocla Tereza”, “Pingo d’água” e “A moda da mula preta”, e que exerceu grande influência na origem estético-musical das duplas subsequentes, inclusive Tonico & Tinoco, não poderiam estar fora de uma lista de maiores de “todos os tempos”.

Em sua equação, um elemento deve ser considerado: a regionalidade. A música batizada pela indústria fonográfica como sertaneja, e de fato a música caipira, antes das facilidades de comunicação tão comuns na atualidade, nos idos dos anos 30, 40 e 50 do século passado, contava somente com o comércio de discos, das apresentações musicais e do rádio ainda pouco difundido nos rincões do País para chegar aos ouvidos do público. Desse modo, muitas duplas tiveram grande repercussão, valor histórico e representatividade regional.

Ainda nos tempos mais recentes acredito que esse fator deve ser considerado. Acredito, por exemplo, que Zé Mulato & Cassiano, dupla de Brasília com reconhecimento nacional (ganharam o Prêmio Sharp em 98 e o Prêmio da Música Brasileira em 2015, ambos na categoria música regional e eram considerados por Inezita Barroso como a dupla mais representativa da música caipira na atualidade) são “maiores” que Pena Branca & Xavantinho.

De qualquer forma, gostei de observar Ademir Luiz interessado em um tema da cultura caipira para além do trabalho de orientação acadêmica. Gostei de ver também seu pai antenado nos novos talentos da viola, como Mayck & Lyan. Fale para ele procurar também por Lucas Reis & Thácio e também um tal de João Carreiro.

Arnaldo Salu é cineasta.

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