Do Leitor
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“A população goianiense aceita cumprir ordens sem pensar nas consequências”

Samarone Oliveira

Goiânia é estrategicamente pensada para não ter mobilidade urbana. Fui à aula pela linha 263 – PC Campus. Ao passar pela catraca, minha carteirinha – com crédito, diga-se – estava bloqueada. De fato ela está muito velha e eu havia solicitado uma segunda via, no dia anterior.

Já no Conjunto Itatiaia, pedi, educadamente, ao motorista, que parasse onde ele habitualmente para, a fim de eu comprar sit pass, uma vez que minha carteirinha não estava funcionando. Desci do ônibus, cheguei até a banca e a moça me disse que não vendiam sit pass ali. Que apenas recarregavam carteirinhas.

Voltei ao motorista e disse isso. Mas, para minha surpresa, aquele pobre trabalhador, formatado pelo discurso de seus patrões, veio brigar comigo. Era como se eu tivesse culpa pela miséria da carteirinha não ter funcionado. E ele continuou falando que eu, ou quem quer que fosse, deveria ter carteirinha – funcionando – porque não existe sit pass para vender (algo que eu nem sabia).

Perguntei a ele: mas e quem não é daqui, como faz para usar transporte coletivo? E quem chega em Goiânia em um fim de semana, que é dez vezes pior para pegar transporte coletivo, o que deve fazer? Não andar de ônibus? Não se locomover?

Nesse momento, uma mulher que me ouvia corroborou comigo dizendo não ser daqui e estar passando por esta situação. Resumo da ópera, o motorista não quis receber, ninguém me vendeu o inferno da passagem e eu tive que sair pela frente, discutindo com o pobre senhor, obviamente. Tentando mostrar que ele também era a parte frágil dessa situação.

Falei alto e em bom som com as pessoas que estavam no ônibus. Disse que essa política estava errada e que as pessoas precisavam também protestar, não podiam aceitar que o ir e vir delas ficasse prejudicado dessa forma. Algumas até concordaram comigo. Mas, a grande maioria, fez como é típico da população goianiense: viraram a cara e fizeram de conta que não era com eles. Aliás, quando se trata de transporte público, o goianiense tem vergonha de usar ônibus, porque, na nossa mentalidade provinciana, ter um carro é sinônimo de status social. Logo, lutar por melhorias no transporte público é coisa para estudante, doméstica, funcionário de subemprego etc.

É por ser assim que nada muda. É por ser assim que nada vai mudar em Goiânia (e não apenas no transporte coletivo). Não muda e não mudará porque a maioria da população, simplesmente, aceita cumprir ordens sem pensar nas consequências das mesmas. As pessoas, simplesmente, aderem às ordens e ainda caem matando em quem faz ou fala alguma coisa. Vejo isso muito no Facebook e nos jornais de Goiânia.

Enfim, não fui grosso. Mas reclamei. Falei alto e falarei. Quantas vezes for necessário. Por isso e por muito mais. Não tenho a pretensão de mudar nada nem ninguém, ainda mais sozinho. Mas, ter “paz” ao colocar a cabeça no travesseiro, já é suficiente.

Samarone Oliveira é mestrando em Filosofia Política na Universidade Federal de Goiás.

 

“Resta aos impressos ancorar análises e opiniões sobre os fatos”

Donizete Santos

Será que não enxergam que o problema de “O Popular” não é o moderno formato germânico, mas questão de conteúdo mesmo? Nos novos tempos, em que a informação navega na web, dá preguiça ler um “Magazine” [suplemento do diário goiano] que insiste em publicar coisas frias do que acontece no Rio e em São Paulo e quase nada daqui.

Como as informações fluem em velocidade na web, resta aos impressos ancorar análises e opiniões sobre os fatos. Este é o destino dos jornais impressos, caso queiram permanecer no mercado. O Jornal Opção já optou por isso há muitos anos, e assim segue firme. [“Cúpula de O Popular discute se vale a pena retomar o formato standard e abandonar o formato germânico”, Jornal Opção 2152, coluna “Imprensa”]

 

“‘O Popular’ acabará se tornando um semanário”

Gilberto Marinho

A Kodak era uma das maiores empresas do mundo, até que entrou em descompasso com as novas tecnologias. Deu no que deu. Parece-me que “O Popular” também entrou em um descompasso. Essas muitas idas e vindas denotam isso; são sintomáticas. E esses sintomas, para mim, anunciam um desfecho que vou resumir assim: para sobreviver, “O Popular” acabará se tornando um semanário, como o Jornal Opção.

Gilberto Marinho é jornalista.

 

“Formato tabloide é muito melhor para ser lido”

Luiz Augusto Paranhos Sampaio

Sou favorável ao formato tabloide, mesmo porque é muito melhor para ser lido. No início, quando implantado, as letras eram minúsculas e ouvi várias reclamações, principalmente de pessoas idosas. Horrível essa maneira de determinar que as pessoas cruzem os braços. Não sei qual o “debiloide” que inventou essa idiotice. Agora, uma coisa boa, mas que ultimamente não tem sido feita: a publicação dos óbitos ocorridos em Goiânia. Como a cidade cresceu demais, acho eu que não custa nada ficar sabendo e publicar diariamente os nomes das pessoas que desencarnaram. Indubitavelmente, prestarão um bom serviço à população. Obrigado.

Luiz Augusto Paranhos Sampaio é advogado, ex-consultor da República e ex-procurador-geral da União.

 

“Acho interessante rever o conteúdo”

Sonea Stival

Como leitora assinante do jornal, gostei do novo formato. A leitura e dinâmica. Acho interessante rever o conteúdo. O factual não pode mais ser destaque de impresso. As redes sociais fazem isso. De análise, repercussão e desdobramento dos fatos, sim, sinto falta. Assim como de notícias do interior do Estado com mais destaque e frequência. Muita coisa importante é interessante estar lá. Ir além dos fatos é o primeiro passo da notícia, nesse caso. Penso e espero como leitora.

Sonea Stival é jornalista.

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