Do Leitor
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Os partidos políticos, as eleições e as novas lideranças

Adão José Peixoto

Recentemente apontei o fato de os partidos políticos em Goiás ignorarem as “jornadas de junho”. Trata-se das manifestações promovidas pelo Movimento Passe Livre, nas principais cidades do país, que reivindicavam, além do fim do aumento das tarifas do transporte coletivo, o passe livre, o fim da corrupção na gestão dos serviços públicos, a ética na política e o compromisso dos partidos com a construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais humana. A crítica aos partidos políticos apontava para a necessidade de mudança em suas práticas, no sentido de superar a prática do fisiologismo, do clientelismo e do corporativismo e adotar uma prática que privilegie a ética, a melhoria dos serviços públicos e a distribuição mais igualitária da riqueza produzida pela sociedade. Essas “jornadas de junho” disseram não às velhas práticas políticas, mostrando que a sociedade não aguenta e nem vai mais aceitar passivamente a prática do toma lá da cá, a barganha de favores numa preocupação única de assumir cargos para seus filiados ou protegidos, e a prática da corrupção, do enriquecimento ilícito de agentes públicos.

Isso implica não apenas que os partidos apresentem, em épocas de eleições, projetos políticos que traduzam esses compromissos e se comprometam a cumpri-los de fato, mas também que valorizem novas lideranças que possam representar esses anseios. A pesquisa Serpes de intenção de voto para governador apresentada no dia 23 de março mostra a indefinição do quadro eleitoral, já que na pesquisa espontânea, a indicação de votos nos candidatos soma 19,8% enquanto que 76,5% são de indecisos. Os políticos que aparecem como prováveis candidatos são os que têm manifestado interesse em se candidatar. São velhas lideranças políticas ou lideranças sem expressão política que não representam anseios de mudança e transformação. Não representam as perspectivas de mudanças reivindicadas pelas “jornadas de junho”. É importante ressaltar que liderar as pesquisas antes do período de propaganda eleitoral não é sinônimo de garantia de eleição.

Em Goiás, há várias lideranças que podem representar estes anseios e que precisariam ser mais valorizadas e incentivadas a aceitar a candidatura a governador. Estas são “novas lideranças”, novas não pela idade que possuem, mas pelo compromisso ético que têm demonstrado no desempenho de suas funções como Edward Madureira Brasil, Helenir Queiroz, Milca Severino Pereira e Wolmir Amado.

Edward Madureira Brasil, ex-reitor da UFG — filiado ao Par­tido dos Trabalhadores e a quem a cúpula partidária, tímida, avessa à renovação, teima em indicar para candidato a deputado federal —, é um dos novos políticos de maior expressão em Goiás. Ele pode representar os anseios populares, pela facilidade de diálogo com os diversos partidos políticos, com os movimentos populares, com o empresariado, com os sindicatos e com a juventude. Edward ocupou a reitoria da UFG num período em que as universidades federais receberam grande volume de recursos financeiros e soube montar uma equipe que administrou com competência a universidade.

Helenir Queiroz, primeira mulher presidente à frente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços do Estado de Goiás (Acieg), recentemente reeleita, é fundadora da empresa Multidata Tecnologia. Muito dinâmica, é capaz de mobilizar as pessoas e sempre assumiu com determinação os desafios. He­lenir possui enorme apoio da classe empresarial e grande respeito dos diversos segmentos da sociedade goiana.

Milca Severino Pereira, também ex-reitora da UFG e ex-secretária da Educação de Goiás na gestão do governador Mar­coni Perillo, é uma pessoa dinâmica e sempre pautou sua atuação pela ética e o cuidado com a gestão pública. Mesmo administrando a UFG num período de grandes dificuldades financeiras, conseguiu fazer uma boa gestão. Na Secretaria da Educação, desenvolveu um excelente trabalho e foi responsável pela melhoria da avaliação da educação em Goiás no Ideb. Milca consegue dialogar com os partidos políticos, com os sindicatos, com os movimentos sociais e com a juventude.

Wolmir Amado, reitor da PUC Goiás, presidente do Conselho de Reitores das Universidades Bra­si­leiras (Crub), sempre pautou sua atuação com ética. Conseguiu um novo status para a Universidade Católica de Goiás, transformando-a em Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO). Ampliou suas atividades de ensino e pesquisa e colocou-a no patamar das grandes universidades confessionais do País.

Adão José Peixoto é mestre em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp-SP), doutor em Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás.

“Entrevista corajosa de Marcelo Melo”

Foto: Ivaldo Cavalcante

Foto: Ivaldo Cavalcante

Eliézer Bispo

Entrevista corajosa e inteligente de quem realmente co­nhece o PMDB e Goiás (Jor­nal Opção 2023). O Estado, principalmente a região do Entorno de Brasília, carece de uma cabeça pensante e um parlamentar atuante em Brasília. Sendo eleito, Marcelo Melo (PMDB) vai dar continuidade a um trabalho muito bom que começou a fazer quando foi deputado federal. Quanto a Júnior Friboi (PMDB), as colocações deixam bem claro que ele tem perfeitas condições de ser o candidato peemedebista e administrar Goiás de forma justa e eficaz, sem apadrinhamento político ou loteamento do governo. Marcelo está de parabéns pelas respostas, demonstrando ter preparo e conhecimento de causa.

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“Uma coisa é o mito, outra é o líder”

Almir Ferraz

Parabenizo o ex-deputado Marcelo Melo pela clareza e contundência de sua análise sobre o quadro atual. O maior partido do Brasil tem sua chance de se renovar agora em Goiás. Uma coisa é o mito, outra coisa é o líder. Como dizia o professor Milton Justus, meu amigo, “marmelada é doce, mas se comer muito faz mal”.

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“O povo, que vota, quer quem?”

Odlan Cruzeiro

De fato Junior Friboi, não é um politico, mas, sim, um empresário. Na política, a habilidade de falar e de cativar conta muito mais do que a palavra de um empresário. Não adianta os diretórios e delegados do PMDB em sua maioria apoiarem Junior. E o povo que vota, quer quem?

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“Cortina de fumaça sobre o problema dos menores”

Leitores discutem artigo polêmico sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente

Leitores discutem artigo polêmico sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente

Daniel Rodrigues

O fato de o texto em nenhum momento citar qualquer dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é extremamente revelador. Claramente o autor cita a lei “por ouvir” falar, especialmente quando escreve “em outros tempos, um menor com esse grau de periculosidade já teria sido expulso de casa para viver nas ruas e, toda vez que fosse preso, a polícia jamais cogitaria entregá-lo aos pais. Ele iria diretamente para um reformatório”. Além de demonstrar total desconhecimento a respeito do ECA, esse trecho encerra também uma contradição interna no argumento do autor. Ele espera que os menores infratores sejam mandados para um reformatório ou para a cadeia?

Se ele espera que sejam reformados, não faz sentido exigir a redução da imputabilidade penal (cláusula pétrea da Constituição, segundo alguns juristas). Por conseguinte, o autor trai a si mesmo ao identificar veladamente que o que falta é cumprir a legislação, não alterá-la. Considerando que o percentual de menores infratores que cometem crimes violentos é muito baixo, reduzir a maioridade penal simplesmente para todos os crimes teria um efeito nefasto. Tal proposta claramente se mostra como uma medida demagógica, já que, se não temos celas suficientes para os criminosos de hoje, o que falar então para os menores de idade? O ECA possui instrumentos que permitem internar os menores que cometem crimes mais graves (Art. 122), mas pergunte para o Estado se ele quer construir centros de internação? Hoje, na ausência de estabelecimentos adequados, os menores são soltos imediatamente. Pergunte para o Estado se ele tem interesse em investir em educação, planejamento familiar, políticas de combate ao consumo de drogas (não apenas à repressão) etc.?

Opiniões como essa jogam uma cortina de fumaça sobre o problema e isentam o Estado e a sociedade dos custos de implementar os projetos políticos que escolhemos em 1988. Sendo prático, melhor seria alterarmos o ECA no Artigo 122, fazendo incluir o crime de tráfico de drogas como sujeito à internação. Mas isso também seria inútil, pois a saída é descriminalizar as dro­gas, uma vez que as políticas a­tuais repressivas se demonstraram totalmente um fracasso. Paralela­mente, podemos discutir a redução de maioridade penal apenas para crimes praticados mediante grave violência (homicídio, roubo, estupro, extorsão mediante sequestro etc.), já que representam, estatisticamente, pouco do total dos atos in­fracionais cometidos por menores.

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“Texto sobre menoridade penal teria de ser enviado aos senadores”

Denise Duarte

Só mesmo José Maria e Silva para salvar o jornalismo goiano. O texto “Estatuto cria a figura do infrator de família que substituiu o menor de rua” (Jornal Opção 2020) está impecável. Digno de ser enviado a todos os senadores que votaram contra a maioridade penal. Vou compartilhá-lo no meu Facebook e no Twitter. Faço uma sugestão: escreva, brilhantemente como sempre, da incoerência da trupe do PC do B querendo fechar o SBT, acho que só pessoas como você conseguem falar com fundamento sobre tal bizarrice. Parabéns mais uma vez.

Denise Duarte é jornalista.
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“Francisco Ludovico merece as maiores homenagens”

Antônio Macedo

Já havia lido essa excelente entrevista republicada pelo Jornal Opção com o médico Francisco Ludovico (edição 2022), com quem tive a satisfação de conversar algumas vezes. Era muito receptivo. Ocupa posição de destaque na história da medicina em Goiás não só por ser o fundador da Faculdade de Medicina, mas também pelos relevantes serviços prestados à população goiana no Hospital Santa Genoveva. Tinha conhecimentos sólidos e uma ampla visão de clínica médica e cirurgia, além de sentir prazer pelo exercício da profissão. Foi, portanto, um grande médico e uma ótima figura humana. É merecedor das maiores homenagens.

Antônio Macedo é médico.
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“Precisamos mudar muito até termos um país decente”

Antonio Alves

Parabéns a José Maria pelo texto esclarecedor e sensato. Uma coisa é certa: contra os fatos não existem argumentos. A incoerência dos intelectuais, do Legislativo, do Executivo, do Judiciário e muitas entidades da sociedade civil ao tratar bandidos de alta periculosidade como reeducandos é gritante. Se fora dos presídios, no convívio com cidadãos de bem, eles não foram capazes de se adaptar aos princípios de comportamento social, imagine dentro de um presídio, onde estão lidando com criaturas da pior espécie. Enquanto o Estado e a sociedade estiverem pensando mais no bem-estar do bandido preso e de seus familiares, o restante da sociedade continuará a perecer. Está claro que o Brasil ainda precisa mudar muito para se tornar um país decente, desde a maneira de pensar da sociedade em geral até a forma de agir dos três Poderes.

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“Uma história que os comunistas daqui não contaram”

P. C. Albuquerque

Diante do exposto no texto “China de Mao Tsé-tung e Chu En-Lai não deu apoio decisivo à Guerrilha do Araguaia” (Jornal Opção 2016), posso muito bem chegar à conclusão de que debaixo do “tapete” da história do Partido Comunista do Brasil não se encontra apenas pó e poeira, mas, essencialmente, certas verdades que não poderiam jamais ser reveladas aos demais camaradas, ilustres iludidos, que verdadeiramente se engajaram na luta com arma em punho, sob o risco de colocar em xeque a própria moral e autonomia do PCdoB no sentido de levar adiante esse projeto revolucionário (guerrilha do Araguaia). Como se vê, o PCdoB não recebeu do PC Chinês uma espécie de “credencial” revestida de autoridade e reconhecimento para levar adiante um movimento fadado ao mais absoluto fracasso. Esse é mais um aspecto dessa história que os “iluminados” comunistas nunca nos contaram.

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