“O dia a dia dos advogados é absolutamente prejudicado pela leniência do Judiciário”

Talmon Pinheiro Lima

Foto: Pedro Afonso

Foto: Pedro Afonso

O editorial (“Brasil está dizendo adeus à impunidade sem limite”, Jornal Opção 2061) é muito abrangente e para comentá-lo ou rebatê-lo precisaria escrever também um editorial. Entretanto, quero fixar-me em dois pontos:

a) Os juízes, a exemplo dos políticos, são vistos como genis pela sociedade com toda a razão. A culpa da inércia do Judiciário é toda deles. Eles simplesmente trabalham muito pouco. Em 2014, eles trabalharam 166 dias e folgaram 199 dias, e quando trabalham é em expediente diário de no máximo cinco horas. O acúmulo de processos torna-se inevitável, a considerar a litigiosidade da nossa população.

Ainda, juízes, ao contrário dos advogados, não cumprem os prazos processuais previstos em lei para pronunciarem nos processos. Exemplificando: eles têm dez dias para prolatar uma sentença. Esses dias, transformam-se em meses, anos a fio, por culpa ex­clusiva deles. Inexplicavelmente, não são punidos por isso. Por outro lado, existe uma cultura geral dentre eles de transferir a responsabilidade aos Legisladores pela não ou má-aplicação da lei. Quando querem, aplicam a lei conforme os desejos da sociedade (o famoso ativismo judicial), conforme vimos no julgamento do mensalão;

b) Os advogados, ao lado dos usuários da Justiça, e ao contrário do dito no Editorial, são as maiores vítimas dessa lerdeza judiciária. A imprensa e parte da sociedade têm uma visão distorcida do trabalho do advogado, porque sempre utiliza como parâmetro advogados que trabalham em casos de grande repercussão, quase sempre criminais. Estes são vistos como habilidosos, chicaneiros e caríssimos.

Essa situação, entretanto, não reflete nem 1% do trabalho dos advogados no Brasil. O nosso dia a dia, ou seja, de 99% dos advogados brasileiros, é absolutamente prejudicado pela leniência do Judiciário. Quando começou o ano forense, depois de um recesso de 18 dias, fui informado que, em Anápolis, dos 20 juízes, apenas 6 estavam trabalhando. Os demais estavam de férias (aliás, a primeira delas, visto terem duas).

Enquanto isso, os processos permanecem nas prateleiras dos cartórios, uma vez que os que ficaram não impulsionam os mesmos. Ou seja, esse círculo vicioso é permanente. P.S.: o nome do juiz da Lava Jato é Sergio Moro e não Aldo Moro. Essa confusão (involuntária) é comum em ou­tras publicações. Deve ser fruto da memória inconsciente relativa ao primeiro-ministro italiano, morto pelas Brigadas Vermelhas.

Talmon Pinheiro Lima é advogado

“Resta saber a reação dos ‘charlies’ se humoristas islâmicos ‘brincassem’ com as mortes dos chargistas”

Caio Maior

Sobre a matéria “Intolerância, um mal que pede mais de si mesmo para poder proliferar” (Jornal Opção 2062): Análise ponderada. Texto objetivo. Acrescento que a via judicial já foi buscada por entidade islâmica que tentou representar ofendidos pelo “humor” do “Charlie Hebdo” — mas a pretensão não foi acolhida: a Justiça francesa entendeu que o jornal tão somente exercitava a liberdade de expressão.

Resta saber como seria a reação dos “charlies” se humoristas islâmicos radicais “brincassem” com as mortes dos chargistas fazendo “humor” do mesmo gênero. Aliás, um comediante que fez algo parecido nas redes sociais já está preso, acusado de “apologia ao terror”.

“A diferença de opinião não deveria, em princípio, traduzir-se em hostilidade”

Adalberto Queiroz

Sobre a matéria “Luís Nassif terá de pagar 50 mil reais a Ali Kamel. Guerra suja entre jornalistas é perda de tempo” (Coluna Imprensa, Jornal Opção 2062): No hospício chamado Brasil, alguém com equilíbrio é uma bênção:

“Não há dúvida de que o jornalista defende o governo petista e critica o tucanato, mas não há nada que o desabone seriamente. É possível sugerir que apoia as principais ações das gestões petistas, mas é incorreto sublinhar que se tornou petista ou que está a serviço do exército lulista ou dilmista”.

Ou: “…resenha de nove páginas, escrita pelo filósofo Ruy Fausto, na qual se comenta um livro do filósofo Paulo Arantes. É duríssima, chega a ser contundente. Mas a linguagem não é chula nem pesada; pelo contrário, é respeitosa. Os jornalistas-guerreiros deveriam observá-la com o máximo de atenção”.

A diferença de opinião não deveria, em princípio, traduzir-se em hostilidade.

Abraços e mais uma vez, parabéns pela lúcida análise.

Adalberto Queiroz é poeta e jornalista

“A gente sabe que a imprensa brasileira, na sua maior parte, é financiada pelo poder público”

Alberto Nery

Sobre a matéria “Luís Nassif terá de pagar 50 mil reais a Ali Kamel. Guerra suja entre jornalistas é perda de tempo” (Coluna Imprensa, Jornal Opção 2062):

Realmente é muito ruim para a imprensa a briga de dois grandes jornalistas. A gente sabe que a imprensa brasileira, na sua maior parte, é financiada pelo poder público. Infelizmente, os nossos meios de comunicação só andam se tiverem apoio governamental, e os blogueiros não fogem à regra. E quem recebe tem que mostrar serviço a favor de quem lhe paga.

Ninguém me contou, eu ouvi alguns anos atrás, uma autoridade dizer: “se eu não pagar a mídia, eu estou frito. Primeiro, porque vão cair matando em cima de mim e, segundo, muitos pais de família vão passar fome”. Agora, essa briga entre esses dois jornalistas é um péssimo exemplo para os novos alunos das faculdades de jornalismo e ruim para a imprensa em geral.

Finalizo com as palavras da juíza Larissa Pinheiro Schueler: “O direito de liberdade de expressão não pode ser usado como pretexto para atos irresponsáveis, como difamação, porque isso pode implicar mácula de difícil reparação à imagem de outras pessoas. É importante ressaltar que às pessoas públicas é notório não deixar, só por isso, de ter resguardado o direito de personalidade”.

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