Do Leitor
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“Julian Assange, do WikiLeaks, desmascarou a santa Hillary Clinton”

Adalberto de Queiroz

A santa Hillary é desmascarada pelo bom-moço Julian Assange, fundador do WikiLeaks. No segundo mandato de Barack Obama [presidente dos Estados Unidos (EUA)], a secretária de Estado Hillary Clinton autorizou o carregamento de armas fabricadas nos EUA e Qatar, um país em dívida com a Irmandade Muçulmana, e amigável para os rebeldes da Líbia, em um esforço para derrubar o governo Gaddafi da Líbia e, em seguida, enviar essas armas para a Síria, a fim de financiar a Al Qaeda, e derrubar Assad na Síria.

Clinton assumiu o papel principal na organização dos chamados “Amigos da Síria” (aka Al Qaeda / ISIS) para apoiar a insurgência liderada pela CIA para mudança de regime na Síria.

Sob juramento, Hillary Clinton negou que ela sabia sobre os carregamentos de armas durante testemunho público no início de 2013, após o ataque terrorista Benghazi.

Em entrevista ao Democracy Now, Julian Assange está agora afirmando que 1.700 e-mails contidos no cache de Clinton conectam diretamente Hillary à Líbia à Síria, e diretamente a Al Qaeda e ISIS.
Aqui está a revelação de Assange, transcrita:

“Juan González: Julian, eu quero mencionar outra coisa. Em março, você lançou um arquivo pesquisável de mais de 30.000 e-mails e anexos de e-mail enviados para e do servidor de e-mail privado de Hillary Clinton, enquanto ela era secretária de Estado. As 50,547 páginas de documentos abrangem o tempo a partir de junho de 2010 a agosto de 2014; 7.500 dos documentos foram enviados por Hillary Clinton. Os e-mails foram disponibilizados na forma de milhares de PDFs pelo Departamento de Estado dos EUA como o resultado de um ‘Freedom of Information Act’. Por que você fez isso, e qual é a importância, a partir de sua perspectiva, de ser capaz de criar uma base pesquisável?

“Julian Assange: Bem, WikiLeaks tornou-se a biblioteca rebelde de Alexandria. É a coleção mais significativa e única de informações que não existe em outros lugares, em uma forma pesquisável e acessível, citável, sobre como as instituições modernas realmente se comportam. E é para libertar as pessoas da prisão, pois os documentos foram utilizados em seus processos judiciais. Também é para alimentar ciclos eleitorais, que resultaram no desligamento e contribuiu para a rescisão dos governos. Então, você sabe, as nossas civilizações só podem ser tão boas quanto o nosso conhecimento sobre o que elas são. Não podemos esperar para reformar aquilo que nós não entendemos.

“Os e-mails de Hillary Clinton se conectam em conjunto com os casos que temos publicados dela, criando um retrato rico de como o Depar­tamento de Estado dos EUA opera. Assim, por exemplo, a intervenção absolutamente desastrosa na Líbia e a destruição do governo Gaddafi, que levou à ocupação pelo ISIS de grandes segmentos desse país, armas indo para a Síria, sendo empurradas por Hillary Clinton para jihadistas dentro da Síria, incluindo ISIS, tudo está lá nesses e-mails. Há mais de 1.700 e-mails da coleção de Hillary Clinton, que temos lançado, apenas sobre a Líbia”.
[Comentário sobre o artigo “O jornalista que vendeu a alma ao diabo e Donald Trump à América”, Coluna Imprensa, 2143].

Adalberto de Queiroz é empresário e escritor

 

“O paciente deve ter sua saúde e integridade resguardadas por um atendimento global e multidisciplinar adequado”

Bruno Machado

Trabalho com saúde pública e privada há quase 12 anos, em sintonia com equipes de profissionais médicos e não-médicos, e concordo que os assuntos abordados pela reportagem “Possível revisão da Lei do Ato Médico retoma velhas polêmicas em relação à saúde no Brasil” [Jornal Opção, 2142] merecem total atenção. O paciente, por sua vez, deve ter sua saúde e integridade resguardadas por um atendimento global e multidisciplinar adequado. Ainda assim, o inesperado pode acontecer, seja nas mãos de médicos ou não-médicos. O que tem ocorrido, por exemplo, na realidade de consultórios dermatológico e de cirurgia plástica, é a chegada de complicações não solucionadas por aqueles que se responsabilizaram por sua execução, mas covardemente visam apenas o “bônus” (sem o possível “ônus”). O ônus, por vezes, é representado por uma complicação que requer diagnóstico e intervenção técnica super especializada, desde a identificação de quais estruturas anatômicas foram danificadas, saber se há a necessidade de antibióticos endovenosos e, em alguns casos, até mesmo enxerto de pele. Ora, a quem caberá essa responsabilidade de tentar remediar o problema? Respondo: ao médico. Então, a lei merece ser revista e se adequar às possíveis situações em que a saúde do cidadão for colocada em risco. O governo não pode tirar de si essa responsabilidade e jogar nas costas de toda uma classe médica que, nos últimos anos, tem servido de “bode expiatório” das ações governamentais mal empregadas ou mal geridas. Chega!

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“Estamos muito longe de Portugal de seu português europeu”

Mari

Sobre a entrevista “O português brasileiro precisa ser reconhecido como uma nova língua. E isso é uma decisão política” [Jornal Opção, 2084]:

Finalmente alguém se pronunciou sobre esse assunto! Sou professora de português e fico irritada ao esbarrar em provas que testam alunos em conjugações verbais como vós falais, vós quereis, e assim por diante. Quem conversa dessa maneira? Ensino português para estrangeiros e deixo bem claro que na nossa língua, o português brasileiro, isso não se usa! Ensino que a segunda pessoa do singular é “você” e não tu. E que o plural é “vocês” e não vós, e que nossa conjugação verbal tornou-se mais simples.

Escrevemos “estou”, mas falamos e cantamos “tô”. A língua é viva, e transforma-se de acordo com a cultura e com a região. Estamos muito longe de Portugal, da sua política e costumes, para continuar falando o Português que trouxeram para o Brasil há séculos atrás, e que, por sinal, nem usam o gerúndio “falando”. Afora isso, a pronúncia é como um outro dialeto. Como intérprete, frequentemente recebo ligações da Europa para traduzir para o inglês, e, muitas vezes, tanto eu quanto a outra pessoa, as quais supostamente estariam falando o mesmo idioma, não nos entendemos e até sentimos a necessidade de interromper a conversa e pedir a ajuda de um intérprete que fale português europeu.

 

“Elemento português é, de longe, o principal na formação cultural brasileira”

Fabio Tomaz

“Nós, brasileiros, não temos a mínima obrigação de falar o português PT, uma vez que os portugueses invadiram essas terras, roubaram ouro daqui, estupraram índias além de movimentar o tráfico negreiro. É claro que Portugal é um elemento importantíssimo para a nossa identidade nacional, mas não é o único, tampouco o principal.”

Não há relação de causa e efeito entre aprender a gramática da língua portuguesa (sem PT ou BR, apenas língua portuguesa) e os pormenores da colonização lusitana (inclusive os míticos que muitos acredita, ignorando, por exemplo, que o tráfico negreiro não seria possível sem a atuação maciça de… outros negros, lá na África).

E o elemento português é, de longe, sim, o principal na formação cultural brasileira. A influência ibérica é de longe hegemônica no campo linguístico, no campo cultural, no campo religioso, no campo da forma de pensamento. Os elementos indígenas, africanos e de outros povos europeus são apenas superstratos sobre uma base totalmente ibérica, com exceção de povoados e comunidades que se encerram na cultura de seus antecessores, como certas comunidades ítalo-alemãs do sul, aldeias indígenas, etc.

 

“Valorizamos tanto a língua do colonizador quanto a nossa”

Daniela Fontes Moura

Acho que o que mais difere o português do Brasil do português de Portugal é o fato de termos a influência do tupi-guarani e dos vários dialetos trazidos pelos negros da África. Só isso já é um bom motivo para criar essa alteração de nomenclatura. Assim como acontece no espanhol, a língua falada na América não é exatamente a mesma da Europa. Isso não quer dizer que neguemos nossa origem, muito pelo contrário: estamos valorizando não só a língua do colonizador, mas também a do colonizado, a língua original da terra, e todas as que chegaram depois e tiveram igual importância na nossa formação cultural.

 

“Nós homens, sejamos gays, bi ou héteros, nunca saberemos o que é sofrer da cultura machista”

Chris Monteiro

Sobre o artigo “Sim, precisamos falar sobre o feminismo” [Jornal Opção, 2135]: A cultura machista prejudica a nós, homens? Sim, cobra de nós muita coisa injusta. Mas N-U-N-C-A chegará aos pés do que as mulheres sofrem. E digo isso como homem cis, mas gay.

O problema é que nós, homens, independente de gay, bi ou hétero, nunca saberemos o que é sofrer da cultura machista da forma como as mulheres sofrem. Portanto, nunca vamos saber quando nossa opi­nião/nossa fala estará fortificando o movimento ou quando estaremos assumindo um lugar de fala que não é nosso (mesmo sem querer). Por isso eu entendo, depois de muito tempo também refletindo sobre o meu papel no movimento feminista, o porquê de muitas mulheres resistirem à presença de homens em certos momentos. E aprendi isso por meio dxs amigxs que tenho, feministas e aliados, cis e trans.

O fato das feministas dizerem que todos os homens são “estupradores em potencial” reflete esse dia-a-dia machista do qual nós, homens, nunca saberemos como é. Reflete que nem sempre nas ações, mas nos ideais os homens estupram mulheres, despem mulheres de sua existência como pessoas, as objetificam, as reduzem. Isso é violência. Essa reação das mulheres é reação, não é opressão.

Portanto, muito cuidado ao comparar em nível de igualdade homens falarem que feminismo é “mimimi” e mulheres falarem que todo homem é uma ameaça em potencial. São patamares completamente diferentes, contextos completamente diferentes, relações de poder completamente diferentes.

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“A sensação de que o vinho brasileiro é ruim está mudando”

Douglas B.C.

Esta sensação de que o vinho brasileiro é ruim da qual fala o artigo “O Brasil tem excelentes vinhos; o que falta é divulgação de qualidade” [Jornal Opção, 2135], vem de um paradigma infindável, que parece não ter fim. Mas isto está mudando, de forma lenta e passível.

Muito se deve, além da falta de publicidade de produtores e adegas, também ao sommelier e aos enófilos responsáveis por indicarem e orientarem aos consumidores rótulos de bons vinhos.

O fato de os rótulos nacionais serem vistos como ruins advém muito de vinhos muito populares e da falta de orientação para maturar o paladar dos futuros enófilos, estes que pré-julgam um vinho seco como muito amargo e “horrível”.

Como um discurso que ouvi outro dia, começou a simplificar o modo de entendimento da maturação de paladar pessoal:

“Pode ser grosso o modo como vou exemplificar ao senhor, mas é simples a compreensão desta comparação, o vinho é como um café dado a uma criança, se você oferecer um café amargo, forte e encorpado a ela, pode ser que nunca mais mude sua concepção de que existem bons cafés. Comece com algo mais fácil, simples e suave, sem agredir o paladar dela. Assim sendo como a indicação do vinho. Nós apreciadores, assim como literários, somos responsáveis por fazer mudar a cultura de nossos grupos sociais; façamos isto com amor”.

O comentário extenso foi no intuito de, apenas, apresentar meu ponto de vista.

A coluna ficou ótima. Meus parabéns Francisco Araújo, e parabéns ao Jornal Opção, pelo belíssimo trabalho.

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“Voltaire elevou a ironia a um estado de arte poucas vezes superado”

Arnaldo B. S. Neto

Se tivesse de fazer a lista dos dez livros que mais me causaram impressão e condicionaram minha maneira de pensar, seria uma injustiça não colocar “Cândido, ou o Otimismo” entre os primeiros. Diria que Voltaire foi o meu primeiro professor de realismo, apesar dessa palavra não ser comumente associada ao famoso escritor francês, que elevou a ironia a um estado de arte poucas vezes superado. Sua mordacidade e cinismo fizeram escola: há muito de Voltaire em mestres como Millôr Fernandes [desenhista, humorista, escritor, jornalista e tradutor brasileiro] e H. L. Mencken [jornalista norte-americano], só para mencionar dois autores indispensáveis para uma educação humorística. Este pequeno tratado contra a ingenuidade, escrito como uma diatribe sofisticada contra Leibniz, coloca Voltaire como um grande mestre do realismo. Todo jovem deveria ler.

Arnaldo B. S. Neto é professor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutor em Direito Público pela Universidade Vale dos Sinos (Unisinos-RS).

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