Do Leitor
Do Leitor

“Goiânia, cidade cosmopolita mas que tem um pé na roça, identifica-se com Iris”

Talmon Pinheiro Lima

Leio os editoriais do Jornal Opção com prazer, na certeza de que estou sempre a aprender com seus conhecimentos. São excelentes e seminais. Sobre o editorial “Pedro Ludovico diria a Iris Rezende e Vanderlan Cardoso: ‘Modernizem-se!’” [Jornal Opção, 2144], apenas algumas observações pontuais, fora um pouco do contexto apresentado pelo editor Euler de França Belém:

Anápolis detesta Iris (questões paroquiais), tanto que na eleição de 2º turno de 2014, ele sequer apareceu por aqui. Por outro lado, sempre vi Iris como aquele homem “simples”, conforme a imagem descrita pelo consultor [Carlos] Manhanelli, em entrevista recente [publicada na edição 2142 do Jornal Opção]. Iris tem certas características que o distinguem: é autêntico, tem carisma, não tem medo do povo, é prático, e seu linguajar é compreensível por todos. Acredito que Goiânia, cidade cosmopolita mas com um pé na roça, identifica-se com Iris, justamente por tais características.

Em nível estadual, o tempo do Iris já passou, mas, para a Pre­feitura, acredito que ele venha a vencer, mesmo com esse comportamento defasado (com o qual concordo) exposto no texto. Quanto a Van­derlan, vejo-o sem muita consistência e/ou discurso político. Troca sempre de partido, demostrando uma falta de firmeza e/ou compromisso ideológico. Além do mais, ele é muito insosso, o que dificulta sua empatia com o eleitor. Ele parece muito com [governador de São Paulo, Geraldo] Alckmin, ou seja, outro “picolé de chuchu”. Certa­mente, é muito competente, observando-se suas gestões na prefeitura de Senador Canedo e sua trajetória de empresário bem-sucedido. Mas, sinceramente, não antevejo chances eleitorais para ele, não.

Talmon Pinheiro Lima é advogado.

“Empreendimentos autorizados continuam bombeando águas e esgotando nascentes”

José Carlos Marqui

Sobre a matéria “Boom da construção civil poderá ‘matar’ a cidade em menos tempo do que se imagina” [Jornal Opção, 2144]: O delegado Dr. Luziano está certo, o ideal é ‘subsolo zero’; não há outra saída. Não confio nesses laudos de sondagens, porque o entorno dos parques está cheio de garagens subterrâneas: de prédios antigos, de obras de hoje, de obras de amanhã, de projetos aprovados para o futuro, sendo que todos os empreendimentos autorizados pelos laudos técnicos continuam bombeando águas da drenagem e esgotando as nascentes em volta.

Além de tudo, por que não aplicar o princípio consagrado no Di­reito Ambiental da precaução e da pre­venção? Essa engrenagem do bombeamento da recirculação das águas subterrâneas das garagens nunca me convenceu; chamo isso de o verdadeiro desperdício de energia, equipamentos, mão de obra e manutenção, pois o líquido vive dentro de um círculo vicioso que volta sempre para onde saiu; isso se as águas forem bombeadas à montante, coisa que nunca acontece. A cultura da facilidade é sempre esgotar a riqueza hídrica à jusante (para baixo).

Email: [email protected]

“Não existe nada de nobre ou elevado na política. Há tão somente disputa pelo poder”

Arnaldo B. S. Neto

Assim como sou um leitor pluralista, também gosto de conversar com pessoas de várias opiniões. Não me desagrada que pensem diferente de mim, desde que a conversa seja interessante, estimulante. Mas confesso que tenho tido dificuldade de conversar com pessoas muito comprometidas com projetos políticos. Não me refiro a pessoas que possuem opiniões políticas, pois isto todos temos, em maior ou menor medida, mas sim com quem está engajado num projeto de poder. A conversa, neste caso, passa a ter limites sempre muito definidos. Antes de tudo porque a pessoa está sempre defendendo posições que não podem ser mudadas senão institucionalmente, pelo seu grupo político. Mesmo que a pessoa não concorde, são as opiniões do grupo que ela deve defender.

Esta postura, que me parece necessária na política prática, é compreensível. Quem está dentro de um projeto de poder pensa tão somente em aumentar o capital político do grupo. Ocorre que, na minha perspectiva pessoal, esta é uma experiência muito empobrecedora do ponto de vista intelectual. As pessoas verdadeiramente interessantes que conheci são sempre surpreendentes nas suas opiniões. Conversam abertamente, sem preconceitos. Riem e fazem troça de teorias e posições políticas. Não há conversação minimamente interessante sem um pingo de iconoclastia e irreverência.

No caso das pessoas muito engajadas, tanto de direita quanto de esquerda, depois de um tempo e já sabemos o que a pessoa vai dizer. Em alguns casos parece até que não estamos conversando com um indivíduo, mas sim com um órgão partidário. Talvez por isso muitos intelectuais importantes recusaram engajamentos políticos partidários.

Há exceções, claro. Um amigo dileto, muito engajado, sempre respeita a especificidade da nossa conversação, e simplesmente se despe de sua persona partidária. O resultado é que tenho sempre a impressão de que me diz coisas em privado que certamente não diria em público.

Eu entendo a dimensão da política, que é um mal necessário. Também entendo que as pessoas precisam defender as causas que irão atrair ganhos políticos para o seu grupo. E que busquem justificar hoje o que era injustificável ontem. Trata-se de uma disputa, de um combate, de uma competição. Não existe nada de nobre ou elevado na política. Há tão somente disputa pelo poder. A busca pelo poder é a moral secreta do político, mesmo que ele não veja este ponto cego. Tanto que as pessoas, via de regra, se tornam piores e não melhores, após se envolverem com a política. Repito: a política é necessária, dada a imperfeição insolúvel das sociedades humanas, mas para alguém com mais consciência do que se trata, é sempre um sacrifício, uma perda que se consente. Eu acho sinceramente que somente alguém com muito preparo humano e experiência de vida pode se envolver com política prática e não se perder como pessoa.

Arnaldo B. S. Neto é professor

“‘Parada Hétero’ é um sinal de que estamos involuindo”

Paulo R. Cane

Comentário sobre a matéria “Página no Facebook vira piada após criar campanha incentivando heterossexualidade” [Jornal Opção Online, 2142]:

Pelo que eu entendi, o movimento “Parada Hétero Brasil” é basicamente um palanque político. Mas é óbvio que sim, afinal, uma parada hétero luta por qual ideal? Quantos héteros são assassinados diariamente somente por serem héteros? Quais são as proibições que lhes impuseram e não estão previstas em lei? Quem os ridiculariza em público ou lhe incita discurso de ódio?

Os posts desta página são basicamente formados por: Apoio a Bolsonaro, Ustra e militares em geral. Criticam as ações progressistas e seus argumentos são rasos, sem base numa teoria sólida ou comprobatória. São frases que só podem ter sido escritas por crianças mal instruídas na faixa dos 12 anos de idade, tais como: “ser hétero é legal, divertido e popular”. (Se não foi, dá-se a impressão).

É uma pena que o(a) criador (a) desta piada marqueteira realmente acredite em tudo o que publica. É um sinal de que estamos involuindo. Não por que estão contra o que eu acredito, mas porque estão lutando contra o avanço da própria sociedade na qual vivem. Estão exaltando pessoas de caráter duvidoso, alimentando discursos de ódio, espalhando mensagens de que orientação sexual é uma mera decisão e, por fim, ridicularizando todo um grupo de pessoas que fazem de suas vidas uma luta diária, que são as verdadeiras merecedoras de uma parada e que, como todo mundo, só está lutando pelo direito de ser sem prejudicar a vida de ninguém.

Parada Hétero é uma piada, formada por pessoas que provavelmente desconhecem o significado de tolerância, analfabetos funcionais seguidores de figuras duvidosas como Bolsonaro, que para serem levados a sério vão precisar de muito mais que uma página e uma parada.

Email: [email protected]

“A honestidade da escrita de Sue Klebold faz parecer que estamos presentes nos fatos”

Luís Carlos Freire

Sobre o artigo “Mãe de assassino faz relato pungente e sem concessões sobre a tragédia de Co­lumbine” [Jornal Opção, 2139]:

Li o livro. Há momentos muito tristes. Às vezes parece que estamos presentes nos fatos, haja vista a honestidade da escrita de Sue Klebold. Eles não tiveram culpa de nada. Foram bons pais, mas a mente humana é indescritível. Dylan parecia um suicida em potencial. Ele não gostava de viver. É muito complexo. Mas é importante que pais, professores e pessoas que trabalham com as coisas da mente leiam o livro.

Uma resposta para ““Goiânia, cidade cosmopolita mas que tem um pé na roça, identifica-se com Iris””

  1. A comparação de Van­derlan, seja lá quem ele for, com Geraldo Alckmin é ridícula. Alckmin está no quarto mandato como governador de São Paulo. Este último, eleito no primeiro turno, perdendo em apenas um município entre os 645 do Estado. Disputou a Presidência da República com Lula no auge e levou as eleições para o segundo turno. É fundador do PSDB. É uma das principais lideranças do PSDB nacional. Sendo assim, nada se compara com o perfil do tal Van­derlan.

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