Do Leitor
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Cartas

“Qual língua nos aproxima mais do verdadeiro entendimento do universo?”

DURVAL ARAÚJO

A tese lembrada por Anderson Fonseca em artigo para o “Opção Cultural” [“A realidade é uma criação da palavra”] tem a ver com uma linha de pensamento denominada “Realismo dependente do Modelo”. Hawking e Mlodinow dissertam sobre isso em “The Grand Design” (“O Grande Projeto”). Veja por exemplo, os dois principais modelos do universo: o geocêntrico e o heliocêntrico. Com o primeiro modelo, que fixa a Terra no centro, é possível descrever e prever as posições dos planetas no céu com boa precisão. Com o segundo modelo, que fixa o sol no centro, de igual modo justificamos e predizemos os fenômenos celestes.

Ambos os modelos funcionam e concordam, cada qual a seu modo, com as observações astronômicas sobre planetas e astros. Se correto é aquilo que está de acordo com as observações, então não se pode dizer que nenhum dos modelos está errado. Mas qual é o que fornece a imagem real do universo? O que você escolher será o real. Não existe uma realidade independente de um modelo, como não existe uma realidade independente da linguagem. Basta dizer, que não existe realidade que independe da linguagem, pois um modelo matemático é uma linguagem. Não obstante, se adotarmos um postulado metafísico apresentado por Newton nos seus “Principia” que dita que “a natureza não faz nada em vão, ao passo que, com muitas coisas, faz-se em vão o que se pode fazer com poucas. A natureza ama a simplicidade e não superabunda em causas supérfluas”, poderemos a partir dele decidir qual modelo constitui a realidade da natureza.

Compare os dois modelos, seus desenhos, ambos são compatíveis com as observações, mas o geocêntrico é extravagante (encerra muitas hipóteses), ao passo que o heliocêntrico é sucinto (encerra bem menos hipóteses). Tendo em vista o postulado metafísico citado, diremos que o modelo heliocêntrico corresponde à verdadeira imagem do universo, pois “a natureza é simples”, e como tal, deve ser descrita por um princípio igualmente simples. Podemos, então, nos perguntar – considerando as várias línguas diferentes, umas mais complexas que outras: será que a língua mais sucinta e econômica seria também aquela que nos aproximasse do verdadeiro entendimento do universo? [“A realidade é uma criação da palavra”, Opção Cultural, Jornal Opção Online]

“O filme ‘A Chegada’ é mais desafiador que ‘Interestelar’”

PHILIPPE SARTIN

“Interestelar” pode ser mais impressionante de um ponto de vista narrativo, mas as pequenas explicações (como – e é só um exemplo – num momento em que duas personagens com um razoável conhecimento de Física descrevem um para outro os elementos da explicação da relatividade) tornam a trama um tanto didática. Pelo menos nesse ponto, acredito que “A Chegada” seja um pouco mais cru e, em certo sentido, mais desafiador. [“A Chegada só é interessante do ponto de vista linguístico”, Opção Cultural, Jornal Opção 2168]

“Uma intromissão menor do Estado nas liberdades individuais”

JOÃO PAULO LOPES TITO

Disciplina é liberdade. E liberdade é responsabilidade. Isso daí denota uma intromissão menor do Estado nas liberdades individuais. Talvez a cultura, educação e senso crítico dos franceses possibilite esse tipo de medida. Por aqui, as discussões geralmente se estagnam nas redes sociais, infelizmente. [“França autoriza exibição de filmes com cenas de sexo explícito para menores de 18 anos”, Opção Cultural, Jornal Opção 2169]

João Paulo Lopes Tito é advogado, servidor do TJ-GO e estudante de Cinema.

“Na expectativa pela volta de um jornal independente”

EDUARDO DAVID

Fui leitor e assinante do JB durante muitos anos. Estou na expectativa pela volta impressa de um jornal independente como sempre foi.

“Retorno que é um bem à alma brasileira”

IVAN CARNEIRO GOMES

Eu também fui repórter e redator do JB na sucursal de Porto Alegre. Um grande jornal com uma fantástica história. Seu retorno fará bem à alma brasileira!

“Bela reportagem com um ex-oficial da FEB”

DURVAL JUNIOR

Bela reportagem com um entrevistado raro: um ex-oficial da FEB, ainda vivo e lúcido. Apenas uma observação: o U-507 jamais recebeu “ordem de atacar os navios brasileiros”. Tal iniciativa coube a seu capitão, Harro Schacht. O U-507 era um “lobo solitário”, pois os outros dez submarinos a que se refere o entrevistado faziam parte da “Operação Brasil”, abortada dias depois de desencadeada, em julho de 1942. [“Waldyr O’Dwyer: o relato de um oficial do Exército sobre a participação brasileira na 2ª Guerra Mundial”, Jornal Opção 2168]

“Não acredito em golpe militar, mas o cenário é preocupante”

TALMON PINHEIRO LIMA

Raul Jungmann [ministro da Defesa] é um dos grandes quadros políticos brasileiros. Pessoa certa no lugar certo. Se ele externa tal preocupação com um cenário de futuro institucional incerto é algo a se preocupar, principalmente considerando o que estamos presenciando Brasil afora (Amazonas, Roraima, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Espírito Santo), onde as Forças Armadas foram convocadas para garantir a lei e evitar uma comoção pública. O recado foi dado. Mas não acredito em golpe, intervenção militar ou algo similar. Já passamos desse tempo. [“‘Militares temem que a irresolução da crise e seu agravamento os tire dos quartéis’, diz ministro”, Jornal Opção Online]

Talmon Pinheiro Lima é advogado.

“A maioria favorável à intervenção militar não viveu aquela época”

LUIZ AUGUSTO PARANHOS SAMPAIO

Sofri muito em 1963 e 1964. Há muita gente dando palpite e ainda estava “mamando” naquela época. São passados mais de 50 anos de minha prisão e sei o que é um período de exceção. Muitos há que falam besteiras sem que saibam o que vem a ser uma ditadura. A maioria, tenho certeza, dos que opinam não viveram, não sabem nada e dizem algo por ouvir dizer.

Não sabem, por exemplo, o que é ficar se escondendo em chácara fora de Goiânia para não ser preso, mesmo não sendo comunista.

Apenas, respondendo a inquérito militar (os IPMS) porque tinha e proferia conferências, discursos e dava aulas abordando problemas nacionais. Esses “babacas” que opinam favoravelmente ao intervencionismo não viveram aquela época. Não sabem de nada, nada mesmo. Daí, não entrar nessas discussões com pessoas que nasceram após o golpe ou, então, que estavam ainda mamando ou fazendo xixi na cama.

Temos, sim, de apoiar essa limpeza na política. Diferente, no entanto, é ficar desejando, sem conhecimento, uma intervenção militar.

Luiz Augusto Paranhos Sampaio é escritor e advogado.

“O recado está dado pelas Forças Armadas”

GILBERTO MARINHO

O recado está dado: as Forças Armadas estão atentas ao cenário político-econômico nacional e, sem qualquer sombra de dúvida, vão cumprir a sua missão constitucional – quando for preciso e no momento que for preciso.

Gilberto Marinho é jornalista

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