Do Leitor
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“Bolsonaros e o retrocesso da sociedade brasileira”

Jair Bolsonaro: estilo ofensivo que representa muita gente, diz jornalista Foto:Wilson Dias/ABr

Jair Bolsonaro: estilo ofensivo que representa muita gente, diz jornalista Foto:Wilson Dias/ABr

Elzenúbia Moreira

Uma ofensa do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) proferida em 2003, enquanto os dois discutiam em um corredor da Câmara, voltou a ser notícia nas últimas semanas: ao responder a um discurso da deputada sobre a ditadura militar, o parlamentar voltou a declarar que ele só não a estupra porque ela “não merece”.

Maria do Rosário não é a primeira nem tampouco será a última mulher a ser alvo das ofensas de Jair Bolsonaro. A ministra Eleonora Menicucci [Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres], a senadora Marinor Brito (PSol-PA), a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) a cantora Preta Gil e inclusive a presidente Dilma Rousseff já foram atacadas por palavras agressivas do parlamentar.

Bolsonaro não cessou seu discurso ácido e, em entrevista à “Zero Hora” fez nova ofensa: “Ela não merece [ser estuprada] porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia. Não faz meu gênero. Jamais a estupraria.” Isso equivale a dizer que o estupro é uma questão de merecimento, onde a mulher “deseja ser violentada” e, quando o estuprador o faz, está premiando a mesma. Estupro não é prêmio ou castigo, é crime e violação dos direitos das mulheres.

Mas o que mais assusta neste lamentável episódio é saber que existem milhares de Bolsonaros na sociedade brasileira, já que ele foi eleito para seu sétimo mandato de deputado federal nas eleições deste ano, sendo o mais votado no Rio de Janeiro e com o terceiro lugar geral no País. São mais de 460 mil brasileiros que concordam com opiniões e atitudes de um político que não tem condições de representar o povo.

Bolsonaro extrapola a liberdade de expressão e os limites da di­gnidade humana, ignora os direitos humanos e os das mulheres, e trata com desrespeito os colegas. Mas isso não o intimida, porque o deputado não teme processos judiciais e representações que serão apresentados contra ele no Conselho de Ética. Ele irá responder a essas acusações como já fez em tantas outras; vai ser absolvido ou ver o processo ser arquivado, graças à imunidade e à inviolabilidade garantidas aos parlamentares pela Constituição Federal.

Contudo, o que aconteceu na semana passada serviu para direcionar nosso olhar à sociedade brasileira e vermos que o Brasil vive um momento de retrocesso em questões importantes, em que pessoas protestam a favor do retorno da ditadura militar, atacam e ofendem os nordestinos co­mo se eles fossem os únicos responsáveis pela reeleição da presidente Dilma Rousseff e, segundo uma pesquisa do Ipea [Ins­ti­tu­do de Pesquisas Econômica Apli­cada], 58,5% dos entrevistados concordam com a ideia de que se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros.

Isso demonstra que a sociedade brasileira ainda precisa avançar muito em questões como o combate à intolerância, ao preconceito e ao machismo, porque, infelizmente, Bolsonaros só são eleitos porque representam pessoas como eles.

Elzenúbia Moreira é jornalista.

 

“Considero o Jornal Opção acima da média”

Fábio Coimbra

Parabéns a este belo e sensacional jornal. Aqui, de Barcelona, custa-me acreditar que um Estado como Goiás, desconhecido no País (não tenho certeza, mas meus amigos de São Paulo não o conhecem) e no mundo, tenha feito um jornal de tão alta qualidade. Desde que descobri o jornal, considero-o acima da média. Leio toda semana o caderno de Cultura e a coluna Imprensa, e eventualmente os editoriais, que são estupendos.

Fábio Coimbra é doutor em Ciências Sociais e trabalha para instituições de pesquisa europeias.

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