A.C. Scartezini

Sonho da assessoria palaciana é que eventual desgaste atinja políticos em geral

Aécio Neves e Eduardo Campos: na expectativa do impacto do futebol  | Foto: George Gianni/ PSDB

Aécio Neves e Eduardo Campos: na expectativa do impacto do futebol | Foto: George Gianni/ PSDB

Os companheiros que se­guem de perto as aventuras e des­venturas da reeleição da presidente Dilma Rousseff aguardam pesquisas externas para verificar o impacto da decepção nacional com o futebol junto aos concorrentes Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Os petistas torcem para que o antigo desencanto com a política, se voltar, atinja a todos.

A tendência natural seria a cotação de Dilma voltar ao patamar em que estava antes da Copa. Ela liderava a corrida com 34% das preferências e saltou no Datafolha para 38. Aécio também se moveu para cima, foi de 19 pontos a 20. Campos subiu de 7 a 9%. A simetria ainda seria a mesma? O nervosismo nos partidos prejudica a redefinição de rumo.

A retomada do desencanto do eleitor, se acontecer, pode ser seletiva. Aí, o governo seria o mais prejudicado. Afinal, protesto de rua é contra o poder. Não há protesto contra a oposição. Nessa dinâmica, o mau humor do brasileiro pode beneficiar a oposição por via direta: o eleitor pode absolver Aécio e Campos quanto ao malogro na alma nacional e desviar votos para ambos.

Em momentos assim, surgem intérpretes políticos a afirmar que o futebol não influencia eleição. Mencionam casos, como a reeleição de FHC em 1998, quando a seleção brasileira voltou da Copa com as mãos vazias. Mas havia também o Plano Real. Hoje há inflação. Em 2006, Lula foi reeleito, depois de outro fracasso no futebol e apesar do mensalão. Agora é diferente.

Todos aqueles insucessos ocorreram em terras estrangeiras. Hoje o naufrágio veio em campo brasileiro, bem pertinho da nação. Aqueles sete gols alemães contra um nacional são inesquecíveis e não sairão da memória popular nos 12 domingos que restam até o primeiro turno da eleição presidencial em 5 de outubro.

Outra coisa. A expectativa otimista injetada pela propaganda do governo no início da Copa não elevou o bom humor brasileiro naquela pesquisa do Datafolha? Os três principais candidatos subiram de cotação naquele momento, mas o salto da presidente foi mais expressivo. Não seria estranho se o fenômeno se invertesse agora.

Além de tudo, desta vez o governo se envolveu como nunca numa Copa, desde que o presidente Lula foi à Suíça apresentar a candidatura brasileira a sede do mundial. Tanto envolvimento do Planalto despertou os protestos de rua em defesa de gastos sociais prioritários. Nem em 1950 a intervenção foi tão forte. Agora a presidente tenta se desvincular da seleção. Mas essa é outra história.

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